Resumo de Reumatologia, Enteroparasitoses e Asma
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Reumatologia Pediátrica e Doenças Sistêmicas
Artrite Idiopática Juvenil (AIJ): de etiologia desconhecida, cujo diagnóstico é clínico, com evolução superior a 6 semanas, que acomete pacientes com idade inferior a 16 anos. Classificação: a) sistêmica (febre alta, exantema, artrite, hepatoesplenomegalia/adenomegalia, pericardite/miocardite, pleurite, uveíte); b) poliarticular (envolve mais de 4 articulações, simétrica, febre baixa, hepatoesplenomegalia/adenomegalia, Fator Reumatoide positivo indica pior prognóstico); c) pauciarticular (até 4 articulações, acomete mais o joelho e o tornozelo, raramente apresenta manifestações extraarticulares, exceto uveíte). Diagnóstico: Hemograma completo, Provas de Atividade Inflamatória (VHS, proteína C reativa, mucoproteína, alfa-2 globulinas), Fator Reumatoide (FR), Anticorpo Antinuclear (AAN: positivo na forma pauciarticular e é sinal de aumento do risco de desenvolver iridociclite crônica).
Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): doença inflamatória multissistêmica crônica, associada à produção de anticorpos dirigidos contra vários componentes celulares. Quadro clínico: variado, com evolução podendo ser rápida e fatal (acometimento renal) ou insidiosa; febre, mal-estar, emagrecimento, fadiga. Manifestações: a) mucocutâneas (eritema em asa de borboleta); b) musculoesqueléticas (artrite transitória, migratória, não erosiva e não deformante; é comum necrose da cabeça do fêmur); c) cardíacas (pericardite, miocardite e endocardite verrucosa abacteriana); d) pulmonares (pleurite, derrame pleural, pneumonia intersticial e hemorragia pulmonar com risco de morte); e) psiquiátricas (psicose, distúrbios comportamentais, cefaleia, depressão, convulsão, coreia, neurite óptica, neuropatia periférica); f) renais (o acometimento é glomerular, nefrite lúpica podendo levar à insuficiência renal); g) hematológicas (anemia, leucopenia, plaquetopenia, distúrbios de coagulação); h) outras (dor abdominal, hepatoesplenomegalia/adenomegalia). Tratamento: AINH; corticoides (prednisona e metilprednisolona); hidroxicloroquina; imunossupressores citotóxicos (azatioprina, metotrexato, ciclofosfamida); gamaglobulina intravenosa (paciente grave).
Dermatomiosite Juvenil (DMJ): eritema característico em áreas expostas ao sol. Heliótropo: eritema violáceo periorbitário. Sinal de Gottron: coloração da pele sobre as articulações interfalangianas que podem ser hipertróficas e avermelhadas. Sinal de Gower: paciente não levanta sozinho, necessitando "escalar" o próprio corpo. Laboratório: ausência de sinais inflamatórios evidentes; aumento de enzimas musculares.
Púrpura de Henoch-Schönlein: escolar de 10 anos; púrpura com plaquetas normais, manifesta-se predominantemente em membros inferiores com petéquias e equimoses; a púrpura tem obrigatoriamente que ser palpável.
Doença de Kawasaki: Quadro clínico: idade inferior a 5 anos; febre por 5 dias ou mais; mucosite, exantema, linfadenopatia cervical, eritema e edema de extremidades, conjuntivite, arterite (risco de aneurisma das coronárias). Laboratório: trombocitose, leucocitose, eletrocardiograma (ECG). Tratamento: Ácido Acetilsalicílico (AAS) e Imunoglobulina intravenosa.
Enteroparasitoses
(Marcar quais foram abordadas em aula, pois devem ser as mais importantes, e talvez verificar dados de epidemiologia para facilitar caso caia em prova; há um slide com outras enteroparasitoses, avaliar a relevância).
