Síntese de Prostaglandinas, TXA2 e Ação do AAS
Enviado por Comunidade Wikiteka e classificado em Biologia
Escrito em em
português com um tamanho de 4,36 KB
Síntese de Prostaglandinas: O Início da Via
As prostaglandinas se originam a partir dos fosfolipídios presentes na membrana da plaqueta. Nesses fosfolipídios, a ação da enzima fosfolipase os transforma em ácido araquidônico.
Formação da Prostaglandina H2 (PGH2)
O ácido araquidônico (Nota: frequentemente confundido com "ácido aracnídeo" em contextos de estudo) sofre a ação da enzima cicloxigenase (COX). A COX inicia a seguinte sequência de transformação:
- A COX transforma o ácido araquidônico em Prostaglandina G2 (PGG2).
- A PGG2 sofre a ação da enzima glutationa redutase.
- A glutationa redutase transforma a PGG2 em Prostaglandina H2 (PGH2).
Caminhos da PGH2: Vaso Íntegro vs. Vaso Lesionado
Vaso Sanguíneo Íntegro (Sem Lesão)
A Prostaglandina H2 (PGH2) pode seguir dois caminhos, dependendo da integridade do vaso sanguíneo.
Se o vaso sanguíneo estiver íntegro (sem lesão), a PGH2 se transforma em Prostaglandina I2 (PGI2), também conhecida como Prostaciclina.
- A PGI2 (Prostaciclina) aumenta os níveis de AMP cíclico (AMPc) (Adenosina Monofosfato Cíclico).
- O aumento do AMPc diminui a agregação plaquetária.
- Se o vaso está íntegro, a plaqueta não se agrega e não há formação do tampão, pois não há necessidade.
Vaso Sanguíneo Lesionado: Formação do Tromboxano A2 (TXA2)
Se houver lesão no vaso sanguíneo, a PGH2 é transformada pela enzima Tromboxano Sintetase em Tromboxano A2 (TXA2).
- O TXA2 diminui o AMPc.
- A diminuição do AMPc aumenta a agregação plaquetária.
O TXA2 atua como um potente agregador e vasoconstritor. A plaqueta que produziu TXA2 atrai mais plaquetas. Essas novas plaquetas chegam, se deformam e, por sua vez, produzem mais TXA2, criando um ciclo de agregação e deformação até a formação do tampão plaquetário.
O processo de agregação cessa quando não há mais espaço para as plaquetas se aderirem. Se a plaqueta não se agrega, ela não modifica sua forma, a produção de TXA2 diminui e, consequentemente, a agregação diminui.
Aterosclerose e o Uso de AAS (Ácido Acetilsalicílico)
O infarto do miocárdio geralmente ocorre devido à falta de oxigenação causada pela obstrução arterial. Essa obstrução é provocada pela placa de ateroma, que é composta por gordura, macrófagos, plaquetas e cálcio.
A placa de ateroma se forma após uma lesão no endotélio. Nesses pacientes, o TXA2 é produzido e promove a agregação plaquetária contínua sobre o ateroma, fazendo com que a placa cresça e obstrua o lúmen arterial.
Mecanismo de Ação do AAS
Para controlar o crescimento do ateroma, o cardiologista frequentemente prescreve AAS (Ácido Acetilsalicílico) em doses baixas (como o "AAS infantil").
O AAS atua inibindo a enzima COX (Cicloxigenase). Ao inibir a COX, toda a via de síntese é bloqueada, impedindo a formação de TXA2 e, consequentemente, a agregação plaquetária.
O Risco da Inibição Total
Embora o AAS seja eficaz para diminuir ou parar o crescimento do ateroma, a inibição da via do TXA2 apresenta um risco: o paciente pode ter dificuldade em formar o tampão plaquetário em caso de lesão vascular (hemorragia), pois a produção de TXA2, essencial para a agregação, está bloqueada pelo AAS.
Fase III: Retração do Tampão Plaquetário
Após a formação do tampão, inicia-se a terceira fase: a retração do tampão. O tampão é composto por plaquetas agregadas.
A retração é mediada por proteínas contráteis específicas presentes na membrana da plaqueta, como a trombastenina. Quando a trombastenina se contrai, o diâmetro da plaqueta diminui. Essa diminuição faz com que o tampão plaquetário se retraia, aproximando as bordas da lesão.
A aproximação das bordas da lesão acelera significativamente o processo de cicatrização (de forma análoga à função de uma sutura médica).