Resumo e Análise da Obra Utopia de Thomas More
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RESUMO
O livro Utopia, escrito por Thomas More, baseia-se no relato de Rafael Hitlodeu. Rafael, desejando conhecer o mundo, uniu-se a Américo Vespúcio e foi seu companheiro em três das quatro viagens. Em sua última jornada, sem retorno, viajou com cinco companheiros por diversas partes do mundo. Rafael era um filósofo soberbo, mas nunca serviu a nenhum rei, pois sabia que seus conselhos jamais seriam levados em consideração; assim, temia perder tempo e correr o risco de se tornar corrupto antes de conseguir corrigir seus colegas. Ele acreditava que um filósofo nunca teria lugar nos assuntos públicos.
Rafael criticou as formas de punição usadas na Inglaterra, considerando que um ladrão não merece morrer apenas por roubar uma pequena quantia, pois a vida é de valor inestimável. Também discordou da injustiça e do desequilíbrio na sociedade, questionando por que banqueiros e ricos ociosos, que nada fazem além de se orgulhar de seu poder, vivem na opulência e no luxo, enquanto servos e camponeses trabalham arduamente como burros, colhendo os frutos e vegetais que nos dão a vida, sem os quais todos morreriam na miséria e doentes.
Ele começou a contar a história de Utopia para Thomas More, que estava muito ansioso para ouvir com atenção...
A ilha de Utopia é descrita como o lugar perfeito, com uma organização única nunca vista em outro lugar. Ninguém é dono de nada e não há propriedade privada; todos os habitantes vivem do que colhem. Absolutamente ninguém é excluído do trabalho; a ociosidade e a preguiça são vistas como repugnantes. Se uma família possui excesso de alimentos, estes são divididos entre os vizinhos.
A cidade mais importante de Utopia é Amaurota, localizada no centro, onde se situa a assembleia. Esta é composta por sifograntes (um membro por família), responsáveis por escolher um príncipe via voto secreto. O príncipe pode ser destituído se demonstrar sinais de tirania. Os sifograntes garantem que ninguém se entregue ao lazer excessivo; todos trabalham, mas não de forma exagerada, dedicando os períodos de descanso à música ou a exercícios de conversação. Em Utopia, não se conhecem jogos de azar. Quanto às vestimentas, usam linho e seda, mas apenas por sua brancura, sem dar valor à finura do tecido; todos se contentam com apenas uma peça que dura dois anos.
Nas relações mútuas, há grande respeito pelos idosos; as mulheres cuidam dos cônjuges e os filhos dos pais. Os utopistas não matam o gado; esse trabalho é feito por servos, pois é proibido que cidadãos se acostumem a matar seres vivos para não eliminar o sentimento de compaixão. O cuidado com os doentes é primordial: os hospitais são equipados com tudo o que é necessário e gasta-se o que for preciso para curar o cidadão.
Em Utopia, não há motivos para ociosidade: não existem tavernas, cervejarias ou bordéis. O ouro e a prata não têm valor monetário; são usados para contratar mercenários em caso de guerra ou para fabricar correntes e grilhões para escravos, fazendo com que esses metais sejam desprezados.
Os utopistas questionam como o homem pode se atrair pelo brilho de uma pedra ou dar valor a materiais inúteis como o ouro. Eles acreditam em Deus e na alma; para eles, a virtude é viver de acordo com a natureza, à qual somos guiados por Deus. O maior prazer para eles é a saúde, e os prazeres da alma nascem do intelecto e da busca pela verdade.
Por fim, os utopistas odeiam a guerra, considerando-a algo animalesco. Recorrem a ela apenas quando estritamente necessário, tentando não derramar sangue inocente. Frequentemente, oferecem recompensas pelas cabeças dos chefes inimigos para incentivar a traição entre eles e punir apenas os responsáveis.