Teoria do Cinema: Montagem, Estética e Linguagem

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Ficção vs. Documentário

  • Ficção: História inventada, baseia-se em factos reais, atores profissionais, cenários construtivos, produção de efeitos especiais, guião pré-definido, muitos meios técnicos, equipa muito maior, criatividade, magia e entretenimento.
  • Documentário: Facto real, reflexão sobre um facto real/mundo, atores não profissionais (representam o seu próprio papel), filmagens in loco (locais reais), técnicos mais leves, o cineasta infiltra-se no ambiente de inserção, carga pedagógica.

Documentário vs. Reportagem

  • Documentário: Cinema, reflexão sobre um assunto, não há receitas.
  • Reportagem: Jornalismo (o quê? quem? onde? porquê? quando?), voz-off, imagens ilustrativas, direta.

Conceitos Importantes

  • Elipse: Passagem rápida do tempo.
  • Eisenstein: Tipos de montagem, formas expressivas de montagem, montagem das atrações, vantagens das etapas.

Tipos Estéticos de Montagem

  • Montagem Narrativa: A articulação dos planos é contínua (ex: quando se olha para a praia ou para o lado direito, deve-se ver na mesma a praia ou algo relacionado, e não, por exemplo, a montanha ou prédios) (não pode haver erros); raccords absolutamente necessários (se uma pessoa abrir a porta, dever-se-á ver do outro lado, ou então uma pessoa a passar de um lado para o outro deve ser contínuo); transmissão dos conteúdos é mimética (transparente, imitações da realidade); a representação do mundo tem de ser muito clara e evidente; procedimento estético dominante é a découpage (decomposição de um filme por cenas ou passos para análise do mesmo).
  • Montagem Discursiva: A articulação dos planos é descontínua (os planos já não precisam de ser seguidos, havendo uma valorização do discurso, característica do cinema documental); a relação entre os planos é de debate, confrontação, contraste e análise; transmissão de conteúdos por demonstração; representação do mundo como algo a construir e a refletir; procedimento estético dominante é o agrafar.
  • Montagem de Correspondência: A articulação dos planos é descontínua (o que interessa é o que cada plano diz, servindo para significar sonhos, fantasias, coisas surreais e mais experimentais); a relação entre os planos é simbólica e temática (reunião de materiais aleatória, onde a ordem dos planos é indiferente); associação de ideias nos conteúdos (permite múltiplas interpretações); representação do mundo pessoal (cada um interpreta o que quer, com muito mais criatividade e múltiplas interpretações); procedimento estético dominante é a colagem.

Cinema e Outras Artes

Cinema e Pintura

O cinema é uma arte do tempo (trabalhado com os tempos, os planos, a montagem, etc.), enquanto a pintura é uma arte do espaço. O cinema oferece as diversas fases dos movimentos efetuados pelos objetos ou personagens de um acontecimento ou de uma ação.

O cinema tem afinidades com as artes plásticas, pois supõe o enquadramento de uma parte da realidade representada (o que se entende por composição em pintura). No cinema, as pessoas e as coisas entram e saem de campo em todas as direções. Muitos dos cineastas fazem "quadros vivos".

Cinema e Arquitetura

O cinema e a arquitetura estão relacionados, dado que é necessária a construção de cenários, a organização do espaço, a decoração e a reconstrução histórica de ambientes — fatores diretamente ligados à arquitetura e muito importantes na produção de um filme.

A arquitetura das cidades é muito importante no mundo do cinema porque é através dela que poderemos reconhecer locais. A produção de um filme é a mistura de arte e ilusão, e o objetivo é fazer a audiência acreditar nesse envolvimento. Os elementos da ficção — desde prédios e carros até à mala da personagem principal — devem funcionar em conjunto para poder contar uma história.

Exemplo de filme: Playtime (1967) — quando é mostrado o aeroporto, um espaço amplo, de cores neutras, muito simples e silencioso, que se confunde com um hospital.

O arquiteto fabrica edifícios, não apenas imagens. Um arquiteto só é arquiteto depois da obra estar feita, assim como o realizador só é realizador quando o filme está pronto. Cinema e arquitetura são duas artes do movimento: o filme tem sequências, e a arquitetura também é vista em sequências.

O real é o que faz trabalhar estes artistas; tanto o arquiteto como o realizador trabalham com aspetos estéticos. Os monumentos são processos identificativos; os espelhos são pontos de reflexão e multiplicação da imagem.

A noção de labirinto é um tema importante a nível cinematográfico, pois dá a noção de desorientação, onde não se sabe o que está escondido ou não. Existem filmes que fazem crítica a determinados tipos de arquitetura. No filme de Jacques Tati, os prédios parecem lojas e não há paredes, para demonstrar que, apesar da transparência, não há comunicação.

O que é a Montagem?

A montagem é a organização discursiva de acontecimentos ou ideias através da escolha e combinação dos planos, tendo em vista propósitos e efeitos discursivos, sejam eles retóricos, dramáticos, éticos ou estéticos.

  • Montagem Externa: Projeta descontinuidade, joga com as diversas articulações relativas ao olhar, ao movimento e ao fundo. Traz a noção de puzzle. A montagem joga com as imagens, com o tempo, o espaço, os cenários e as personagens.
  • Montagem Invertida: Ausência de linearidade cronológica (salta no tempo, tanto para trás como para a frente).
  • Montagem de Expressão: Alavanca poderosa de associação, efeito de rutura e choque intelectual para o espetador. Associa-se à montagem das atrações, ao ponto de vista e à capacidade percetiva do espetador.

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