O Teatro no Século XVI e a Literatura Barroca
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O Teatro no Século XVI
O teatro experimentou um grande crescimento no final do século XVI, tornando-se um espetáculo de massa. Na comédia de curral, o palco era instalado no pátio, contra a parede do fundo da casa.
O pátio aberto era o local onde ficavam os mosqueteiros (público em pé). As varandas e janelas das casas vizinhas, chamadas de aposentos, eram reservadas para a nobreza.
Na cazuela, uma área em frente ao palco, ficavam as mulheres da classe média, separadas dos homens. Acima, encontravam-se os camarotes das autoridades, como membros da Câmara Municipal de Madrid e o presidente do Conselho de Castela. No andar superior ficavam os sótãos, quartos pequenos que incluíam o desván dos religiosos e um segundo nível da cazuela.
O palco e as laterais eram protegidos por telhados. Um toldo de tecido protegia o público do sol e melhorava a acústica, evitando a dispersão da voz dos atores. Esta disposição é semelhante ao teatro elisabetano na Inglaterra.
Personagens do Teatro
- Rei: Jovem líder, símbolo de justiça e orgulho.
- Poderoso: Nobre que age com autoridade, frequentemente punido pelo rei ou pelo povo.
- Cavalheiro: Irmão, filho ou amante, movido por atos de amor.
- Engraçado: Criado ou amigo, conselheiro que se conecta com o público; é um pouco covarde.
- Vilão: Rico e poderoso que demonstra orgulho.
- Rainha: Bela, dedicada ao amor e ao seu par.
- Servo: Amigo da mulher, desempenha um papel cômico feminino.
O Movimento Barroco (Século XVII)
O Barroco é um movimento artístico do século XVII que reflete, através de formas complexas, a dor da existência humana. Ao contrário do Renascimento, caracteriza-se por:
- Visão pessimista da vida.
- Complexidade formal.
- Realismo, em oposição ao idealismo renascentista.
Os escritores barrocos buscam surpreender o leitor, abandonando a moderação renascentista e utilizando artifícios retóricos e jogos de conceitos. Os temas habituais incluem:
- As vaidades da vida.
- Transitoriedade e inconsistência.
- A luta pela existência.
A Lírica Barroca
A poesia barroca mantém os modelos métricos do Renascimento (heptassílabos e hendecassílabos), como tercetos, oitavas, sonetos, liras e silvas. Embora preserve temas como mitologia, amor e natureza, trata-os com uma nova perspectiva, abordando também sátira, política e moralidade.
Tendências do Barroco Espanhol
- Culteranismo: Foca na forma e na beleza estética para admirar o leitor através dos sentidos. Utiliza hipérbatos, metáforas, cultismos e dilogias. Seu maior representante é Luis de Góngora y Argote.
- Conceptismo: Foca na intensificação do significado através de jogos de palavras e metáforas espirituosas. Utiliza neologismos, hipérboles e antíteses. Seu maior representante é Francisco de Quevedo.