Sustentabilidade da Economia: Dimensões e Desafios
Sustentabilidade da economia: dimensões económica, social e ambiental
A crise económica revelou a “falha” do tipo de abordagem económica que se tornou dominante nas últimas três décadas.
O problema da economia à escala global é, sobretudo, o problema da sustentabilidade, dado que uma sociedade em que as desigualdades se intensificam não é sustentável, assim como não é sustentável um crescimento feito à custa do extermínio de recursos não renováveis e da degradação do ambiente.
É neste quadro que falamos no conceito de “economia sustentável”. Esta sustentabilidade refere-se à importância de se preservar o ambiente e os recursos naturais e sociais. No entanto, a dimensão ambiental não é a única dimensão da sustentabilidade, sendo imperativo que se considerem duas outras dimensões: a económica e a social.
1. Dimensão económica
- Uma economia é sustentável quando consegue assegurar o fornecimento socialmente necessário sem sobressaltos. O emprego e a provisão de bens e serviços dependem do investimento e, nesse sentido, de um sistema financeiro que conduza as poupanças para usos produtivos.
- Para termos uma economia sustentável, é imperativo que a finança se subordine à economia, o que implica uma reconfiguração da arquitetura dos sistemas financeiros:
- Abolição dos enclaves isentos de supervisão pública, nomeadamente dos offshores;
- Redução da dependência das empresas relativamente aos mercados de capitais e de acionistas móveis;
- Estabelecimento de estruturas de governação empresarial que reconheçam o direito à palavra aos diferentes interessados, nomeadamente trabalhadores e consumidores;
- Construção de barreiras entre o sistema de crédito e os mercados de capitais para evitar a disseminação do risco;
- Presença direta do Estado no setor bancário e apertada supervisão pública;
- Tributação das transações financeiras e cambiais, refreando a atividade especulativa.
2. Dimensão social
- Uma sociedade pautada pelas desigualdades não é uma sociedade sustentável.
- De acordo com Louçã e Castro Caldas (2010), o combate às desigualdades envolve:
- A garantia de oportunidades de capacitação para todas as pessoas, independentemente do rendimento e da origem de classe (ex: ensino de qualidade);
- O acesso generalizado a bens essenciais de que depende a vida e a saúde;
- Uma reconfiguração do sistema de emprego que contrarie a precariedade, sistemas fiscais progressivos e resistentes à evasão, e sistemas de justiça equitativos.
3. Dimensão ambiental
- O progresso tecnológico pode contribuir para que “a prosperidade seja garantida sem violar limites ambientais e de recursos” (Louçã e Castro Caldas, 2010).
- A dimensão ambiental é das que impõe escolhas mais difíceis, dado que o progresso tecnológico pode não ser suficiente para garantir a sustentabilidade ambiental.
- Uma economia só é sustentável quando respeita os princípios da ecologia.
“Portanto, podemos falar em sustentabilidade quando uma determinada economia se desenvolve tendo em linha de conta a articulação de três dimensões: económica, social e ambiental. Neste quadro, para que possamos falar em sustentabilidade da economia é essencial que se garantam o emprego e a provisão de bens e serviços, a promoção da igualdade entre os indivíduos e a preservação do ambiente e dos recursos naturais.”