Restauração espanhola: Cánovas e Constituição de 1876
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Restauração espanhola: Cánovas, Constituição e crise colonial
Alfonso XII e Restauração: Sistema de Cánovas. Constituição de 1876. Turno partidário. Perda das colónias. Crise de 1898.
Sistema político de Cánovas
Cánovas, sistema político: Foi um dos mais destacados políticos da história da Espanha. Ligado à União Liberal de O'Donnell, escreveu diversos manifestos e bairros políticos. Governou a Espanha nos períodos de 1874–1881 e 1883–1885, até a morte de Alfonso XII. Cánovas foi posteriormente assassinado por um anarquista.
Convocou as Cortes ao abrigo da legislação então em vigor, reunindo um notável número de pessoas responsáveis por redigir o rascunho da Constituição de 1876, que prevê, de forma geral, o seguinte:
Principais características da Constituição de 1876
- Monarquia constitucional ou parlamentar.
- Soberania nacional partilhada entre o rei e as Cortes bicamerais (Senado e Congresso).
- Religião católica como religião oficial do Estado, com garantia de liberdades em certa medida.
- Forma de governo parlamentarista, com poderes para o rei, incluindo direito de veto e participação na dissolução de Cortes.
- Sufrágio censitário como base do sistema eleitoral.
Essa Constituição visava mais a unidade nacional do que a partidária. Foi a estrutura legal que apoiou o bipartidarismo: o Partido Conservador e o Partido Liberal de Sagasta revezavam-se pacificamente no poder — o chamado sistema do turno.
Partido do turno
Turno partidário: O sistema de turnos na Espanha não era resultado de forte apoio popular; era frequentemente o rei quem decidia qual dos partidos deveria governar naquele momento, convocando eleições para forjar a maioria necessária. Havia manipulação eleitoral — uma falsificação sistemática das eleições — para assegurar a alternância prevista.
A figura do chefe local (o cacique) era determinante: pelo seu estatuto social e influência, moldava votos e resultados nas suas áreas. A democracia foi amplamente parodiada por esse sistema, devido à presença constante de fraude e conluio durante a Restauração. Esse mecanismo foi particularmente eficaz durante a regência de Maria Cristina, até a chegada à maioridade de Alfonso XIII.
Aspectos do reinado de Alfonso XII
Alfonso XII rapidamente conquistou a simpatia de parte da população, depois de pôr fim aos carlistas e ao conflito em Cuba. Concedeu o Estatuto Provincial a algumas regiões, bem como a Puerto Rico. O seu reinado caracterizou-se pela centralização e pelos trabalhos de codificação: Código Civil, legislação comercial, organização do Ministério Público e pela supressão dos foros bascos. O seu reinado foi curto; sucedeu-lhe como regente a sua esposa, Maria Cristina.
Perda das colónias e fim da Restauração
Perda das colónias: A perda das colónias foi um grande fracasso para a Espanha, afetando, entre outros aspetos, o abastecimento de matérias‑primas — como o algodão — para a indústria catalã. Pelo Tratado de Paris (1898), assinado após a guerra com os Estados Unidos, a Espanha perdeu Cuba e as Filipinas, marcando o fim da era da Restauração e desencadeando a crise de 1898.
Crise de 1898: a perda colonial lançou a Espanha numa profunda crise política, social e económica, que colocou em causa o sistema do turno e as estruturas políticas da Restauração.