Revoluções Americana e Francesa: Causas e Consequências

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A Revolução Americana

Antecedentes: Um Conflito Económico entre a Metrópole e as Colónias

Os conflitos entre as colónias americanas e a Inglaterra intensificaram-se após a Guerra dos Sete Anos, uma vez que o governo inglês, na tentativa de recuperar as suas finanças, tomou um conjunto de medidas que provocaram um sentimento de revolta entre as colónias. Entre essas medidas está o aumento dos impostos sobre o selo, o chá, o açúcar, vidro, chumbo, papel e outros produtos coloniais. As colónias inglesas foram ainda obrigadas a suportar despesas militares da Inglaterra na América e viram recusado o pedido de representantes no Parlamento britânico.

A Reação das Colónias: da Contestação à Independência

Os colonos americanos não se encontravam representados no Parlamento. Tais circunstâncias faziam os impostos votados parecer ilegais e ameaçadores; esta foi a conclusão a que chegou o Stamp Act Congress, que contou com a presença de delegados de nove colónias. Aí se proclamou que aos cidadãos ingleses, residentes ou não na Inglaterra, não lhes poderia ser imposta qualquer contribuição que não tivesse sido aprovada pelos seus representantes. Posteriormente, nalguns portos na América, os comerciantes boicotavam as mercadorias inglesas, favorecendo a entrada, por contrabando, de mercadorias estrangeiras. Os “Filhos da Liberdade” obrigavam os vendedores de papel de selo à demissão. O governo de Londres revogou, então, as taxas, à exceção da do chá, cujo monopólio de venda foi concedido à Companhia das Índias, privando os americanos dos lucros de transporte e revenda do produto.

Este vasto movimento de protestos culminou com o Boston Tea Party, em 1773. O rei ordenou o encerramento do porto de Boston e a ocupação da cidade. A repressão fez surgir um sentimento de solidariedade que se tornaria uma consciência nacional. Ao contrário do primeiro Congresso de Filadélfia, agora, todo um dispositivo revolucionário se organizou: comités de correspondência, milícias e treino militar. O objetivo era a independência e a construção de uma sociedade mais democrática.

A revolução teve início em abril de 1775, em Lexington. Thomas Paine, com a obra Senso Comum, virou a opinião americana contra o monarca. Em 1776, Thomas Jefferson redigiu a Declaração da Independência.

A Criação da República Federal dos Estados Unidos

Entre 1776 e 1783, os Estados Unidos enfrentaram a Inglaterra na Guerra de Independência, comandados por George Washington. Em 1783, a Inglaterra reconheceu a independência com o Tratado de Versalhes. A Constituição de 1787 determinou a criação de uma República federativa e presidencialista, com três poderes independentes: executivo, legislativo e judiciário.

A Revolução Francesa

A França nas Vésperas da Revolução

Uma Sociedade Anacrónica

Os franceses viviam num regime social profundamente injusto e desigual. A sociedade de ordens do Antigo Regime privilegiava a nobreza e o clero:

  • Nobreza: Detinha rendas da posse de terras, cargos ministeriais, diplomáticos e militares.
  • Clero: Possuía 10% das terras mais ricas, recebia a dízima e não pagava impostos.
  • Terceiro Estado: Representava a maioria da população (incluindo camponeses e burguesia), suportando pesadas cargas tributárias.

A burguesia, instruída e influenciada pelos ideais iluministas, contestava os privilégios do nascimento e a exclusão dos altos cargos públicos.

A Conjuntura Económico-Financeira

Em 1789, apesar da prosperidade comercial, a França enfrentava uma crise de subsistência devido a más colheitas e um défice crónico nas finanças públicas, agravado pelos gastos da corte e guerras. A isenção fiscal dos privilegiados impedia a recuperação económica.

A Inoperância do Poder Político

Luís XVI tentou reformas fiscais, mas foi bloqueado pela nobreza. A convocação dos Estados Gerais em 1789, com a elaboração dos Cadernos de Queixas, revelou o descontentamento geral e o desejo de uma monarquia constitucional.

Da Nação Soberana ao Triunfo da Revolução

O Terceiro Estado, ao reivindicar o voto por cabeça, formou a Assembleia Nacional Constituinte. A 14 de julho de 1789, a Tomada da Bastilha marcou o início da queda do absolutismo. Seguiu-se a abolição dos direitos feudais, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e a Constituição de 1791, que estabeleceu uma monarquia constitucional baseada no sufrágio censitário.

A Obra da Convenção

Com a queda da monarquia em 1792, a Convenção proclamou a República. O período foi marcado pela disputa entre Girondinos (moderados) e Montanheses (radicais, liderados por Robespierre). Sob a pressão dos sans-culottes, o governo revolucionário instaurou o "Terror", centralizando o poder, fixando preços e reprimindo opositores, até à queda de Robespierre no 9 do Termidor.

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