O Teatro Galego (1936-1976): Da Geração de 50 ao Grupo de Beja
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O teatro galego entre 1936 e 1976: a geração dos 50 e o grupo de Beja
Características do teatro do pós-guerra
O teatro deste período caracteriza-se por uma criação pausada, devido à falta de um público leitor e à ausência de uma necessidade de estreia imediata. As obras apresentam conflitos, situações e personagens universais inseridos num mundo sombrio e problemático, refletindo um compromisso com o homem do pós-guerra. É uma criação íntima, onde o autor explora as grandes interrogações da existência humana.
Eduardo Blanco Amor
Produção teatral: Farsas para fantoches (1973), Teatro para a gente (1974), Processo em Jacobusland (1980). Foi em Buenos Aires que Blanco Amor iniciou o seu trabalho teatral, fundando a companhia Teatro Popular Galego. Este trabalho continuou nos anos sessenta na Galiza, onde se tornou uma das principais figuras do teatro independente.
Álvaro Cunqueiro
Produção teatral: Função de Romeu e Julieta (1956), O incerto senhor Dom Hamlet, príncipe da Dinamarca (1959), A noite vai como um rio (1965), Palavras de vésperas (1974).
Ricardo Carvalho Calero
Intelectual ativo no movimento galeguista e primeiro catedrático de Língua e Literatura Galegas da Universidade de Santiago. Produção teatral: O Filho (1935), Isabel (1941), Farsa de zocas (1963), As árvores (1965), Auto do prisioneiro (1970), A sombra de Orfeu (1971).
A dramática social
Também conhecida como "geração de 50", este grupo constitui a primeira geração pós-Guerra Civil. Os seus autores, que também se destacaram na lírica e na narrativa, possuem uma profunda preocupação sociopolítica. O texto dramático torna-se um instrumento de reconstrução crítica da realidade, abordando temas que vão desde a recriação histórica ao drama psicológico.
Daniel Cortezón
Dramaturgo especializado na temática histórica, com tramas complexas que oferecem uma visão integral dos factos representados. Produção teatral: Prisciliano (1970), Gelmírez ou glória de Compostela (1974), Os irmandinhos (1977), Pedro Madruga (1981), A diáspora (1976), Castelão, ou a paixão de Portugal (1986-1997).
Johan Torres
Discípula de Ricardo Carvalho Calero e membro da Real Academia Galega desde 2001. Produção teatral: O outro lado do Iberr (1965), Um hotel de primeira sobre o rio (1968).
O grupo de Beja
A partir do final dos anos 60, o teatro galego vive um grande desenvolvimento, impulsionado pelas Mostras de Teatro de Beja (1973-1980). Características:
- Autores ligados diretamente à prática teatral.
- Gosto pelo experimentalismo e conexão com tendências europeias.
- Teatro comprometido na denúncia da opressão política, linguística e cultural.
- Interesse pelo teatro infantil.
Euloxio Rodrigues Ruibal
Colaborador do grupo DITE e fundador da companhia Oficina. Produção teatral: Zardigot (1973), O aniversário (1974), Azos de esguello (1989), Uma macana de dote (1990), Maremia (1996).
Manuel Lourenço
Figura singular, fundador de grupos e escolas de formação dramática, e vencedor do Prémio Nacional de Literatura Dramática em 1988. Produção teatral: Traxicomedia do vento de Tebas (1978), Todos os filhos de Galaaz (1981), Electra (1994), Joana (1991), Erros e ferros de Pedro Madruga (1991), Veladas indecentes (1996), Insommes (2004).
Roberto Vidal Bolaño
Um dos maiores impulsionadores do teatro galego a partir dos anos 70, combinando a escrita com a direção e interpretação. Produção teatral: Ledaiñas pola morte do meco (1977), Laudamuco (1977), Bailadela da morte ditosa (1980), Presente de sombras (1985), As actas escuras (1997), Saxofone tenor (1993), A ópera da patacón (1998).