Tecnologia e Impactos Socioambientais: Desafios e Futuro

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Por Maurício Novaes Souza

Na atual crise da economia, que tanto tem preocupado a população mundial, ninguém percebe que se está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Europeia. A pesquisa foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento variam em uma faixa de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção de dióxido de carbono.

No entanto, o que se percebe é que as sucessivas agressões que o meio ambiente vem sofrendo em decorrência das atividades humanas vêm causando impactos negativos e uma série de prejuízos socioeconômicos e ambientais, tais como:

  • Poluição hídrica;
  • Chuva ácida;
  • Efeito estufa;
  • Desertificação.

Há que se destacar, como agravante, a destinação dos resíduos sólidos urbanos em locais inadequados e o lançamento dos esgotos domésticos e industriais sem nenhum tipo de tratamento nos ecossistemas aquáticos.

As pessoas, desinformadas, perguntam-se: “o que fazer?”; “como fazer?”; “a quem recorrer?” ou “em quem acreditar?”. As alternativas são várias para solucionar o problema; mas o que tem gerado bastante discussão é se as medidas tomadas só defendem os interesses de cada país e interesses pessoais, ou se pensam na coletividade. Será que realmente existe a intenção de solução definitiva para as questões sociais e ambientais?

O grande problema é que vivemos em um mundo capitalista, onde o dinheiro é a referência. Tudo gira em torno do consumismo, estimulado pelas campanhas maciças da mídia. O modismo é outro aspecto que acaba nos influenciando. Se um modelo de computador está “na moda”, o que compramos há pouco tempo já está ultrapassado e isso faz com que acabemos comprando um novo modelo. O mesmo acontece com o telefone celular e outros bens de consumo. Na verdade, é uma estratégia usada pelo modelo capitalista que criou o consumismo obsoletista, onde um produto já é lançado tendo o seu sucessor mais moderno na prateleira para ser apresentado em pouco mais de seis meses ou um ano. Nos dias atuais, de toda a produção mundial, apenas 1% tem vida útil superior a seis meses.

Devido a todo esse ciclo, não damos conta de que é o meio ambiente que está sendo afetado. Não podemos esquecer que a primeira etapa da fabricação de um produto se dá com a extração de recursos naturais, cuja exploração está ocorrendo de forma exagerada e desordenada. O primeiro passo para uma grande mudança é consumir menos e poder utilizar os recursos naturais de maneira sustentável.

Na verdade, quando analisamos o comportamento da humanidade ao longo de sua história, observamos um enorme fascínio pelo uso de novas tecnologias, associadas ao desenvolvimento de novos produtos e/ou processos de produção. Porém, apesar de significativas vantagens proporcionadas com essas inovações, servindo de auxílio para a solução de grandes problemas, questiona-se a sua efetividade, com inúmeras dúvidas, por exemplo, sobre os efeitos à saúde, como o uso de telefones celulares.

Nesta semana, especialistas de todo o mundo se reúnem no Rio de Janeiro para discutir dados científicos relacionados aos efeitos biológicos de radiações não ionizantes, notadamente aquelas emitidas por antenas e equipamentos de telefonia celular, estações transmissoras de rádio e TV, linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, além de discutir aspectos de proteção e limites de exposição. A Comissão Internacional de Proteção contra as Radiações Não Ionizantes promove o encontro internacional com o objetivo de apresentar os seus avanços científicos. As discussões subsidiam novas recomendações para limites de exposição, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No futuro, os avanços científicos e tecnológicos voltados para o setor produtivo deverão permitir a implantação de indústrias limpas, que estão na base de um crescimento econômico mais equilibrado e integrado com o meio ambiente. Para isso, deve haver uma visão equilibrada e integrada do meio ambiente, sistêmica, que favoreça a própria gestão da tecnologia. No meio urbano, a produção mais limpa é uma solução; na área rural, os modelos de produção agroecológicos podem ser considerados fortemente inseridos nessas propostas.

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