A Teoria do Construtivismo de Jean Piaget
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Não existem conhecimentos resultantes de um simples registro de observações sem uma estruturação devida às atividades do indivíduo. Mas tampouco existem (no homem) estruturas cognitivas a priori ou inatas: só o funcionamento da inteligência é hereditário, e só gera estruturas mediante uma organização de ações sucessivas, exercidas sobre objetos. Daí resulta que uma epistemologia não poderia ser empírica nem pré-formista, mas não pode deixar de ser um construtivismo, com a elaboração contínua de operações e novas estruturas. O problema central consiste, pois, em compreender como se efetuam tais criações e por que, ainda que resultem construções não predeterminadas, elas podem, não obstante, acabar por se tornarem logicamente necessárias.
1. Crítica ao Empirismo
A crítica do empirismo não consiste em negar o papel da experimentação, mas o estudo “empírico” da gênese dos conhecimentos mostra de imediato a insuficiência da interpretação “empirista” da experiência. Quanto aos processos de aprendizagem, invocados pelos empiristas behavioristas em favor de suas teses, Inhelder, Sinclair e Bouvet mostraram que eles não explicavam o desenvolvimento cognitivo, mas estão submetidos às suas leis; um estímulo só age como tal num certo nível de “competência” (outra noção biológica, vizinha da assimilação). Numa palavra, a ação de um estímulo supõe a presença de um esquema, o qual é a verdadeira fonte da resposta (o que inverte o esquema E-R ou o torna simétrico, E ↔ R).
2. A Pré-formação e os Estágios do Desenvolvimento
Em primeiro lugar, um período sensório-motor, anterior à linguagem, vê constituir-se uma lógica das ações (relações de ordem, concatenação de esquemas, intersecções, estabelecimentos de correspondência, etc.), fecunda em descobertas e mesmo em invenções (objetos permanentes, organização do espaço, causalidade, etc.).
- Dos 2 aos 7 anos: Há uma conceptualização das ações, logo, representações com descoberta de funções entre as co-variações de fenômenos, identidades, etc.
- Dos 7 aos 10 anos: Constituem-se as operações concretas, com “agrupamentos” logicamente estruturados, mas ainda ligados à manipulação de objetos.
- Por volta dos 11-12 anos: Constitui-se uma lógica proposicional hipotético-dedutiva, com combinatório, “conjunto de partes”, grupos de quaternidade, etc.