A Restauração Espanhola: Crise, Corrupção e o Fim de um Sistema

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Uma coisa era a constituição formal do país, outra, a realidade social. Havia um fosso entre a Constituição de 1876, tecnicamente aceitável, e a realidade de uma Espanha em grande parte rural e analfabeta, o que levou a um mau funcionamento do sistema, que foi aproveitado pelas forças sociais para minar o estatuto constitucional.

O Mecanismo do Turnismo e a Fraude Eleitoral

Excluía-se uma relação de confiança necessária entre o casal: os tribunais e a Coroa. Pelo menos teoricamente, não se podia governar sem maioria na Câmara. Mas, na realidade, a mecânica do turnismo era outra, porque o sistema funcionava de cima para baixo: os partidos conservadores e liberais perdiam o poder por mútuo acordo ou desgaste interno. Isso gerou uma fraude nas eleições: o partido encarregado de formar um governo e convocar eleições sempre era o vencedor.

Caciquismo, Corrupção e as Sementes da Crise

No entanto, a chefia e as eleições simuladas, que eram preferidas, eram imorais e trouxeram consigo as sementes da crise da Restauração. Só a partir de 1898 é que os males do país seriam verdadeiramente considerados. O sistema de caciquismo favoreceu a imposição, por parte da administração central, de deputados pouco preocupados com a região, o que também levou a um poder arbitrário que facilitava o favoritismo, o clientelismo e a subordinação. A corrupção também foi uma prática natural.

O Nacionalismo Basco e Sabino Arana

O nacionalismo basco foi menos importante do que o catalão em sua fase inicial. Sabino Arana, figura muito católica e conservadora, teve no clero o seu principal apoio. Ele escreveu vários livros cujas linhas básicas eram a afirmação da tradição histórica basca, o catolicismo e a independência anti-espanhola. Em 1897, fundou o PNV.

Problemas Não Resolvidos e o Ponto de Viragem

Sem dúvida, o período de estabilidade económica representado pela Restauração permitiu o desenvolvimento do país, mas deixou por resolver dois grandes problemas: a distorção da vontade popular nas mãos do despotismo e as necessidades sociais da classe trabalhadora. O assassinato de Cánovas (1897) e o afundamento da frota nas águas do Caribe marcaram uma viragem na monarquia parlamentar.

A Perda de Cuba e Filipinas

Em novembro, Sigismundo Moret concedeu uma ampla anistia e um regime de autonomia para Cuba. O seu conteúdo, que visava estabelecer a igualdade absoluta entre os habitantes da península e das Antilhas, introduzir o sufrágio universal e uma constituição paralela, chegou demasiado tarde e apenas fez aumentar a força dos movimentos de independência e as exigências dos EUA. Ao mesmo tempo, nas Filipinas, foi assinado no final do ano o Pacto de Biac-na-Bató.

As Ambições dos EUA e o Canal do Panamá

Os EUA começaram a impor a sua dupla ambição de ter a “sua casa” – a América Central e o Caribe – livre de inimigos, e o domínio de ambos os oceanos, uma vez que controlavam o Canal do Panamá.

A Crise de 1898: Moral, Ideológica e Política

A Crise de 98 foi fundamentalmente uma crise moral e ideológica, que causou um grande impacto psicológico entre a população. Que colocou a sociedade num estado de deceção e frustração e também mostrou à imprensa estrangeira uma Espanha como uma “nação a morrer”, com um exército totalmente ineficaz, um sistema político corrupto e uma classe política incompetente.

O Fim da Restauração e as Consequências a Longo Prazo

A catástrofe de 1898 significou o fim do sistema da Restauração e o surgimento de uma nova geração que atuou durante o reinado de Afonso XIII. A política reformista pós-98 não conseguiu realizar as reformas profundas anunciadas. Em 1923, houve um golpe de Primo de Rivera e, em 1936, outro golpe militar que deu origem a uma ditadura que durou quase 40 anos.

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