Revisão Sistemática vs. Scoping Review: Guia Prático
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Revisão Sistemática vs. Scoping Review: Definições e Diferenças
De acordo com Page e colaboradores (2021), uma Revisão Sistemática define-se como um método de investigação autónomo que adota procedimentos explícitos, metódicos, replicáveis e transparentes. O seu objetivo fundamental é coligir, avaliar criticamente e sintetizar os resultados de estudos empíricos para responder a uma questão claramente formulada, minimizando os enviesamentos e fornecendo conclusões robustas para guiar a prática psicológica. Dentro destes métodos, torna-se imperativo distinguir a Revisão Sistemática da Scoping Review, dado que servem propósitos científicos distintos.
Diferenças Metodológicas
A Revisão Sistemática possui um foco direcionado, procurando sumarizar a melhor evidência disponível sobre uma questão de investigação altamente específica e restrita, recorrendo a uma amostra de estudos mais reduzida e homogénea. Nesta abordagem, a avaliação crítica da qualidade metodológica e do risco de viés de cada artigo individual é um passo obrigatório. O seu resultado final visa produzir diretrizes claras para orientar a tomada de decisão prática ou clínica. Em contrapartida, a Scoping Review apresenta um caráter amplo e exploratório, tendo como objetivo mapear a extensão, o alcance e a natureza da literatura sobre um tema macro ou um conceito emergente, de forma a identificar lacunas na investigação. A sua amostra é tipicamente grande e heterogénea e, ao contrário da revisão sistemática, não realiza a avaliação da qualidade ou do risco de viés dos estudos incluídos, limitando-se a oferecer um panorama descritivo do estado da arte.
O Protocolo PRISMA
Para garantir a replicabilidade e a transparência do processo, os investigadores guiam-se por normas internacionais conhecidas como o guião PRISMA. Este protocolo operacionaliza-se em quatro fases mecânicas consecutivas:
- Identificação: Pesquisa inicial em bases de dados indexadas (como a Scopus ou a PsycINFO), utilizando palavras-chave e operadores booleanos.
- Triagem (Screening): Eliminação de artigos duplicados e leitura rápida de títulos e resumos para excluir investigações fora do âmbito.
- Elegibilidade: Leitura do texto integral dos artigos sobreviventes para aplicar critérios de inclusão e exclusão (geografia, faixas etárias, etc.).
- Inclusão: Fixação do número definitivo de artigos para a síntese final.
Meta-Análise: O Fecho Estatístico
Quando os estudos incluídos numa revisão sistemática são de natureza quantitativa e partilham características homogéneas, o investigador pode avançar para o fecho estatístico através de uma Meta-Análise. Esta técnica refere-se ao conjunto de métodos estatísticos utilizados para combinar e sumarizar numericamente os resultados de múltiplos estudos independentes que testam a mesma hipótese. A sua aplicação requer que as investigações avaliem os mesmos construtos e apresentem dados estatísticos suficientes, como médias e desvios-padrão. A grande vantagem da meta-análise reside no facto de tratar cada estudo individual como um "participante" de uma amostra gigante, calculando o tamanho do efeito global (effect size). Isto confere-lhe um poder estatístico muito superior ao de qualquer estudo isolado, permitindo inclusive resolver contradições quando os resultados de investigações anteriores se revelam opostos.
Exemplos Práticos na Psicologia da Educação
Para ilustrar a aplicação prática destes conceitos no domínio da Psicologia da Educação, podemos idealizar dois cenários distintos:
- Revisão Sistemática com Meta-Análise: A pergunta de investigação seria: "Qual é a eficácia dos programas de treino de competências sociais na redução do bullying em alunos do 2.º ciclo?". Selecionar-se-iam apenas ensaios controlados, aplicar-se-ia um protocolo estrito de avaliação de qualidade metodológica para medir o risco de viés e combinar-se-iam as médias estatísticas para extrair uma conclusão sobre a eficácia do programa.
- Scoping Review: A pergunta seria alargada para: "O que tem sido investigado sobre a convivência escolar no Ensino Básico?". O propósito passaria a ser puramente descritivo, visando mapear quais as metodologias mais utilizadas, as variáveis associadas e os países onde o tema é mais estudado, sem efetuar qualquer avaliação de qualidade ou pooling estatístico dos dados.