A Revolução Russa e a Formação da URSS

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O Império Russo e o Czarismo

O regime político do Império Russo era a autocracia. O czar governava sem uma Constituição e não prestava contas a nenhum parlamento. O sistema sustentava-se na burocracia, em um grande exército e na Igreja Ortodoxa. A economia era predominantemente agrícola, baseada na propriedade comunal, na propriedade privada da nobreza e nos kulaks. As condições de vida dos camponeses eram extremamente pobres e, em algumas regiões, ainda persistia a servidão, apesar de sua abolição oficial. A agricultura era atrasada e de baixa produtividade. O capitalismo penetrou apenas em alguns centros urbanos, onde a indústria era altamente concentrada e contava com forte presença de capital estrangeiro. Surgiu também uma classe de trabalhadores industriais, composta por ex-camponeses que trabalhavam em grandes empresas sob baixos salários e condições precárias.

O Crescimento da Oposição e a Revolução de 1905

O crescimento da oposição e a agitação político-social aumentaram devido às más condições de vida e à corrupção na corte. As dificuldades econômicas foram agravadas pela Guerra Russo-Japonesa. Em janeiro de 1905, eclodiu um movimento revolucionário contra a opressão czarista e a injustiça social. Em São Petersburgo, uma manifestação em frente ao Palácio de Inverno foi violentamente reprimida pelo exército, no episódio conhecido como Domingo Sangrento. O movimento envolveu grupos de oposição política e o clero ortodoxo. Após a Revolução de 1905, realizaram-se reformas econômicas e políticas: a Duma (parlamento) foi convocada e o ministro Stolypin propôs uma reforma agrária.

A Rússia na Primeira Guerra Mundial

Com a guerra, a maioria das fábricas voltou-se para a produção bélica e o recrutamento de camponeses reduziu a produção agrícola. Os produtos tornaram-se escassos, os preços subiram e o poder de compra diminuiu significativamente, gerando fome generalizada. As derrotas militares contra a Alemanha, causadas por um exército mal preparado, resultaram em alta mortalidade. Isso gerou críticas severas ao governo e novas manifestações. A situação revolucionária foi desencadeada novamente, levando a uma revolução maior que a de 1905.

A Queda do Czar

O primeiro episódio revolucionário ocorreu em fevereiro de 1917, quando grupos populares exigiram o fim da guerra e melhorias sociais. Em 23 de fevereiro, iniciou-se uma grande manifestação em Petrogrado, culminando em uma greve geral no dia 27. Formaram-se os sovietes (conselhos de trabalhadores e soldados), que tiveram grande importância. Diante da pressão, o czar abdicou. A Duma assumiu um papel central e impôs um governo provisório chefiado pelo príncipe Lvov. O novo governo prometeu reformas e convocou uma Assembleia Constituinte, mas optou por manter a Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Dualidade de Poderes

O governo de Lvov enfrentava a pressão do movimento popular pelo fim da guerra. Lenin argumentava que a revolução deveria superar a fase liberal-burguesa e tornar-se uma revolução proletária, defendendo a tomada do poder pelos sovietes. Lvov foi substituído por Kerensky, que perseguiu os bolcheviques. Em agosto de 1917, houve uma tentativa de golpe militar pelo general czarista Kornilov. Kerensky venceu com o apoio dos sovietes e dos bolcheviques. Fortalecidos, os bolcheviques, sob liderança de Lenin e Trotsky (que controlava o Soviete de Petrogrado), planejaram a insurreição armada.

Os Dias Revolucionários

No verão de 1917, o Partido Bolchevique foi banido e Lenin exilou-se. Contudo, os sovietes, bolcheviques, mencheviques e esseristas planejaram a insurreição com apoio da Guarda Vermelha. Em 25 de outubro, forças ocuparam locais estratégicos na capital. O assalto ao Palácio de Inverno foi decisivo; o exército recusou-se a disparar contra o povo. Kerensky fugiu e o governo caiu. A revolução expandiu-se rapidamente para Moscou e outros centros industriais.

Primeiras Medidas Revolucionárias

O Segundo Congresso dos Sovietes formou o Conselho de Comissários do Povo, liderado por Lenin. Estabeleceu-se o socialismo revolucionário com as seguintes medidas:

  • Transição das terras para os camponeses;
  • Controle operário em empresas com mais de cinco funcionários;
  • Nacionalização dos bancos;
  • Abolição do exército czarista.

O governo reconheceu o direito à autodeterminação dos povos e assinou o Tratado de Brest-Litovsk, selando a paz com a Alemanha.

Guerra Civil e Comunismo de Guerra

Defensores do antigo regime (Exército Branco) iniciaram uma resistência armada contra a Rússia Vermelha. Os brancos, apoiados por potências estrangeiras, lutaram contra o Exército Vermelho, organizado por Trotsky. A guerra civil causou miséria e fome. O czar Nicolau II e sua família foram executados em Ecaterimburgo. Em 1921, o Exército Vermelho saiu vitorioso. Durante o conflito, adotou-se o Comunismo de Guerra, com o Estado controlando toda a economia para sustentar o esforço militar.

Consolidação Bolchevique e Formação da URSS

A Assembleia Constituinte foi dissolvida logo em sua primeira reunião. O Partido Bolchevique (rebatizado como Partido Comunista) centralizou o poder no Politburo. O Secretário-Geral tornou-se o chefe de Estado. Em 1922, foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), consolidada pela Constituição de 1924. O poder legislativo cabia ao Congresso dos Sovietes, enquanto o executivo era exercido pelo Presidium e pelo Conselho dos Comissários do Povo.

A Nova Política Econômica (NEP)

Com a economia em colapso e revoltas como a de Kronstadt (1921), Lenin propôs a NEP. Tratava-se de uma economia mista, permitindo pequena propriedade privada e trocas de mercado ao lado de setores socializados. A NEP recuperou a economia até 1926, mas gerou tensões sociais e debates internos no partido sobre a velocidade da socialização da produção.

A Criação da Terceira Internacional

Em 1919, fundou-se em Moscou a Terceira Internacional (Comintern) para promover a revolução proletária mundial. Isso causou divisões no socialismo mundial, levando à criação de diversos partidos comunistas que aderiram às 21 condições estipuladas em 1920, baseando-se na nova concepção do Marxismo-Leninismo.

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