Teoria da CEPAL: Industrialização e Termos de Troca
1. Industrialização e Balanço de Pagamentos
Esse processo reage principalmente devido ao conceito de estrangulamento do balanço de pagamentos nas economias periféricas. Com a compressão da pauta de exportação, os setores com fácil instalação, exigências de capital e escala de produção tornam-se limitados.
A CEPAL passou a defender a ideia de solidariedade intrínseca entre a industrialização da periferia e a expansão do comércio internacional, na medida em que o crescimento econômico nas economias periféricas representava uma pressão sobre as importações. Os países centrais teriam a ganhar com a industrialização da periferia e com uma maior abertura à importação de produtos nela originados. A partir de 1960, a CEPAL passou a defender políticas de diversificação e estímulo às exportações.
2. A Tese da Deterioração dos Termos de Troca
A tese da deterioração da relação de troca questiona as virtudes do livre comércio internacional. Ela possui duas versões baseadas nas vantagens comparativas dinâmicas da produção industrial ou nas desvantagens comparativas da especialização em bens primários:
- Primeira versão: Vincula-se aos ciclos e à forma como a estrutura subdesenvolvida de produção e emprego impede a periferia de reter avanços tecnológicos. Diferente do centro, onde sindicatos organizados e uma estrutura produtiva concentrada impedem a queda nominal dos preços dos bens industriais na baixa temporada, a periferia não consegue elevar os preços nos momentos de auge cíclico.
- Segunda versão: Aponta a tendência “potencial” à deterioração dos termos de troca, devido ao excesso de mão de obra na agricultura subdesenvolvida. O emprego em atividades exportadoras resultaria em expansão da oferta, deprimindo os preços internacionais e resultando em menor valor, apesar do maior volume de produção.
Com isso, a CEPAL defendia o protecionismo, mesmo que a produção industrial fosse menor na periferia em comparação aos recursos ligados à produção agrícola.
A CEPAL argumentava que, mesmo se ocorresse um processo de industrialização, este não vulnerabilizaria externamente os países periféricos, pois eles manteriam condições de exportação de produtos primários, enquanto os países centrais seriam importadores de produtos industriais.
Por fim, argumenta-se que, sem o processo de industrialização concluído, haveria desequilíbrios estruturais na balança de pagamentos, pois o processo de substituição de importações alivia um lado, mas impulsiona novas exigências do outro.