Amebíase: Entamoeba histolytica. Localização: intestino grosso. Quadro clínico: colite (dor abdominal arrastada por cerca de 10 dias com diarreia), ameboma, apendicite, abscesso hepático, cerebral e pulmonar, peritonite. Diagnóstico: Exame Parasitológico de Fezes (EPF) e sorologia. Tratamento: metronidazol, secnidazol e tinidazol.
Giardíase: Giardia lamblia. Localização: duodeno, porção alta do jejuno. Quadro clínico: epigastralgia, má absorção, esteatorreia, diarreia persistente, desnutrição. Diagnóstico: EPF seriado (3 vezes), aspirado duodenal. Tratamento: metronidazol e secnidazol.
Ascaridíase: Ascaris lumbricoides. Localização: jejuno. Quadro clínico: fases larvárias (hepática e pulmonar); formas adultas (sintomas gastrintestinais inespecíficos, volvo, oclusão intestinal, colecistite, abscesso hepático, pancreatite, apendicite, peritonite). Diagnóstico: EPF, raio-X (imagem em miolo de pão), ultrassonografia. Tratamento: levamisol, mebendazol, albendazol.
Oxiuríase: Enterobius vermicularis. Localização: ceco e colo ascendente. Quadro clínico: prurido anal e vulvovaginite. Diagnóstico: swab anal e teste da fita gomada. Tratamento: mebendazol, pamoato de pirvínio e albendazol.
Ancilostomíase: Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Localização: duodeno e jejuno. Quadro clínico: anemia, pele (eritema, pápula e prurido); pulmão (tosse); intestino (hemorragia). Diagnóstico: EPF, avaliação de anemia e eosinofilia. Tratamento: mebendazol e albendazol.
Estrongiloidíase: Strongyloides stercoralis. Localização: duodeno, jejuno, colédoco, vesícula biliar, pulmão, pericárdio, encéfalo. Quadro clínico: epigastralgia com eosinofilia, urticária, crises asmatiformes. Diagnóstico: métodos de fezes (Baermann/Rugai), sangue (eosinofilia). Cuidados: atenção com drogas imunossupressoras. Tratamento: tiabendazol e ivermectina.
Tricuríase: Trichuris trichiura. Localização: ceco. Quadro clínico: fezes sanguinolentas, prolapso retal, diarreia crônica, cólica e anemia. Diagnóstico: métodos de Kato-Katz, MIFC e Faust. Tratamento: mebendazol e albendazol.
Teníase: Taenia solium e Taenia saginata. Localização: porção alta do jejuno. Quadro clínico: cólica, diarreia, anorexia, eliminação de proglotes, manifestações neurológicas; atenção para a cisticercose associada à Taenia solium. Diagnóstico: observação direta dos anéis. Tratamento: praziquantel.
Asma
Classificação quanto à intensidade da crise | Leve | Moderada | Grave |
Dispneia | Ausente ou leve, frases completas | Fala entrecortada, frases incompletas | Fala palavras ou frases curtas |
Consciência | Normal | Normal ou agitada | Pode estar reduzida |
Cor | Normal | Pálida | Pode haver cianose |
Uso de musculatura acessória | Ausente ou leve retração intercostal | Moderadas retrações intercostais, supraesternais e de ECOM | Retrações intercostais intensas, batimento de asas nasais (BAN), supraclaviculares e de ECOM |
Ausculta | Sibilos expiratórios | Sibilos inspiratórios e expiratórios | Sibilos inspiratórios e expiratórios, tórax silencioso |
Classificação quanto à persistência | Intermitente | Persistente Leve | Persistente Moderada | Persistente Grave |
VEF ou PFE | >80% | >80% | 60-80% | <60% |
Frequência | <2x/semana | ≥2x/semana, não diários | Diários, não contínuos | Contínuos |
Sintomas noturnos | <2x/mês | >2x/mês | >1x/semana | Frequentes |
Tratamento da crise: nebulizar com broncodilatador (salbutamol, fenoterol ou terbutalina) → aguardar resposta → se não melhorar, repetir a nebulização; se melhorar, liberar para casa com broncodilatador 3 a 4 vezes ao dia por 7 dias.