Resumo de Periodontia: Conceitos e Terapias
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Sucesso ou insucesso da terapia periodontal: A terapia de manutenção e suporte é realizada para avaliar se a terapia inicial obteve sucesso satisfatório. A determinação do tempo para a consulta de manutenção vai variar de acordo com o grau de severidade e de extensão da doença periodontal, além da motivação do paciente para dar continuidade à higienização periódica e correta. Esse tempo pode variar de 3 a 6 meses.
Na consulta de manutenção, deve ser realizado um novo exame clínico periodontal, além de uma nova anamnese. Na anamnese, deve-se questionar se, durante o tempo decorrido até o retorno, o paciente desenvolveu alguma doença sistêmica, algum hábito nocivo, mudança em alguma medicação ou alteração na motivação para a higienização. O exame clínico periodontal irá abordar:
- Índice de Placa Visível (IPV): será observada a presença de placa bacteriana; este dado é importante para avaliar se o paciente está realizando corretamente a higienização bucal.
- Índice de Sangramento Gengival (ISG): será observado o sangramento gengival quando se passa suavemente a sonda pelo sulco gengival; este também avalia as condições de higienização do paciente.
- Nível de Inserção Clínica (NIC): sondar face a face de cada dente para avaliar se, após a terapia inicial, raspagem e alisamento radicular, houve ganho de inserção; avalia-se também se houve perda de inserção em dentes que não apresentavam doença periodontal.
- Profundidade de Bolsa (PB): sondar cada face do dente para avaliar se houve melhora ou aumento da profundidade de bolsa.
- Índice de Sangramento à Sondagem (ISS): durante o exame de NIC e PB, se houver sangramento à sondagem, é sinal de que existe um processo inflamatório nos sítios.
- Grau de Mobilidade: avaliar a mobilidade dos dentes já diagnosticados com mobilidade e observar se houve piora, manutenção ou melhora. Avaliam-se também os outros dentes para identificar se algum outro apresenta mobilidade.
- Grau de Furca: avaliar se houve mudança no grau de furca já identificado e se existem dentes com essa problemática.
Mediante os resultados do exame clínico periodontal, pode-se avaliar o sucesso ou insucesso da terapia inicial. Caso haja necessidade, solicita-se exame radiográfico para avaliação da perda óssea.
Funilização: consiste na remoção de osso da região de furca e regularização dos contornos nessa região, para que haja a comunicação de uma extremidade à outra no sentido horizontal, criando um funil. Caso seja necessário, realiza-se um rebatimento gengival para a região de furca. É colocado cimento cirúrgico para impedir que os tecidos moles preencham esse espaço durante o período de cicatrização. A funilização é realizada para que o paciente possa fazer uma melhor higienização, utilizando escova interdental para esse fim.
Hemissecção: divisão das raízes e da porção coronária no sentido vertical, separando o dente. É realizada em molares inferiores.
Amputação radicular: ressecção da raiz apical à região de furca, sem o comprometimento da sua porção coronária.
Peróxido de hidrogênio: libera oxigênio que neutraliza a proliferação de microrganismos anaeróbios.
Fluoretos: fornecem flúor ao meio bucal, promovendo a elevação do pH intrabucal e impedindo a proliferação e manutenção de microrganismos que necessitam de um meio ácido para sobreviver e se proliferar.
Osseointegração (Osteointegração): é a conexão estrutural e funcional direta entre o osso vivo e a superfície do implante sob efeito de carga funcional. Essa integração acontece quando o sítio receptor do implante apresenta tecido ósseo sadio, sem processo inflamatório e altamente vascularizado. Se o sítio receptor do implante não estiver inundado de sangue, não há osseointegração, pois as células mesenquimais indiferenciadas presentes no sangue e no tecido ósseo não irão se diferenciar em células ósseas para formar a trama óssea que envolve e se adere à superfície do implante. O material do implante deve ser biocompatível.
O trauma oclusal é o fator causal da doença periodontal? Não, ele é um cofator. O que causa a doença é uma série de fatores, tais como o hospedeiro suscetível, a presença de patógenos periodontais, entre outros. O trauma oclusal poderá agravar o quadro da doença, levando à perda óssea vertical e à mobilidade dentária, mas não é o fator causal primário.
Classificação do envolvimento de furca:
- Grau I: exposição da área de furca, não excedendo 1/3 da largura do dente.
- Grau II: exposição excedendo 1/3 da largura do dente, porém sem abranger a área total.
- Grau III: exposição de toda a área da furca, permitindo que a sonda a transpasse totalmente.
Nota: A classificação horizontal divide-se em graus I, II e III, enquanto a vertical divide-se em subgrupos A, B e C.
Osteoplastia: consiste em criar uma forma fisiológica do osso sem a remoção do osso de suporte (ex.: adelgaçamento de bordas ósseas espessas e estabelecimento do contorno festonado da crista óssea vestibular e lingual).
Osteotomia: procedimento no qual o osso de suporte é removido para que seja possível realizar o recontorno das deformidades causadas pela periodontite.
Objetivos da cirurgia periodontal:
- Proporcionar acesso adequado para raspagem e alisamento radicular;
- Eliminação de bolsas periodontais;
- Estabelecer uma morfologia gengival que facilite o controle de placa pelo paciente;
- Promover a regeneração da inserção periodontal destruída pela doença.
Indicações da gengivectomia:
- Excisão de bolsas periodontais;
- Tratamento de bolsas supraósseas com 3 a 5 mm de profundidade de sondagem (PS);
- Tratamento de bolsas supraósseas fibróticas;
- Recontorno de gengivas com morfologia anormal.
Osseocondução: migração de células osteogênicas para a superfície do implante.
Formação óssea: processo de mineralização da matriz na interface osso-implante.
Remodelação óssea: representa o dinamismo e a constante renovação do tecido ósseo.
Objetivo da Regeneração Tecidual Guiada (RTG): promover o crescimento celular a partir do ligamento periodontal, ao mesmo tempo que a proliferação de outros tecidos (especialmente o epitélio e o tecido conjuntivo da gengiva) é bloqueada.
Princípios básicos da RTG: os resultados obtidos dependem diretamente das fontes celulares que irão repovoar a superfície exposta da raiz.
O que deve ser observado na análise radiográfica periodontal?
- Altura do osso alveolar;
- Contorno da crista óssea;
- Largura do espaço periodontal;
- Presença de fatores irritantes locais;
- Determinação da distribuição e do padrão da perda óssea.
Quais são as limitações do exame radiográfico em periodontia?
- Não revela a presença de bolsas periodontais;
- Não diferencia um caso tratado de um não tratado;
- Não registra com precisão a morfologia tridimensional dos defeitos ósseos;
- Não registra a mobilidade dentária.