San Juan de la Cruz e a Literatura do Século XVI

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San Juan de la Cruz (1542-1591)

Vida: De família humilde, ele estudou filosofia e teologia na Universidade de Salamanca como carmelita. Por sua admiração por Santa Teresa de Jesus, tornou-se um dos Carmelitas Descalços, dedicando-se a fundar novos conventos. Ele escreveu poemas sobre suas experiências religiosas. Santa Teresa sugeriu que ele escrevesse alguns comentários sobre sua obra para esclarecer o significado da poesia. Ele foi preso sob a acusação de suspeita pela renovação religiosa realizada pelos descalços.

Experiência Poética: A poesia mística da união da alma com a divindade (êxtase místico) de João e Teresa é central, pois o tema principal é a expressão da experiência religiosa. Para obter a união entre a alma e a divindade, é necessário seguir o caminho da purificação ascética da alma através do sacrifício, da oração e do desprendimento das vaidades do mundo. O ascetismo é uma forma que todo o cristianismo deve seguir.

A Poesia de São João da Cruz

O trabalho foi publicado em 1618. Como circularam manuscritos de seu trabalho, existem numerosas variantes dos textos. Sua primeira poesia muitas vezes utiliza poemas de amor tradicional, conferindo-lhes um sentido religioso (poesia ao divino). São poemas de amor cujo protagonista é um pastor.

A poesia mais original reflete sua experiência mística. A linguagem é insuficiente para transmitir este tipo de experiência, sendo expressa através de símbolos. Suas principais obras poéticas são:

  • Noite Escura da Alma
  • Cântico Espiritual
  • Chama Viva de Amor

Escritas em liras, refletem o caminho para a união com Deus e o prazer que isso traz. Noite Escura da Alma conta como uma jovem sai secretamente para se render ao seu amante. Cântico Espiritual é um diálogo de amor entre marido e mulher (ou o pastor e a pastora a quem ela procura até encontrar). Os símbolos transmitem as sensações experimentadas no processo de união com o divino e o êxtase final. Chama Viva de Amor é um hino à alegria da união mística. A obra em prosa explica o significado dos poemas.

Estilo: Nova linguagem poética através de símbolos que se originam na linguagem do amor humano, na Bíblia e na natureza. A linguagem expressiva é muito emocional e intensa; há muitas exclamações, aliterações e enumerações. Ele utiliza contrastes e antíteses, assimilando várias influências.

Renascimento: A Prosa e o Drama

A Narrativa do Século XVI

No século XVI, coexistem duas tendências narrativas: os romances idealistas (romances sentimentais, pastoris, bizantinos e mouriscos) e o romance realista (manifestado no romance picaresco). A narrativa culmina na obra de Cervantes.

O Romance Idealista: Os mais bem-sucedidos no século XVI são:

  • O romance de cavalaria: Coloca a ação na Idade Média, com um herói que representa o modelo de honra. Destaca-se: Amadis de Gaula.
  • O romance pastoral: Épico que conta histórias de amor entre pastores em um cenário bucólico. Inspirado em Virgílio e na Arcádia de Sannazaro. Destacam-se: Os Sete Livros da Diana (Jorge de Montemayor) e Galatea (Cervantes).
  • O romance bizantino: Narra aventuras de um par de amantes de alta linhagem. Combina a história de amor com inúmeras aventuras: viagens, sequestros, naufrágios e separação, geralmente com um final feliz.
  • O romance mourisco: Desenvolve a ação em um mundo muçulmano idealizado, com exotismo, refinamento e cor.
  • O romance sentimental: Trata de um amor infeliz que termina com a morte de um personagem (ex: Cárcel de Amor).

O Romance Realista: Antecipa o movimento cultural da sociedade burguesa do século XIX, que já não apreciava a fantasia e o idealismo romântico. Suas principais características são: monitoramento e descrição precisa da realidade, localização próxima aos fatos, crítica social e política frequente, com um estilo simples e sóbrio.

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