Shakespeare e o Teatro Barroco Espanhol

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Características de William Shakespeare

  • Ruptura com regras: Não segue normas rígidas; busca temas em diversas fontes, como as clássicas, italianas (O Mercador de Veneza), a história inglesa (Henrique V), a mitologia (Sonho de uma Noite de Verão), lendas e a Bíblia.
  • Reinvenção: Imagina e recria por cima da história.
  • Estrutura Dramática: Tal como Marlowe, as suas peças começam com uma cena forte, seguida de um desenrolar lógico com vários enredos paralelos. A resolução de um enredo implica a resolução dos outros (ex: em Hamlet, o encontro dos amigos com o fantasma do pai desencadeia toda a ação).
  • Liberdade Formal: Não há unidade de ação, tempo (peças que duram anos) ou espaço (passam-se em vários sítios).
  • Profundidade Humana: Não pretendia dar lições de moral nem utilizar personagens tipificadas. As suas personagens são profundas, tridimensionais e elaboradas, refletindo uma gama imensa da humanidade.
  • O Herói Moderno: As personagens refletem, pensam, correm riscos e agem, mas o herói moderno (como Hamlet) passa mais tempo a pensar do que a agir.
  • Estilo: Utilizou verso branco e prosa em verso, evitando a artificialidade.


O Teatro Barroco Espanhol

Existem três grandes vetores que moldaram o teatro Barroco espanhol:

  1. Influências Mouriscas e Árabes: A honra da mulher era uma temática central. Considerava-se que uma mulher violada perdia a sua honra, a qual deveria ser vingada com sangue.
  2. Religião e a Igreja Católica: Detinha um poder fortíssimo, controlando as peças para evangelizar e veicular a mensagem católica.
  3. Monarquia Absoluta: Refletia o período em que a Espanha, sob o domínio de Filipe II (I de Portugal), detinha um enorme poder territorial e global.


Lope de Vega

Escreveu peças e teoria teatral. Dominava a ação rápida e prendia o público com climas de emoção, tensão e surpresa. Caracteriza-se pelo seu otimismo e finais felizes, onde frequentemente surge um rei para salvar a situação. A sua temática principal é a honra.

Tratou personagens de toda a escala social sem grande profundidade psicológica, ajudando a compreender a sociedade do século XVII. Apesar da superficialidade geral, destacam-se as personagens femininas e o "gracioso" (o parvo), que faz críticas ferozes. Utilizava diálogos rimados e refletia o domínio mundial da Espanha da época.


Pedro Calderón de la Barca

Abordou muitos géneros e temas com maior complexidade ética que Lope de Vega. As suas peças sobre a honra eram mais trabalhadas e não se focavam obrigatoriamente em finais felizes.

Tal como os gregos exploravam a tensão entre o destino e a liberdade, Calderón introduzia essa tensão na honra através da opressão da liberdade individual, revelando-se um autor muito mais profundo.

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