O Romantismo e o Pós-Romantismo na Espanha

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O Movimento Romântico e a Valorização do Sentimento

O movimento romântico, em oposição à importância atribuída à razão, assumiu a emoção e o sentimento; contra a dimensão social, o indivíduo; e contra as regras, a liberdade de conduta e de criação. O Romantismo desenvolveu-se no século XIX como a culminação de tendências em oposição aos pressupostos racionalistas do Iluminismo. Este movimento nasceu na Grã-Bretanha e na Alemanha, e logo se espalhou pela Europa via França.

A Liberdade e o Individualismo

Os autores românticos reivindicaram a liberdade em todas as esferas: liberdade política, em defesa de um Estado liberal; liberdade moral, admirando personagens marginalizados que vivem de acordo com suas próprias regras; e liberdade artística, que, em oposição às regras, valorizava o gênio e a capacidade do artista romântico de criar obras originais e únicas. O individualismo romântico reivindica o ser humano como um indivíduo específico, e a exaltação da subjetividade (o "eu") surgiu como a fonte de todo o trabalho criativo. Ao escapar pelo irracionalismo, o Romantismo rebelou-se contra a sociedade da época, que cerceava a liberdade do indivíduo.

O Romantismo na Espanha

O Romantismo chegou à Espanha pelas mãos de intelectuais liberais e desenvolveu-se em duas fases: uma primeira fase propriamente romântica e um segundo estágio chamado de Pós-Romantismo. A partir de 1830, o Romantismo espanhol desenvolveu-se em duas tendências:

  • Autores de ideologia liberal: centrados na crítica social. As figuras mais proeminentes foram José de Espronceda na poesia, Duque de Rivas no teatro e Mariano José de Larra em prosa.
  • Autores de ideologia tradicional e conservadora: o maior representante foi José Zorrilla, que retomou os personagens e as histórias da tradição espanhola em seus textos.

O Pós-Romantismo e a Poesia Intimista

Na segunda metade do século XIX, a influência alemã (representada por autores como Heinrich Heine) resultou em uma poesia mais intimista, baseada na expressão de emoções e sentimentos que refletem a natureza. Os expoentes dessa fase foram Gustavo Adolfo Bécquer e Rosalía de Castro.

Gustavo Adolfo Bécquer

Embora não muito extensa, a produção lírica de Bécquer é o ponto de partida da poesia espanhola moderna. Sob o título Rimas, reúnem-se 79 composições, muitas das quais não foram editadas durante sua vida. As Rimas são caracterizadas pela sua brevidade, intimidade e musicalidade. São monólogos e diálogos construídos por Bécquer e direcionados a um "você", normalmente uma mulher. Estilisticamente, caracterizam-se pelo uso de ritmos variados, uma linguagem comum e o uso de metáforas retiradas da poesia da natureza. Uma série de rimas é dedicada ao mistério da criação poética; outras focam na história de amor, desde a ilusão do encontro até a indiferença e a separação final, envolvendo a dor existencial e a reflexão sobre a morte.

Rosalía de Castro

A autora desempenhou um papel fundamental no renascimento da literatura escrita em galego. Em Cantares Gallegos, ela usa formas populares para evocar os costumes de sua terra e tratar de questões sociais, como a imigração, com um tom vingativo. Follas Novas, também composto em galego, reflete emoções pessoais e a evocação de sua terra. Em En las orillas del Sar, seu último livro de poemas escrito em castelhano, a paisagem e o "eu" compartilham sentimentos. O uso de um ritmo staccato reflete a mente atormentada da autora, focalizando os sentimentos de solidão e morte.

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