A Revolução Liberal e a Constituição de 1812
A Revolução Liberal: Cortes de Cádiz e a Constituição de 1812
Simultaneamente à Guerra da Independência, ocorreu uma revolução liberal que buscou destruir as bases do Antigo Regime na Espanha. Tudo começou com a criação das Cortes de Cádiz.
1. Cortes de Cádiz (1808-1814)
As juntas provinciais patrióticas decidiram coordenar suas ações contra os franceses através da Suprema Junta Central. Esta convocou um parlamento nacional para assumir a representação do governo espanhol na ausência de Fernando VII. As Cortes reuniram-se em Cádiz, com deputados eleitos por homens maiores de 25 anos. O parlamento dividiu-se em dois grupos: os liberais, que queriam modernizar a Espanha, e os absolutistas, que defendiam a preservação do Antigo Regime. Ambos compartilhavam a luta contra Napoleão. As Cortes optaram pelo liberalismo, afirmando a soberania nacional, a divisão de poderes e a criação de uma constituição.
2. Mudanças Sócio-Econômicas
As Cortes iniciaram o desmantelamento do sistema feudal:
- Abolição dos privilégios da aristocracia e do clero.
- Legalização da sociedade de classes baseada na riqueza, não no nascimento.
- Abolição dos direitos senhoriais e da Inquisição.
- Proclamação da propriedade privada e do capitalismo.
- Legalização da liberdade de trabalho, comércio e indústria.
3. Constituição de 1812
A primeira Constituição espanhola foi um exemplo do liberalismo revolucionário, inspirada nas revoluções Francesa e Americana. Seus princípios incluem:
- Soberania Nacional: O poder reside na nação, não no Rei.
- Monarquia Parlamentar Liberal: O rei governa com as Cortes.
- Divisão de Poderes: Legislativo (Cortes), Executivo (Rei e governo) e Judiciário (tribunais).
- Cortes Unicamerais: Câmara única.
- Estado Confessional: O catolicismo é a religião oficial.
- Milícia Nacional: Corpo de voluntários civis para defender o Estado.
II. Reinado de Fernando VII (1814-1833)
a) Sexênio Absolutista (1814-1820)
Com o retorno de Fernando VII em 1814, absolutistas publicaram o Manifesto dos Persas, exigindo a revogação das reformas liberais. O rei restaurou a monarquia absoluta, agravando a crise social, a miséria econômica e a falência do Tesouro. O governo foi formado por amigos do rei, ineficazes para a Administração Pública. Houve repressão aos liberais, que passaram a conspirar através de sociedades secretas e pronunciamentos militares.
b) Triênio Liberal (1820-1823)
O pronunciamento de Rafael de Riego em 1820 forçou Fernando VII a restaurar a Constituição de 1812. A Inquisição foi banida e direitos feudais abolidos. Contudo, o liberalismo dividiu-se:
- Moderados: Defendiam mudanças lentas e acordo com setores privilegiados.
- Exaltados: Defendiam uma revolução radical e a limitação do poder real.
A oposição absolutista, composta por nobres, clero e camponeses, protagonizou revoltas contra o governo liberal.
c) Independência da América Latina (1808-1824)
As causas da independência incluíram:
- Insatisfação dos Criollos: Possuíam poder econômico, mas eram excluídos dos cargos políticos, reservados aos nascidos na Espanha.
- Liberdade Comercial: Desejo de romper o monopólio espanhol.
- Vácuo de Poder: A guerra na Península Ibérica permitiu a criação de juntas patrióticas americanas.
- Ideologia: Influência do Iluminismo e das revoluções Francesa e Americana.