Técnica de Crawl: Fases de Agarre e Tração
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Curva 2: Varridura para Baixo ou Fase de Agarre (Grip)
Posição inicial: O braço está quase totalmente estendido e ligeiramente à frente e para fora da linha do ombro. O cotovelo se dirige para cima e para fora, posicionando-se acima das mãos. O pulso está girado ligeiramente para fora. A palma da mão está voltada para baixo, para fora e ligeiramente para trás.
Posição final: O braço está no ponto de máxima profundidade, quase em linha reta e fora da linha do ombro. A flexão do cotovelo está voltada para cima e para fora. O pulso apresenta uma ligeira flexão e rotação interna. A palma da mão está voltada para dentro, para trás e para cima, preparando a próxima fase.
Descrição do movimento: A mão realiza uma curva para baixo, ligeiramente para fora e para trás, mantendo a mesma direção. É um movimento semicircular realizado principalmente pela flexão do cotovelo, que passa de uma posição praticamente esticada para uma curva acentuada. A flexão do cotovelo torna-se gradualmente mais rápida à medida que a mão alcança maior profundidade, atingindo a flexão máxima no momento da profundidade máxima.
Músculos Envolvidos: Agarre no Crawl
Músculos Principais:
- Tríceps braquial (mantém a extensão).
- Bíceps braquial (aumento da flexão no final da etapa).
- Deltoide (movimento para fora do ombro).
- Longo e flexor profundo dos dedos, palmar longo, palmar maior e supinador (flexão e supinação do pulso).
Músculos Secundários:
- Ulnar do carpo (flexão do pulso).
- Ancôneo (extensão do braço no cotovelo).
- Peitoral (adução).
Outras Considerações
Após a extensão do braço (acima da curva), o pulso deve estar voltado para fora e ligeiramente para trás, permanecendo virado para baixo em um ângulo de ataque de quarenta graus. A mão deve empurrar a água com suavidade e precisão angular.
"Para alcançar uma propulsão adequada, o ângulo de azimute deve ser ligeiramente maior que noventa graus" (D. Chollet).
Ou seja, o fluxo de água deve passar entre os dedos, percorrer a palma e o dorso da mão, saindo com mais velocidade pela parte interna do pulso.
O movimento da mão é para baixo, para fora e para trás. Isso deve empurrar a água para trás e para baixo, permitindo que a rotação dos ombros facilite o deslize da mão. O cotovelo deve estar, em todos os momentos, acima da mão. A mão tenta alcançar a linha do cotovelo enquanto este flexiona progressivamente.
Pouco antes de atingir a profundidade máxima, as mãos iniciam a varredura para dentro e para cima, terminando o movimento com uma aceleração e um giro final do pulso para preparar a próxima fase, evitando qualquer interrupção no movimento.
Esta é a fase menos propulsiva da braçada se considerarmos o nadador como um todo. O resultado positivo é determinado principalmente pela força de sustentação (flutuação) produzida pela mão contra a corrente. A componente de força devido ao arrasto é menor, sendo os principais pontos a resistência e a sucção frontal.
O que faz o outro braço? "O agarre é realizado enquanto o outro braço alivia a pressão sobre a água" (E.W. Maglischo, em "Nadar Mais Rápido").
Curva 3: Varridura para Trás, para Dentro e para Cima ou Fase de Tração (Pull)
Posição inicial: O braço está no ponto de máxima profundidade, quase em linha reta, à frente e para fora da linha do ombro. A flexão do cotovelo está voltada para cima e para fora. O pulso apresenta rotação interna e ligeira flexão. A palma da mão está voltada para dentro, para trás e para cima.
Posição final: O braço localiza-se entre o pescoço e a linha média do corpo, aproximadamente abaixo do ombro. Ocorre a flexão máxima do cotovelo, voltado para fora e ligeiramente para cima. A mão está no ponto mais raso e deve terminar apontando para fora e para trás, preparando a próxima fase.
Descrição do movimento: A mão passa de uma posição voltada para fora, para trás e para baixo para uma posição voltada para dentro e para trás. O pulso transita de uma leve rotação interna para uma rotação externa. O braço direciona a mão para dentro e para trás, utilizando principalmente o ombro e o bíceps. A mão deve buscar a água profunda e acelerar até o ponto mais alto da braçada, em um movimento circular de fora para dentro e de baixo para cima.
Músculos Envolvidos: Tração (Tirón)
Músculos Principais:
- Peitoral maior (abdução do braço).
- Latíssimo do dorso (abdução e rotação do braço).
- Redondo maior (rotação).
- Bíceps (durante a flexão).
- Tríceps braquial (na extensão).
- Deltoide (elevação e deslocamento do ombro).
Músculos Secundários:
- Ancôneo, Braquial e Coracobraquial (flexão do braço).
- Radiais e músculos flexores dos dedos.
Outras Considerações Técnicas
O final desta fase ocorre quando o cotovelo atinge a flexão máxima e a mão chega ao ponto mais alto desta etapa. O ponto exato onde a mão termina varia entre nadadores (ex: Thorpe vs. Klim), mas os textos técnicos geralmente referem-se à linha média do corpo.
Nesta fase, deve predominar a força de arrasto (devido à forma da mão). Para que esta força supere a sustentação, a mão deve estar voltada para trás em um ângulo de quase quarenta graus (D. Chollet, Maglischo). A aceleração da mão deve ser superior à velocidade da corrente, caso contrário, a resultante das forças será negativa.
Para equilibrar as forças de ação, reação e sustentação (lift), o nadador deve mover a água para cima e para trás com a mesma magnitude, em um ângulo de aproximadamente 45 graus.
- Impulso muito aberto: Faz com que a resultante não seja paralela à direção do nado, desperdiçando energia para corrigir o movimento de queda causado pela pressão ascendente.
- Direção de mão muito fechada: Reduz a eficácia, baseando-se apenas no arrasto de forma e ignorando a força de sustentação. Isso aumenta a frequência de braçadas, mas reduz o avanço por ciclo.
A teoria indica que o melhor ângulo de ataque depende da velocidade do fluido e da mão. O nadador de elite adapta intuitivamente esses ângulos com base na sensibilidade à água. Essas pequenas variações na posição da mão explicam a grande diferença de eficiência entre nadadores de elite e os demais.