Rigor mortis e contração muscular: tipos e controle

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Rigor mortis

Rigor mortis ocorre quando os músculos se tornam rígidos por algumas horas após a morte. Isso acontece porque as células musculares ficam sem ATP e não conseguem bombear o cálcio de volta para o retículo sarcoplasmático. Ao sair do retículo, os íons cálcio se ligam a proteínas acessórias e permitem a formação de pontes cruzadas; sem ATP não há relaxamento ativo. Assim, embora não exista contração ativa, as pontes cruzadas persistem, impedindo que os músculos se estiquem. O rigor mortis desaparece 15 a 20 horas depois, quando as células musculares começam a se degradar.

Controle nervoso da contração do músculo esquelético

O sistema nervoso controla a contração do músculo esquelético. Neurônios motores ativam sinapses especializadas chamadas junções neuromusculares. O sistema nervoso regula a força e o grau de contração muscular controlando (1) o número de fibras musculares que são estimuladas e (2) a frequência dos potenciais de ação em cada fibra. Isso significa que um único potencial de ação não faz uma célula muscular contrair-se completamente: é necessária uma série de potenciais de ação, um após o outro, para gerar uma contração sustentada.

Quase todos os neurônios motores fazem sinapses sobre um grupo de fibras musculares; esse conjunto é chamado unidade motora. O número de fibras musculares por unidade motora varia conforme o músculo e a precisão do movimento que ele executa.

Músculo cardíaco

O músculo cardíaco é encontrado apenas no coração, é espontaneamente ativo e apresenta estriações ao microscópio. Assim como no músculo esquelético, a contração cardíaca é induzida quando um potencial de ação atinge a célula através dos túbulos T e provoca a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático; entretanto, o cálcio extracelular também contribui para a resposta contrátil.

Essas contrações podem iniciar-se por si próprias: nas fibras especializadas do nó sinoatrial, essa propriedade confere a função de marcapasso ao coração. Os potenciais de ação se espalham rapidamente pelo miocárdio por meio das ligações intercaladas e das junções comunicantes, que permitem a passagem direta do potencial entre células e a sincronização das contrações.

Músculo liso

O músculo liso não apresenta estriações como os outros tipos musculares. Ele reveste as paredes do trato digestório, grandes vasos sanguíneos e outros órgãos, produzindo contrações lentas e sustentadas que são involuntárias. O músculo liso não possui sarcômeros; suas células podem estar conectadas por junções comunicantes em algumas regiões, o que permite contrações sincronizadas.

O retículo sarcoplasmático do músculo liso é menos desenvolvido, de modo que o cálcio necessário para a contração frequentemente entra do fluido extracelular durante um potencial de ação. A contração do músculo liso pode ser iniciada por estiramento, por hormônios, por sinais nervosos ou por combinações desses estímulos.

Resumo dos mediadores da contração

  • ATP: necessário para o relaxamento e para a atividade das pontes cruzadas.
  • Cálcio: desencadeia a formação de pontes cruzadas em todos os tipos de músculo.
  • Retículo sarcoplasmático e túbulos T: fontes e vias de liberação de cálcio, especialmente no músculo esquelético e cardíaco.
  • Sistemas de acoplamento: junções neuromusculares, ligações intercaladas e junções comunicantes são essenciais para o controle e a sincronização.