Shunt Portossistêmico: Diagnóstico e Tratamento

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 4,12 KB

Cirurgias Hepáticas e Abordagens ao Shunt

Dentre todos os órgãos internos do corpo, o fígado se destaca pelo seu tamanho, sendo superior a todos os outros e constituindo de 3% a 4% do peso corporal. O sangue chega ao fígado por meio de duas fontes: a veia porta, que drena o sangue proveniente do trato digestório (representando cerca de 60% a 70% de todo o sangue que o fígado recebe), e a artéria hepática, responsável pelo restante do fluxo sanguíneo hepático. Pela veia hepática, o sangue sai do fígado, entrando na veia cava caudal.

O que é o Shunt Portossistêmico (DPS)?

O Shunt Portossistêmico, ou Desvio Portossistêmico (DPS), consiste em uma das anomalias circulatórias hepáticas mais comuns em cães. Essa doença é definida por comunicações vasculares entre o sistema venoso portal e a circulação sistêmica, permitindo o acesso do sangue portal à circulação sistêmica sem que ocorra a passagem pelo fígado. Devido a essa comunicação vascular anômala, o sangue portal proveniente da drenagem de outros órgãos, como estômago, intestino, pâncreas e baço, passa direto para a circulação sistêmica, desviando do fígado (SANTOS et al., 2014).

Classificação dos Desvios

Os Desvios Portossistêmicos (DPs), também chamados de Anomalias Vasculares Portossistêmicas (AVPs), são vasos anômalos que permitem que o sangue portal passe diretamente para a circulação sistêmica. Eles são amplamente classificados como:

  • Congênitos ou Adquiridos: Os congênitos são tipicamente vasos anômalos individuais; raramente dois ou mais vasos estão presentes.
  • Extra-hepáticos: Localizados fora do parênquima hepático. Ocorrem em cerca de 63% dos casos em cães, sendo diagnosticados frequentemente em raças miniaturas ("toys") e gatos.
  • Intra-hepáticos: Localizados no interior do fígado. Representam cerca de 35% dos desvios em cães e 10% em gatos, sendo mais comuns em raças de grande porte devido à persistência do ducto venoso.

Na literatura, já foram relatados desvios da veia porta para a veia cava caudal, da veia porta para a veia ázigos, da veia gástrica esquerda para a veia cava caudal e da veia esplênica para a veia cava caudal.

Sinais Clínicos

Quando o sangue não sofre detoxificação hepática, ocorre o desenvolvimento de encefalopatia hepática. Os sinais clínicos, observados em cerca de 95% dos casos, incluem:

  • Neurológicos: Ataxia, mudanças de comportamento, ausência de resposta a estímulos, desorientação, andar em círculos, pressionar a cabeça contra superfícies e cegueira.
  • Gastrointestinais: Vômitos, diarreia, anorexia e ptialismo.
  • Urinários: Poliúria, estrangúria, hematúria, disúria, obstrução uretral e formação de cristais de urato de amônia.

Exames Complementares e Diagnóstico

Embora o histórico e o exame físico sejam importantes, o diagnóstico definitivo requer a identificação do shunt por meio de:

  • Radiografia Abdominal: Importante para triagem, identificando quase sempre algum grau de microhepatia.
  • Ultrassonografia com Doppler: Essencial para detectar o desvio e medir o fluxo sanguíneo dos vasos.
  • Outros Exames: Cintilografia porto-retal, radiografia contrastada e laparotomia exploratória.

Tratamento Cirúrgico: Anel de Ameróide

A colocação do anel de ameróide tem ganhado popularidade na atenuação de desvios portossistêmicos. O anel é composto por caseína higroscópica comprimida dentro de uma banda de metal com um canal central. Após o posicionamento ao redor do vaso anômalo, uma trava é fechada. O constritor absorve o fluido abdominal, levando à expansão da caseína de maneira centrípeta, o que causa a oclusão gradual do vaso anômalo.

Entradas relacionadas: