Romanização nas Províncias: Cidades, Exército e Autoridades

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As Cidades

Quer fossem de origem militar, quer povoadas por emigrantes da Península Itálica em busca de uma vida melhor, as colónias tornaram-se um importante núcleo de desenvolvimento e de romanização, tendo contribuído fortemente para a aculturação dos povos locais. No nosso território, eram colónias Beja e Santarém.

Como o seu povoamento resultava de um grupo de verdadeiros romanos, as colónias tinham direitos e privilégios iguais aos de Roma; eram cidades de direito romano e os seus cidadãos usufruíam da cidadania plena. Um degrau abaixo ficavam os municípios. Os municípios eram povoações ou cidades pré-existentes que os romanos distinguiam com privilégios e se tornavam, por isso, ativos focos de romanização. Aos municípios era, geralmente, concedido o direito latino, mas, a título excepcional, podiam obter o direito romano, equiparando-se, neste caso, aos habitantes das colónias.

De qualquer forma, o estatuto de munícipe era sempre um estatuto invejado, tanto mais que estas cidades gozavam também de grande autonomia administrativa; isto é, possuíam instituições de governo próprias, muito semelhantes às de Roma: um conselho de notáveis, a Cúria, que correspondia ao Senado, e um corpo de magistrados que percorria, igualmente, uma carreira das honras.

O processo de extensão progressiva da cidadania completou-se, como sabemos, em 212 d.C., quando o imperador Caracala transformou em cidadãos todos os homens livres do Império.

O Exército

O exército foi outro importante veículo de romanização. Os legionários contactavam de perto com os habitantes locais e alguns estabeleciam-se definitivamente nas províncias. A participação de provinciais no exército, contratados como auxiliares, atuou no mesmo sentido. Depois de licenciados, quando regressavam à sua terra natal, esses elementos desempenhavam um importante papel como divulgadores da cultura romana.

Ação das Autoridades Provinciais

Sob o domínio romano desenharam-se quadros administrativos eficazes que persistiram durante séculos, resistindo mesmo à queda do Império. As autoridades romanas, fossem elas governadores de província ou simples magistrados urbanos, tiveram uma ação relevante na aculturação dos povos dominados.

Embora, em alguns casos, tivessem imposto pela força novas formas de viver, de um modo geral as autoridades romanas mostraram uma atitude de tolerância e respeito pelos nativos, que puderam preservar os seus costumes. Esta atitude, que estabeleceu um clima de paz e confiança, foi muito positiva para o processo de romanização, já que favoreceu a atração das populações pela civilização romana, à qual foram aderindo de forma gradual.

Para acelerar este processo, as autoridades romanas não só fundaram escolas como souberam atrair os filhos dos chefes indígenas, que foram educados à maneira romana. Assim se criaram elites locais, constituídas por aqueles que, tendo nascido na Hispânia, ardiam de desejo de se tornarem verdadeiros romanos.

  • Instituições municipais: Cúria (conselho de notáveis) e corpo de magistrados.
  • Direitos: direito romano (nas colónias) e direito latino (nos municípios).
  • Veículos de romanização: cidades, exército e ação administrativa provincial.

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