Revolta das Comunidades de Castela (1516–1521)
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Movimento Comunero
Em 1516, Carlos I, filho de Joana, a Louca e de Felipe, o Belo, e neto de Fernando e Isabel, os Reis Católicos, foi nomeado rei de Castela e Aragão. Imediatamente apresentou sua candidatura ao título de imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Foi eleito imperador em 1519 e apelou às Cortes das cidades de Castela para pedir recursos financeiros destinados a pagar as despesas de sua coroação imperial.
O aumento dos impostos levou a um descontentamento generalizado, e o levante passou a ser chamado de Comunidades de Castela.
As causas da rebelião foram as más colheitas e a fome que se seguiu no início do século XVI, além da insatisfação de algumas cidades pela hegemonia no comércio da lã — por exemplo, Burgos. Carlos I nomeou flamengos para cargos de alta administração, que desconheciam as características do país, substituindo espanhóis.
Uma vez eleito imperador, o rei reuniu-se nas Cortes de Santiago para solicitar um novo serviço (imposto) a fim de fazer frente às despesas de sua coroação imperial.
Em abril de 1520 a revolta eclodiu em Toledo, quando a Câmara Municipal, liderada por Juan de Padilla, se recusou a obedecer às Cortes. A multidão se levantou, tomou o castelo e depôs o magistrado. A rebelião espalhou-se para outras cidades de Castela; em maio de 1520, em Segóvia, a multidão executou funcionários e vereadores que haviam votado a favor do serviço solicitado pelo rei.
Pontos reivindicados pelos comuneros
- Reserva de cargos públicos para castelhanos;
- Proibição da saída de dinheiro do reino;
- Designação de um castelhano como governador na ausência do rei.
Eles convocaram uma reunião dos municípios rebeldes que ocorreu em agosto de 1520 e contou com a participação de Ávila, Toledo, Segóvia, Salamanca e Toro. Em Segóvia, sob a direção de Juan Bravo, ocorreu o primeiro confronto entre as tropas populares, reforçadas por milícias de Toledo e Madrid, e as tropas reais.
Em agosto de 1520, o governo ordenou a queima de Medina del Campo, e esse evento incentivou mais cidades castelhanas a apoiar a rebelião.
No final de agosto, as tropas populares dirigiram-se a Tordesilhas, onde encontrava-se Joana, a Louca. O evento reuniu representantes de 14 cidades. Os procuradores (representantes municipais) reuniram-se com a rainha Joana e o Conselho de Tordesilhas assumiu o governo.
Em 4 de dezembro o exército real saiu de Tordesilhas, o que levou à perda do apoio dos rebeldes à rainha Joana. Naquele mês, o rei Carlos I publicou o Édito de Obras, no qual condenou 249 moradores. Quem os apoiasse seria declarado traidor, infiel e rebelde.
Também nesse período, Antonio de Acuña fez uma expedição pelas cidades de Madrid até Consuegra. Em abril de 1521 apareceu em Zocodover, onde foi aplaudido pela multidão ao se reunir com María Pacheco, esposa de Juan de Padilla, que comandava a rebelião em Toledo.