Restauração Borbônica: Cánovas, Partidos e Constituição de 1876

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1. O Estabelecimento de Cánovas

Durante o período de seis anos, criou-se um sentimento de injustiça que alguns setores sociais interpretaram como uma ameaça à ordem social liberal-conservadora. É por isso que se realizou a restauração da monarquia na pessoa de **Alfonso XII**.

1.1. As Origens do Processo Restaurativo

O objetivo era colocar no trono o filho de Isabel II, rainha destronada em 1868, e o protagonista foi **Antonio Cánovas del Castillo**. O mais importante foi a abdicação de Isabel II em favor de seu filho, algo que não aconteceu até 1870. Cánovas utilizou como ferramenta básica a criação de um "partido alfonsino". Seu programa resumia-se ao liberalismo e à fidelidade a Alfonso XII, com um programa conservador que se resumiu em duas palavras: **"Paz e Ordem"**. Ao papel de Cánovas deve ser adicionado o do exército. A decisão do moderado **Sagunto**, de Martínez Campos, não foi bem recebida pelo político, que desejava a restauração da monarquia legal.

O Manifesto de Sandhurst, elaborado e assinado por Alfonso e Cánovas, recolheu as ideias básicas do projeto de restauração:

  • Natureza conservadora da monarquia constitucional.
  • Tradição Católica compatível com a liberdade.
  • Superar as duas constituições anteriores (1845 e 1869), criando a de **1876**, que seria a mais duradoura.

1.2. A Formação dos Partidos Conservador e Liberal

O **Partido Conservador** surgiu de uma reunião no Senado em 1875 e seu fundador foi Cánovas del Castillo (até 1897), para apoiar o novo regime de Alfonso XII. Este acordo deu satisfação aos mais conservadores, inclusive aos carlistas imediatos.

O **Partido Liberal**, sua origem foi na parte da Constituição, foi fundado por **Sagasta** e Serrano durante o reinado de Amadeu I (1903). Os liberais eram setores de ponta da Direita da União Liberal. Isso representou o partido reformista da Restauração. Fora do poder e, portanto, excluídos do **turnismo**, ficaram os republicanos, os democratas, os socialistas e os anarquistas.

2. O Sistema de Banco de Dados da Restauração

Os fundamentos ideológicos do sistema restaurador são os do operador, Cánovas. Sua ideologia foi forjada através de uma fusão de influências, e o resultado foi um pensamento cujas características foram:

  1. Pragmatismo na política.
  2. Soberania das Cortes recomendada pelo Rei contra a soberania nacional.
  3. Pessimismo.

Além disso, o exército deveria ficar fora da política, acabando assim com a intromissão militar na política. O sistema eleitoral baseava-se em um esquema de fraude contínua através do qual os grupos dominantes eram **favorecidos**.

2.1. A Constituição de 1876

Esta foi a constituição com a maior longevidade na história da Espanha, pois permaneceu em vigor até 1923 e destacou-se pela estabilidade. É um texto curto, com 89 artigos, e foi desenvolvido por um comitê de especialistas convocado por Cánovas. A constituição foi aprovada em 1876 pelo sufrágio universal e suas características essenciais são:

  1. Soberania compartilhada entre Rei e Cortes.
  2. Direito de voto: Duas leis eleitorais definiram esta lei: a de 1878 (baseada no censo) e a de 1890 (universal).
  3. Liberdade religiosa.

2.2. A Monarquia, no Centro do Sistema

Considerava-se que as características deste sistema em Cánovas eram como se fossem destinadas à monarquia, e que esta era essencial para a condição medular espanhola. A monarquia desempenhou um papel triplo neste sistema político:

  1. Era uma expressão de continuidade histórica.
  2. Era a garantia da ordem social que emanava da revolução liberal.
  3. O monarca era a pedra angular do sistema.

2.3. As Bases Sociais e Políticas: O Despotismo

O regime de recuperação foi considerado por Joaquín Costa como **caciquista, oligárquico e corrupto**, no entanto, proporcionou ao país um longo período de estabilidade. A Espanha ficou aquém das transformações econômicas que afetaram outros países. Na vida política, incorporou-se através do **mecenato**, cujos três pilares eram:

  • Altos funcionários, em Madrid.
  • Governadores civis nas províncias.
  • Chefes das aldeias.

Estes três cargos concediam favores em troca de votos.

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