O Teísmo e os Argumentos para a Existência de Deus
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O Teísmo
O Teísmo: Teoria que defende a existência de um Deus pessoal, perfeito, eterno, omnipotente, omnisciente, omnipresente, sumamente bom, criador e que governa o mundo.
Argumentos para a Existência de Deus e suas Fragilidades
Argumento Cosmológico (Tomás de Aquino) – A Posteriori
Tudo o que acontece (efeito) é determinado por uma causa anterior. Como é impossível haver uma cadeia infinita de causas que regrida perpetuamente, tem de existir uma Causa Primeira que não seja causada por nada: Deus.
- Fragilidades: Uma cadeia infinita de causas pode não ter uma causa primeira, fazendo com que o argumento falhe ao tentar impor um início. Além disso, assumir que não há regressão infinita não nos obriga logicamente a aceitar que a primeira causa seja especificamente o Deus teísta.
Argumento Teleológico / do Design (Tomás de Aquino e William Paley) – A Posteriori
O mundo e os seres vivos demonstram uma ordem, complexidade e finalidade imensas (como as componentes de um relógio ajustadas por um relojoeiro). Sendo o mundo tão bem desenhado, esse desígnio só pode ser o resultado de um criador inteligente: Deus.
- Fragilidades: A suposição de que existe uma finalidade no mundo natural não é evidente. Mesmo admitindo a ordem dos objetos, não há garantia de que se possa inferir um propósito intencional ou finalidade divina. Adicionalmente, as proporções e complexidade do universo ultrapassam tanto as de um relógio que a comparação perde a razoabilidade.
Argumento Ontológico (Santo Anselmo) – A Priori
Parte do conceito de Deus como "o ser maior do que o qual nada pode ser pensado". Se um ser com essa magnitude existisse apenas no pensamento, ele não seria o ser maior de todos, pois faltar-lhe-ia a existência real. Logo, para ser o maior, Deus tem de existir na realidade.
- Fragilidades: Não se pode concluir a existência de uma realidade perfeita pelo simples facto de a conseguirmos pensar. Kant criticou este argumento mostrando que a existência não é uma propriedade ou predicado do objeto, mas apenas a condição de possibilidade para que as propriedades se manifestem.
Razão, Fé e a Aposta de Pascal
Fideísmo: Defende radicalmente que a fé é a única via para justificar as crenças religiosas, rejeitando a utilidade da teologia natural ou da razão para provar a existência de Deus.
A Aposta de Pascal: Argumenta que, face à incapacidade da razão em demonstrar a existência de Deus, apostar na Sua existência é a opção racionalmente mais vantajosa. Se apostarmos que Ele existe e Ele de facto existir, ganhamos a felicidade eterna; se não existir, não perdemos nada de relevante.
- Fragilidade: Reduz a fé a um interesse egoísta de recompensa, assumindo falsamente que Deus recompensaria quem acredita apenas por mera conveniência ou cálculo de risco.
O Problema do Mal e a Teodiceia
O Problema: Como conciliar a existência do mal (físico e moral) no mundo com a ideia de um Criador que é sumamente bom e omnipotente?
A Teodiceia de Leibniz: Tenta justificar a bondade de Deus afirmando que o mundo criado é o "melhor dos mundos possíveis". O mal existe porque:
- O mundo físico precisa de imperfeições para que possamos contrastar e apreciar o bem;
- O mal moral provém da liberdade humana (livre-arbítrio). Deus prefere um mundo com criaturas livres que falham e escolhem o mal do que um mundo de robôs sem liberdade.
- Fragilidade: Atribuir todo o mal moral à culpa humana é uma base fraca, pois muitos seres sofrem sem que o mal resulte de uma escolha moral justa ou equilibrada. Além disso, justificar o sofrimento extremo como "lição" ou "meio para um bem maior" falha em legitimar a necessidade de tanta atrocidade no mundo.