Sociologia Urbana: Simmel, Benjamin, Debord e Baudrillard

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Metrópole e a Atitude Blasé

  • Metrópole: Agregação de pessoas com interesses variados; relações e atividades integradas em um organismo altamente complexo.

A metrópole funciona como um organismo integrado e altamente complexo. Atitude Blasé: Essa atitude é consequência do homem urbano ser massacrado por um turbilhão de estímulos ou acontecimentos cotidianos, aos quais, depois de certo tempo, deixa de reagir, sofrendo uma espécie de anestesia. Isso faz com que ele não se espante com nada, mantenha uma atitude distanciada e um embrutecimento produzido pelo excesso de estímulos nervosos. Não escapando desse meio conturbado e intenso, o homem metropolitano não encontra forças nem tempo para se recuperar. A atitude Blasé, segundo Georg Simmel, "é a incapacidade de reagir a novos estímulos com as energias adequadas (...) que, associada à economia monetária, encontra sua essência na indiferença perante as distinções entre as coisas (...) que não são percebidas como significantes".

  • Vida Rural: "O ritmo da vida e do conjunto sensorial flui mais lentamente";
  • Vida Urbana: "Aquisição ininterrupta de hábitos"; "ritmo metropolitano de acontecimentos"; "desenraizamento";
  • Metrópole e a Intensificação dos Estímuos Nervosos (interiores e exteriores): "Com cada atravessar de rua, como o ritmo e a multiplicidade da vida econômica, ocupacional e social, a cidade faz um contraste profundo com a vida de cidade pequena e a vida rural no que se refere aos fundamentos sensoriais da vida psíquica".
  • Georg Simmel afirma que: Os problemas mais graves da vida moderna nascem na tentativa do indivíduo de preservar sua autonomia e individualidade em face das esmagadoras forças sociais. Esta seria a mais recente transformação da luta do homem com a natureza para sua existência física. Segundo Simmel, há um profundo contraste entre a vida na cidade e a vida no campo. O autor afirma que a metrópole extrai do homem uma quantidade diferente de consciência, sendo que a vida da pequena cidade descansa mais sobre relacionamentos profundamente sentidos e emocionais; ou seja, o homem metropolitano reagiria com a cabeça em lugar do coração.

Walter Benjamin: Reprodutibilidade Técnica

Reprodutibilidade:

  • Litografia: Produção em série e acelerada.
  • A Ideia de Aura: Foi usada para caracterizar a especificidade da obra de arte, que é única, ligada a um lugar preciso e inscrita na história. Benjamin define a aura como sendo "a única aparição de uma realidade longínqua, por mais próxima que esteja".
  • A fim de ilustrar essa proposição, Benjamin dá o exemplo de um observador contemplando uma linha de montanhas em um fim de tarde de um dia de verão. O observador sente a aura dessas montanhas.
  • A reprodutibilidade técnica resulta na perda da aura, porque a cópia adquire uma autonomia face ao original pelo fato de que o trabalho é colocado em novos contextos, o que torna possível mudar o ponto de vista, ampliar e manipular. A cópia vai para o observador, torna-se acessível em novas situações e é retirada de qualquer contexto histórico e espacial.

Guy Debord: Sociedade do Espetáculo

  • Espetáculo Difuso: Cujo modelo era a sociedade americana (cidadão-consumidor); ocidente capitalista (consumo).
  • Espetáculo Concentrado: Representado por regimes ditatoriais baseados no culto ao líder; bloco socialista.
  • Espetáculo Integrado: É a síntese dos dois primeiros. É mais recente que os anteriores e transversal a todos os regimes políticos, porém adquire grande força nas democracias espetaculares. Cinco características: a incessante renovação tecnológica (entrega do sistema a um corpo de especialistas); a fusão econômico-estatal (possibilita maiores ganhos para grupos privados e Estados); o segredo generalizado (o que está por trás do espetáculo e nunca aparece); a mentira sem contestação (com a extinção da verdade, não há como formar a opinião pública) e a perpetuação do presente (pela abolição do conhecimento histórico e de informações contundentes do passado).

Jean Baudrillard: Sociedade do Consumo

Tipo de sociedade que explica a outras pessoas um estilo de vida específico de consumo, seja por status, impulso ou para se sentir incluído.

  • Reflexão sobre objetos: Apresenta elementos para uma reflexão sobre os objetos cotidianos; a relação das pessoas com os objetos e vice-versa. Analisa as consequências subjetivas dessa relação e as determinações da sociedade global. Investiga como os objetos são vivenciados, a quais necessidades (além das funcionais) respondem e qual sistema cultural fundamenta a cotidianidade.
  • Relação Simbólica: Busca entender como as pessoas se relacionam com os objetos material e simbolicamente (imaginário), resultando em comportamentos de status sócio-ideológico.
  • Consumo Ativo: Do outro lado da produção está o consumo, não como absorção passiva, mas como um modo ativo de relações sobre as quais se fundamenta nosso sistema cultural, tendo a publicidade como dimensão essencial. Faz uma crítica radical à sociedade industrial.
  • Hiper-realidade: Era na qual a verdade é apagada ou substituída pelos sinais de sua existência. A hiper-realidade é um ambiente virtual, um lugar onde todos os paradoxos se encontram e coexistem. A tecnologia contemporânea (Internet, filmes, TV) torna essas imagens onipresentes, evidenciando os paradoxos do mundo moderno.

Michel Maffesoli: Tribos e Identificação

  • Lógica de Identificação: Interessa-se pela transição da lógica de identidade para a de identificação (ex: vestir-se como executivo e depois usar couro, pertencendo a diversas tribos).
  • Tempo das Tribos: Utiliza a noção de tribo urbana ou neotribalismo para designar a união de pessoas em torno de um mesmo conjunto de imagens, que atuam como vetores permitindo o compartilhamento de emoções (ex: Instagram).

Identidade e Identificação

  • O advento das tecnologias de comunicação enfraqueceu as barreiras cognitivas e estruturais que separavam o espaço público do privado (Nova dimensão espaço-temporal; sociedade capitalista moderna: comunismo e individualismo; retorno de estruturas do imaginário arcaico).
  • Identificação: Uma nova estética.
  • Identidade: Características fixas; por exemplo, "se for costureira, deve ser costureira para sempre".

Análise Complementar: Metrópole e Trabalho

Metrópole (Vídeo): Exploração do trabalho; aborda o que caracteriza as grandes cidades e a forma como o indivíduo se relaciona com o mundo. Não existe ritmo, padrões ou rotina amena, mas sim uma compreensão racionalizada. Assim, a compatibilidade humana acaba servindo como um preservativo da nossa subjetividade, sempre pensando racionalmente e de forma mecanizada, sem enxergar o mundo e o que de fato sentimos. Surge uma característica Blasé. O individual e o peculiar escapam às relações das grandes cidades; há uma visão superficial das pessoas por contatos objetivos, como contatos profissionais. A relação entre indivíduos torna-se uma relação entre números: tudo o que é comum a todos pode ser contabilizado, trocado e convertido, sem importar as características peculiares. O que importa é a função e o tempo em horas. O trabalho passa a ser alienado, produzido para o mercado e para aqueles com quem não temos relações pessoais.

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