A Restauração Bourbon: De Alfonso XII à Crise de 1898

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Fases do Sistema de Restauração

O Reinado de Alfonso XII

O reinado de Alfonso XII apresenta-se aos olhos da nação como um período de paz e de consolidação ideológica e militar do bipartidarismo. Durante este período:

  • Fim das operações na frente carlista: Supressão do foral basco.
  • Fim da revolta em Cuba: Assinatura da Paz de Zanjón (1878), com a concessão de uma amnistia e promessas de reformas políticas e administrativas.

O movimento de libertação seria retomado com a Chiquita Guerra, facilmente suprimida, mas a tensão manteve-se até à crise de 1898. A pacificação ideológica foi alcançada através da Constituição de 1876, baseada no voto censitário e na prática do despotismo. Este modelo centralizado, introduzido por Cánovas, seria a origem dos seus principais problemas: a crise de 1898 e o nascimento dos nacionalismos periféricos.

A Regência de Maria Cristina

Com a morte de Alfonso XII em 1885, surgiu um risco para a continuidade do regime. Cánovas e Sagasta chegaram a um acordo para garantir a alternância de partidos: o Pacto de El Pardo. Este convénio estabeleceu a solidariedade entre ambos, fazendo causa comum contra qualquer reivindicação de assalto ao Estado, tanto da esquerda como da extrema-direita. O pacto garantiu a estabilidade do regime até 1898.

Com a ascensão de Sagasta ao poder, foram aprovadas leis que promoveram avanços democráticos:

  • Liberdade de reunião e expressão (1881);
  • Lei de imprensa (1883);
  • Liberdade de associação (1887);
  • Sufrágio universal (1890).

Isto implicou a legalização de sindicatos e partidos políticos. Contudo, o sistema tornou-se mais instável até à maioridade de Alfonso XIII (1902), com o surgimento de partidos de oposição: republicanos, socialistas e nacionalistas.

Problemas da Regência e Nacionalismos

O ano de 1898 marcou a explosão do problema de Cuba e a perda dos restos do império espanhol, gerando uma crise de consciência nacional. Paralelamente, o nacionalismo basco e catalão surgiu como reação à centralização administrativa e jurídica da Restauração.

Quanto ao movimento operário, até ao sufrágio universal de 1890, os trabalhadores permaneceram céticos em relação às reformas, adotando a luta de classes. O debate centrou-se entre a via sindical ou política, pacífica ou revolucionária.

A Crise de 1898 e a Perda Colonial

No contexto do desastre colonial, surgiu o Regeneracionismo como um movimento de opinião. Nas relações internacionais, Cánovas tentou uma política "modesta" para manter a Espanha neutra. Contudo, a economia colonial, especialmente a de Cuba, era vital para a metrópole. O "98" representou dois aspetos críticos:

  1. A perda das últimas possessões coloniais na América, Ásia e Oceania;
  2. O impacto profundo dessa perda na política interna e na consciência nacional espanhola.

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