O Surgimento dos Regimes Totalitários no Século XX
A Frente Popular, ao reivindicar a separação entre igreja e Estado, o direito à greve, a ocupação de terras não cultivadas e o aumento salarial de 15%, acabou por pegar em armas contra a república democrática, originando uma das mais graves guerras civis do século XX.
As opções totalitárias
No século XX, o mundo ocidental vivia sob o signo do demo-liberalismo. Direitos individuais, como igualdade e liberdade, eram garantidos por um Estado que se pretendia neutro e assentava na divisão de poderes. Contudo, surgiu um novo sistema de poder: o Estado tornou-se omnipotente, totalitário e esmagador. Na Rússia soviética, o totalitarismo adquiriu uma feição revolucionária, nascendo com o Marxismo-Leninismo e culminando no Estalinismo. Nos anos 30, uma vaga autoritária surgiu na Europa, tendo como paradigmas o fascismo italiano e o nazismo alemão.
Uma nova ordem nacionalista, antiliberal e antissocialista
O Estado totalitário fascista define-se pela oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Enquanto o liberalismo defende os direitos do indivíduo, o fascismo entende que, acima do indivíduo, está o interesse da coletividade, a grandeza da nação e a supremacia do Estado. O fascismo desvaloriza a democracia partidária, pois este sistema baseia-se no respeito pelas vontades individuais. O fascismo rejeita a teoria da divisão dos poderes e faz depender a força do Estado do reforço do poder executivo.
Na Itália, o fascismo concebeu o corporativismo, destinado a promover a colaboração entre classes. As corporações eram organismos profissionais que solucionavam problemas de trabalho sem recorrer à greve ou ao lockout, que foram proibidos. Deste modo, eliminavam-se paralisações que acarretavam prejuízos económicos. O Estado monopolizava a vontade, impedindo a liberdade de pensamento e expressão.
Elites e enquadramento de massas
O fascismo parte do princípio de que os homens não são iguais e que o governo compete apenas às elites. Os "chefes" (Mussolini na Itália e Hitler na Alemanha) foram promovidos a heróis. Das elites faziam parte a raça dominante (a raça ariana, para Hitler), os soldados e os filiados no partido. As mulheres nazis, consideradas inferiores, estavam destinadas à vida no lar (os 3 K: Kinder, Küche, Kirche). Numa sociedade hierarquizada, os ideais fascistas eram incutidos nos jovens através de professores submissos ao regime.
A manipulação das massas ocorria através de diversas organizações:
- Partido único: Nacional Fascista (Itália) e Nacional-Socialista (Alemanha);
- Frente do Trabalho Nacional.
O Estado totalitário investiu na propaganda para controlar as mentes. Na Alemanha, o Ministério da Cultura exerceu uma ditadura intelectual: proibiu jornais, queimou obras de autores como Voltaire, Marx, Freud e Einstein, perseguiu intelectuais judeus e utilizou a rádio e o cinema como armas do totalitarismo nazi.