Sátira e Crítica Social no Portugal de D. João V

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A sátira e a crítica social estão presentes ao longo de toda a narrativa, muitas vezes aliadas à ironia e ao sarcasmo. Nesta obra, ninguém é poupado; por isso, critica-se o rei e a rainha, o nobre e o plebeu, o patriarca e o frade, o adultério e a corrupção de costumes, a repressão da Inquisição exercida sobre o povo, mas também este é criticado porque se diverte nos autos de fé, dançando à volta das fogueiras. Deste modo, traça-se magistralmente uma caricatura da sociedade portuguesa de Setecentos.

A figura real evoca o esplendor do Portugal Joanino nas suas diferentes facetas:

  • Política absolutista;
  • Opulência financeira;
  • Apoio às Ciências e às Artes;
  • Desenvolvimento das Ciências e das Reformas iluministas no ensino e na cultura;
  • Criação de academias;
  • Fundação de bibliotecas;
  • Papel dos estrangeirados;
  • Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão: experiências aeronáuticas.

Também, e em contraste com o esplendor, são mencionadas as sombras do Portugal Joanino, visíveis nos profundos contrastes sociais, de onde se destacam a prepotência do rei, a opulência, a má administração do reino, a vida escandalosa do monarca e o poder temível da Inquisição exercido nos autos de fé. São também visados os casamentos de conveniência do rei e da rainha D. Maria Ana e, posteriormente, o dos infantes.

Como herói coletivo, o povo é oprimido, explorado e mantido submisso, sendo vítima da prepotência do sistema político e religioso. Em sua homenagem, o narrador faz uma listagem de nomes de A a Z, no intuito de os tirar do anonimato e realçar a multidão de homens que foi necessário explorar para dar cumprimento a uma promessa que era apenas sua, mas que exigiu o sacrifício de outros: "Vão aqui seiscentos homens que não fizeram nenhum filho à rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão da anacrónica voz."

Por fim, a construção do convento é a crítica mais violenta à prepotência do rei e é um trabalho escravo a que obrigou mais de 40.000 portugueses. Por isso, o narrador eleva os trabalhadores ao estatuto de heróis.

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