Teoria do Conhecimento: Racionalismo e Empirismo
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Teses do Ceticismo Radical
O ceticismo radical é a perspetiva segundo a qual nenhum ser humano tem verdadeiramente conhecimento, pois para existir conhecimento implica crenças verdadeiras justificadas. Ou seja, só existe conhecimento quando há uma justificação adequada para a sua crença e, para os céticos, isso não é possível, pelo que não há conhecimento. No entanto, há formas mais moderadas de ceticismo: existem aqueles que defendem que temos algum conhecimento, mas esse conhecimento é mais limitado do que pensamos ter.
Semelhanças e Diferenças entre o Racionalismo e o Empirismo
Ambos estão relacionados à questão do conhecimento:
- Racionalismo: É a perspetiva que privilegia a intuição intelectual como fonte de conhecimento. Para os racionalistas, muitos aspetos importantes da realidade podem ser conhecidos a priori.
- Empirismo: É a perspetiva que privilegia a experiência como fonte de conhecimento, recusando a experiência de conhecimento a priori fora do domínio da matemática e da lógica.
Distinguir Ideias Inatas de Adventícias e Factícias
- Ideias adventícias: São aquelas que nos chegam a partir dos sentidos.
- Ideias factícias: São provenientes da nossa imaginação, uma combinação de imagens fornecidas pelos sentidos e retidas na memória, cuja combinação nos permite representar (imaginar) coisas que nunca vimos.
- Ideias inatas: São ideias que não resultam da experiência e que fazem parte da mente humana desde a sua origem.
Conhecer e Explicar o Círculo Cartesiano
Uma das críticas feitas a Descartes é que, com o argumento da existência de Deus baseado no critério das ideias claras e distintas, ele cria um círculo, conhecido por círculo cartesiano. Ele justifica a existência de Deus com o critério das ideias claras e distintas (Deus existe porque é evidente que um ser perfeito tem que existir) e o critério através da existência de Deus (como Deus não é enganador, as minhas perceções claras e distintas não podem ser falsas). Assim, Deus justifica o critério e o critério justifica Deus.
Distinguir Impressões de Ideias (Perceções)
As impressões consistem em experiências e tanto podem ser externas como internas:
- Impressões externas: Resultam dos sentidos, como experiências visuais, olfativas ou táteis.
- Impressões internas: Correspondem à introspeção e incluem os sentimentos e os desejos.
As ideias, para Hume, abrangem os nossos conceitos, bem como aquilo que imaginamos ou recordamos. Segundo ele, as impressões distinguem-se das ideias pela sua maior vivacidade; ou seja, a sensação de dor é mais intensa do que a sua recordação.
Compreender o Princípio da Cópia
O Princípio da Cópia é defendido por Hume, segundo o qual todas as nossas ideias resultam de experiências ou impressões; ou seja, todas as ideias são cópias de impressões. O princípio da cópia é um princípio empirista, pois diz-nos que todos os conteúdos da nossa mente têm a sua origem na experiência.
Distinção entre Relações de Ideias e Questões de Facto
- Relações de ideias: Definem-se por poderem ser conhecidas a priori. Como diz Hume, são intuitivas ou demonstrativamente certas. Sobre elas, afirma também que são verdades necessárias, ou seja, são proposições que têm de ser verdadeiras.
- Questões de facto: São proposições que afirmam ou implicam a existência de entidades concretas. Só podem ser conhecidas a posteriori e são verdades contingentes; ou seja, ainda que seja verdade uma questão de facto, é possível negá-la sem entrar em contradição.
Hume concorda com as ideias de Descartes? Explica:
Não. Para Descartes, existem ideias inatas, que não são produzidas nem por objetos (adventícias), nem pela imaginação (factícias). As ideias inatas existem na mente humana desde a sua origem e permitem a perceção intelectual ou racional que nos leva à verdade. Para Descartes, podemos saber sem recorrer à experiência que Deus existe e que a mente é uma substância imaterial sem extensão.
Hume nega a existência de ideias inatas. Segundo o Princípio da Cópia, todas as nossas ideias derivam da experiência. É também através da experiência que Hume argumenta que podemos obter conhecimento de questões de facto; ou seja, para sabermos o que existe realmente, temos de nos apoiar sempre nos dados dos sentidos e da introspeção. Segundo Hume, nada existe na mente que não tenha passado pelos sentidos. Aos conteúdos da mente, Hume chama perceções, que se distribuem em duas categorias: as impressões e as ideias. As impressões consistem em experiências que podem ser externas (sentidos) ou internas (sentimentos e desejos).