Temas Centrais e Secundários em 'A Casa de Bernarda Alba'
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Temas Centrais e Secundários em "A Casa de Bernarda Alba"
1. O Autoritarismo de Bernarda vs. O Desejo de Liberdade
O foco principal é o confronto entre o autoritarismo de Bernarda, que tenta impor suas regras opressivas com base na sua posição de "chefe de família", e o desejo de liberdade, personificado, sobretudo, por Maria Josefa (mãe de Bernarda) e Adela, que tentam se rebelar.
As empregadas temem Bernarda, não se atrevem a enfrentá-la e limitam-se a sussurrar pelas costas. O autoritarismo é uma constante na sua atitude e caráter. Todas as mulheres da família devem submeter-se à sua disciplina.
Bernarda impõe um comportamento rigidamente controlado que suas filhas devem manter em relação aos homens. Quem desobedecer sofrerá as consequências. No entanto, o desejo de liberdade e a rebeldia de Adela são mais fortes do que o medo da autoridade materna. Desde o início, Adela revela seu desafio: ela usa um leque de flores vermelhas e verdes, em vez do preto do luto; prova seu vestido verde e, ao olhar para as galinhas, expressa seu desejo de liberdade e sua decisão de quebrar as regras de Bernarda. No final, há um confronto com sua mãe: ela pega o bastão, quebra-o ao meio e defende sua recém-conquistada liberdade. Mas, após seu suicídio, isso fecha (claro) o caminho da liberdade para suas irmãs. Se nenhuma delas voltar a ter o desejo de sonhar com o amor ou a liberdade, isso representaria o fim amargo de Adela.
Maria Josefa canaliza sua revolta através da loucura, um escape para a personagem abusada e mantida em um quarto. Em conclusão, a opressão de Bernarda causa duas respostas claras na busca pela liberdade: a loucura de Maria Josefa e o suicídio de Adela.
Questões Secundárias
A) O Amor Sensual e a Tirania do Luto
A busca pelo amor sensual (Pepe el Romano).
O governo tirânico de Bernarda e a pena imposta às filhas pelo luto, com a ausência de amor. Elas não têm possibilidade de iniciar qualquer relacionamento e perdem toda a esperança de casamento. A explosão de Pepe el Romano no mundo fechado desencadeia as paixões das mulheres solteiras que desejam casar-se para se livrar da tirania de Bernarda e ser felizes.
B) A Hipocrisia e as Falsas Aparências
Este é um dos temas recorrentes na obra: a preocupação com a opinião dos outros, o medo da fofoca, o desejo de fingir ser o que não é... Tudo isso mascara a realidade.
Simbolicamente, a preocupação com as aparências manifesta-se na obsessão pela limpeza que caracteriza Bernarda.
O medo da fofoca é uma constante na vida das personagens e marca o comportamento de Bernarda, que teme o que os vizinhos possam dizer. O mundo da simulação e da hipocrisia afeta principalmente Martírio e Bernarda; a falsidade é uma característica de seu caráter.
C) O Ódio e a Inveja
As relações humanas são dominadas pelo ódio e pela inveja: Bernarda é odiada pelas empregadas e vizinhos; Angústias é odiada e invejada pelas irmãs. Adela acusa Martírio de inveja, ciúme e ódio.
As mulheres vivem trancadas em um ambiente selvagem e hostil. O desejo de amar e ser livre, e a incapacidade de alcançar esses objetivos, levam as filhas de Bernarda a alimentar fortes sentimentos de ódio e inveja.
Outros Subtemas e Críticas Sociais
Estes subtemas trazem à tona o flagelo da Espanha rural da época, representando a crítica de Lorca à sociedade espanhola.
- D) A Mentalidade Tradicional e Moral: O confronto entre a moralidade rígida e os valores defendidos pela obra, como tolerância, alegria, sinceridade, amor, misericórdia e caridade.
- E) A Injustiça Social: Lorca revela as tensões da sociedade de seu tempo, mostrando as diferenças e injustiças sociais, a consciência de classe e o orgulho, e a crueldade que rege as relações humanas. As relações são hierárquicas e marcadas pela crueldade e mesquinhez, especialmente nos estratos mais baixos. Bernarda é gananciosa e vil, incapaz de qualquer generosidade. Cada indivíduo tende a humilhar a pessoa que se encontra na camada inferior da pirâmide social.
- F) A Marginalização da Mulher: A mulher, reduzida a certos papéis que nem sempre são libertadores ou gratificantes na sociedade, tem menos recursos do que os homens para lutar pela própria felicidade. Ao desviar-se dessas funções (noiva-esposa-mãe), é rotulada pela sociedade como um fracasso, inútil e imprestável. Lorca reflete cruamente a marginalização da mulher na sociedade de seu tempo, confrontando dois modelos extremos de comportamento feminino: um baseado na frouxidão moral (Paca la Roseta, a prostituta contratada pelos ceifadores) e outro baseado no conceito de decência. O primeiro grupo de mulheres leva uma vida de liberdade aparente. O comportamento baseado na decência, aparentemente, implica uma submissão às normas sociais que discriminam a mulher em favor do homem, que pode fazer o que lhe aprouver. O trabalho de homens e mulheres é claramente diferenciado: o primeiro no campo, a segunda em casa, em clausura. Homens e mulheres não são iguais perante a lei. No campo do amor, a mulher deve reprimir seus impulsos. A submissão das mulheres aos homens é um fato. A honra da família, tal como nas obras do século XVII, está ligada ao comportamento das mulheres.