Teatro peninsular: subgêneros, palco e comédia nacional

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Teatro peninsular

7. Fonte: teatro peninsular

Durante a Idade Média predominou o drama religioso, ligado às festas e cerimônias litúrgicas. Na Renascença, surgiram novas tendências que convém destacar: as novas tendências.

  • Teatro italiano: influência italiana e autores como Juan del Encina com várias églogas teatrais.
  • Teatro clássico: que segue os modelos greco-romanos.
  • Teatro nacional: autores como Juan de la Cueva escreveram dramas baseados na história nacional.
  • Teatro popular: Lope de Rueda escreveu passos e pequenas peças curtas, bem-humoradas e baseadas em situações cómicas. Ex.: «Chifrado, mas feliz».

As áreas de representação durante a Idade Média e a Renascença foram:

  • Igrejas
  • Locais públicos
  • Universidades
  • Salões palacianos

O teatro comercial, no período barroco, desenvolveu-se também com o "teatro ao ar livre".

Subgêneros dramáticos

8. Subgêneros dramáticos

Além de comédias e tragédias, surgiram outros subgêneros dramáticos:

  • Églogas: tema pastoral em ambiente bucólico, em verso e de curta duração.
  • Autos: ligados ao drama religioso, representados no Natal e na Páscoa.
  • Farsa: trabalhos curtos, grotescos, burlescos e às vezes grosseiros.
  • Prólogos ou entr'actos: peças curtas representadas antes da peça principal para atrair o público.
  • Passos e entremeses: peças curtas em prosa com personagens de classes sociais humildes.

Evolução do palco: o corral de comedias

9. Evolução do palco: o Corral de Comedias

Desde o séc. XVII o teatro passou a ser apresentado em palcos fixos, organizados e construídos para essa finalidade. O edifício habitual ficou conhecido como corral de comedias, por imitar pátios ou currals.

O espaço cênico era dividido em diferentes áreas:

  1. Palco ou plataforma
  2. Plataforma traseira e camarins
  3. Bancos em frente ao palco
  4. Galerias laterais de madeira
  5. Na parte posterior, espectadores em pé
  6. Camarotes e janelas com grades no topo das escadas
  7. Camarotes superiores
  8. Em frente ao palco e atrás do fosso, bancos (onde se sentavam mulheres em alguns casos)
  9. Áreas reservadas, por vezes, a escritores e membros do clero

Todas as classes sociais eram representadas e distribuídas no teatro, agrupadas nas diferentes áreas mencionadas acima:

  • Povo comum: ocupava os bancos laterais; em algumas disposições, as mulheres tinham locais específicos.
  • Espadachins, soldados e polícias: ficavam em pé nas áreas posteriores.
  • Poderosos e nobres: nos quartos e nas janelas com grades (camarotes).
  • Escritores e pequenos ofícios religiosos: muitas vezes situavam-se em locais recuados ou reservados.

Os corrales mais importantes foram:

  • O Corral del Príncipe, em Madrid
  • O Corral de Alcalá de Henares
  • O Corral de Almagro
  • O Corral de Doña Elvira, em Sevilha

Criação e características da comédia nacional

10. Criação e características da comédia nacional

A nova comédia, também chamada de comédia nacional, foi criada por Lope de Vega e desenvolvida por diferentes autores durante o séc. XVI–XVII.

Características:

  • As bases teóricas encontram-se em obras como La nueva arte de hacer comedias de Lope de Vega.
  • Mistura do trágico e do cômico na mesma obra.
  • Inobservância das três unidades clássicas (tempo, lugar e ação).
  • O texto costuma ser dividido em três atos:
    • No primeiro ato apresentam-se os personagens e a situação.
    • No segundo e no terceiro desenvolve-se o nó ou conflito da história.
    • No final do terceiro ato dá-se a resolução.
  • Polimetria: utilização de diferentes esquemas métricos e de versos, conforme a intensidade da ação.
  • Decoro dramático: adequação do comportamento, linguagem e trajes ao estatuto social do personagem.
  • Personagens: definidas por classe social e por tipos/arquétipos básicos:
    • A dama: sempre bela, virtuosa e de nobre linhagem.
    • O cavalheiro/galã: contraponto masculino da dama; generoso e heróico.
    • Os pais ou velhos: sábios, valentes e defensores da honra familiar; geralmente o pai da moça.
    • Antagonista poderoso: nobre, arrogante e abusador do poder; pode ser jovem ou velho.
    • O rei ou príncipe: no final impõe justiça e resolve os conflitos.
    • O criado cômico: servo do amante ou do cavaleiro, sempre ao lado do protagonista, fazendo o que o amante não pode dizer; cria alívio cômico e auxilia o enredo amoroso.
    • O companheiro ou «enfermeiro» é frequentemente engraçado e possui traços próprios.
  • Tópicos:
    • A história de Espanha (temas medievais)
    • Honra
    • Casos de amor
    • Vida na corte e intrigas
    • Vida rural e conflitos entre camponeses, proprietários e nobres.

Os tópicos podiam ser misturados na mesma obra.

Tipos de dramas

11. Tipos de dramas

As obras dramáticas respondiam à necessidade de agradar a um público muito diverso. Assim, surgiram diferentes tipos de comédia para públicos distintos.

Tipos de comédia

  • Comédia de capa e espada: com amor cortês e intriga urbana (capa e espada).
  • Comédias de palácio: temas amorosos em ambientes palacianos.
  • Comédias bíblicas: temática religiosa.
  • Comédias mitológicas: inspiradas em mitos clássicos.
  • Tragédias: históricas, clássicas, de vingança, honra e ciúme.
  • Dramas rurais: cujo protagonista é um grande proprietário ou toda uma aldeia.
  • Comédias de tipos ridículos: o protagonista é ridicularizado; os atores representam aventureiros ou tipos picarescos.

Também se criaram números curtos para intercalar entre os atos, como:

  • Antepostos (antepasto)
  • Loas ou prólogos
  • Dança
  • Jácaras: baladas cantadas por atores marginais.
  • Mascaradas: danças e movimentos exagerados ou sugestivos, por vezes de gosto popular e caricatural.

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