A Revolução Russa: Do Czarismo ao Poder Bolchevique
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A Crise do Czarismo e o Caminho para a Revolução
Na Rússia, os czares exerciam o poder de forma autocrática, o que impediu a modernização política do país e manteve um regime com práticas absolutistas. No campo, os camponeses não possuíam terras suficientes para cultivar e as dívidas aumentavam devido à baixa produtividade. A nobreza possuía quase metade das terras cultiváveis.
Formaram-se dois grupos com opiniões distintas: os narodniks (que defendiam a Igreja Ortodoxa, ligada ao czarismo) e os nilistas (anticzaristas), que tiveram maior sucesso. Durante o governo de Nicolau II, a crise se agravou; o monarca insistiu em manter o governo centralizado, intensificando as revoltas camponesas.
O Surgimento do Partido Social-Democrata Russo
Foi fundado o Partido Social-Democrata Russo, composto por socialistas que divergiam sobre quem deveria liderar a Revolução:
- Partido: Defendia que a liderança deveria ser da estrutura partidária.
- Soviets: Defendiam que a Revolução deveria ser feita pelos trabalhadores.
O partido se dividiu em dois grupos:
- Mencheviques (minoria): Ortodoxos, seguiam a teoria marxista à risca. Acreditavam na necessidade de uma Revolução Burguesa antes da socialista, devido à estrutura feudal do país.
- Bolcheviques (maioria): Defendiam a transição direta para a Revolução Socialista.
O Ensaio Geral de 1905 e a Queda do Czar
Em 1905, a Rússia entrou em guerra com o Japão por interesses na Manchúria. Após a derrota russa, greves e manifestações aumentaram. O Domingo Sangrento — quando o exército abriu fogo contra uma multidão de manifestantes — mobilizou a população e forçou o Czar a convocar eleições para a Duma (parlamento russo). Contudo, ao perceber que a Duma criava leis que beneficiavam a burguesia e limitavam seu poder, o rei a dissolveu.
A burguesia, alinhada aos Mencheviques, e parte do exército apoiaram o golpe de Kerensky, que retirou o rei do poder. Para se manter, Kerensky buscou apoio político dos Bolcheviques. Este governo provisório permitiu o retorno de Lênin do exílio, que lançou as Teses de Abril: "Todo poder aos soviets", massificação da propaganda bolchevista, nacionalização dos bancos, controle das fábricas pelos operários, reforma agrária e paz.
A Ascensão Bolchevique
Após a demissão de Llov, Kerensky assumiu a chefia do governo e passou a perseguir os bolcheviques. Lênin fugiu e Trotski organizou a Guarda Vermelha. Em setembro, tropas fiéis ao antigo regime marcharam sobre Petrogrado, forçando Kerensky a pedir ajuda aos Bolcheviques. Enfraquecido pela insistência na guerra, o governo de Kerensky ruiu.
Em novembro, os Bolcheviques ocuparam pontos estratégicos de Petrogrado. Abandonado pelas tropas, Kerensky fugiu e os bolcheviques assumiram o controle do governo. Posteriormente, retiraram a Rússia da Primeira Guerra Mundial através do Tratado de Brest-Litovsk, firmado com as Potências Centrais.