Santo Tomás de Aquino: Filosofia, Fé e Razão
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Contexto Histórico, Sociocultural e Filosófico
Santo Tomás de Aquino é um pensador do século XIII, período marcado pelo ressurgimento da Europa, impulsionado pelo crescimento das cidades, do comércio e pela fundação das primeiras universidades. Apesar dessas mudanças, a estrutura social permanecia feudal, embora em transição devido à ascensão da burguesia.
Historicamente, é um período de ideal de cristianismo universal, favorecido pelo intercâmbio cultural entre o mundo islâmico e o cristão, provocado pelas Cruzadas e pelos trabalhos da Escola de Tradutores de Toledo. As obras de Aristóteles foram introduzidas no Ocidente, influenciando o desenvolvimento filosófico da Escolástica. Tais obras foram assimiladas pelos pensadores cristãos, tanto na versão radical do averroísmo latino quanto na versão moderada, compatível com as questões de fé, proposta por Aquino.
Razão e Fé
Santo Tomás afirma que a verdade é única, mas pode ser alcançada de duas maneiras: pela razão e pela fé. A razão conhece a partir dos dados dos sentidos, enquanto a fé baseia-se na revelação divina. Portanto, ambas são independentes.
- Verdades de fé: Excedem a capacidade da razão humana, são estudadas pela teologia e devem ser aceitas por emanarem de Deus.
- Verdades da filosofia: Podem ser entendidas pela mente humana e são racionalmente demonstráveis.
Existe uma confluência entre fé e razão (como na imortalidade e na criação), onde a teologia utiliza a razão para conhecer a verdade (teologia natural). A filosofia está a serviço da teologia; como a verdade é única, a filosofia não pode apresentar conclusões incompatíveis com a fé.
As Cinco Vias
Para demonstrar a existência de Deus, Santo Tomás propõe as Cinco Vias, que compartilham uma estrutura comum: 1) Partida da experiência; 2) Aplicação do princípio da causalidade; 3) Negação de uma série causal infinita; 4) Conclusão de um ser original. As vias são:
- Movimento: Do movimento no mundo ao primeiro motor imóvel.
- Causalidade eficiente: Das causas subordinadas à primeira causa incausada.
- Contingência: Dos seres contingentes ao primeiro ser necessário.
- Graus de perfeição: Dos graus de perfeição no mundo ao ser infinitamente perfeito.
- Ordem cósmica: Da ordem e propósito no mundo a uma inteligência ordenadora primeira.
Essência e Existência
Para resolver o problema da criação, Tomás distingue essência (natureza ou possibilidade) de existência (ato de ser). Em Deus, essência e existência coincidem. Nos seres contingentes, a essência não implica existência; eles recebem a existência como um ato criado por Deus.
Antropologia
Tomás defende a imaterialidade do intelecto (alma), mas, nos seres humanos, o entendimento está ligado a um corpo material. Esta é uma união substancial, conforme a teoria hilemórfica de Aristóteles. O conhecimento começa pelos sentidos: a inteligência extrai conceitos universais a partir de dados da percepção sensível através da abstração.
A percepção sensível armazenada na memória é chamada por Tomás de "fantasma". O intelecto atua sobre esses fantasmas para extrair o universal, tornando possível o conhecimento conceitual.