Rousseau: Estado de Natureza e Sentimentos Básicos
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Estado de Natureza e Sentimentos Básicos
O pensamento de Jean-Jacques Rousseau é marcado por uma antítese: a antítese entre a natureza "original" do homem e a corrupção da sociedade moderna. Seu principal objetivo será o de distinguir claramente o que é original no ser humano. Para atingir este fim, ele produz a hipótese do estado de natureza. Destina-se a descrever o ser humano recém-saído da natureza, sem qualquer influência social ou cultural.
Esse estado de natureza deve ser entendido como uma história hipotética, que permite separar o que é original e o que é artificial na natureza social do homem. Para este tipo originário de seres humanos, oferecemos um sincero ato de introspecção sobre as mais simples operações da alma. Identificam-se dois sentimentos básicos: amor-próprio e piedade (misericórdia), além de duas características da natureza humana: a liberdade e a perfectibilidade.
Sentimentos Básicos:
- 1) O amor-próprio: Podemos traduzir como auto-preservação. O indivíduo, quando sai da natureza, possui apenas um instinto de sobrevivência guiado pelo amor em si. Por outro lado, o surgimento do amor-próprio (vaidade) é uma consequência da sociedade.
- 2) A piedade: Sentimento natural e universal do homem que o faz identificar-se com o sofredor; é caracterizada por uma repugnância inata ao sofrimento dos outros.
O estado de natureza deve ser concebido como a fase inicial do homem, governada pelos instintos mais básicos e carente de razão e moralidade. Enquanto o homem natural era unido, livre e feliz, o homem moderno é escravo e infeliz, vivendo classificado por necessidades sociais e pessoais. Este corpo de conflitos pretende ser a trilha principal da infelicidade. Em última análise, o objetivo de Rousseau é conhecer o homem em sua própria essência, sem a cultura acrescentada, e a partir deste conjunto original estabelecer as bases legítimas da sociedade política que restaurem a igualdade do estado de natureza.
Liberdade e Perfectibilidade
Estas são as duas características fundamentais da natureza humana:
- Liberdade: O homem tem liberdade na natureza. Enquanto os animais são submetidos aos ditames da natureza — de modo que não podemos dizer que são agentes morais devido à falta de requisitos básicos como razão e liberdade, sendo seres amormais — o homem é exatamente o contrário: o homem é livre. A peculiaridade do comportamento humano é que ele pode ser o resultado da escolha e da liberdade, e é por isso que o homem é um agente moral. Desde que o homem é livre para escolher suas ações, ele é responsável por elas, uma condição fundamental para qualquer agente social.
O conceito de liberdade possui usos diferentes:
- Liberdade natural: A capacidade do ser humano para escolher.
- Liberdade moral: A habilidade de determinar seu próprio comportamento de acordo com princípios que superam os próprios instintos.
A segunda característica é a Perfectibilidade: É uma característica da natureza humana que permite que a espécie desenvolva as qualidades que faltam no estado de natureza. É uma qualidade específica do homem que lhe permite mudar e construir capacidades que no estado de natureza eram inexistentes; é a base do progresso.