Teoria da Utilidade e Demanda do Consumidor

Economia6,49 KB

Guia de Suporte Teórico Nº 4: Exercício sobre Demanda do Consumidor

ECONOMIA E ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL I
Teoria da Utilidade

1. Utilidade Total e Marginal

Os consumidores demandam um produto pela satisfação ou "utilidade" obtida pelo consumo. Em princípio, observa-se que, à medida que uma pessoa consome mais unidades de um produto por unidade de tempo, maior será a utilidade total recebida. No entanto, embora o aumento do consumo eleve a utilidade total, observa-se que a utilidade marginal (extra ou adicional) que o consumidor recebe é decrescente.

Isso significa que a satisfação adicional recebida pelas unidades agregadas será menor que a das primeiras, até chegar a um nível de consumo onde o valor total atinge um máximo. Nesse momento, a utilidade marginal é zero, o que chamamos de ponto de saturação. A partir deste ponto, a utilidade marginal torna-se negativa e a utilidade total diminui, pois o consumo contínuo causa insatisfação (por motivos como saciedade, armazenamento, risco de doenças, etc.).

A utilidade marginal (UMgx) é definida como a variação na utilidade total resultante da alteração de uma unidade no consumo. Esta teoria utiliza o termo "util" como uma unidade fictícia para medir e discriminar os níveis de satisfação.

Exemplo 1:
Suponha a tabela abaixo com as quantidades consumidas (Qx), utilidade total (UTx) e utilidade marginal (UMgx) de um indivíduo:

QxUTxUMgx
00-
11010
2188
3246
4284
5302
6300
728-2

Com o aumento das quantidades, a utilidade total (UTx) cresce até a 5ª e 6ª unidades, onde estagna, decrescendo a partir da 7ª. A utilidade marginal (UMgx) diminui até a 6ª unidade, onde a satisfação é nula, tornando-se negativa na 7ª.

Exemplo 2:
Ao plotarmos os dados acima, obtemos as curvas de UTx e UMgx (com Qx no eixo horizontal e a utilidade no eixo vertical).

2. Equilíbrio do Consumidor

Na economia, trabalha-se com a hipótese de que o objetivo de um consumidor racional é maximizar a utilidade total ao gastar sua renda. O consumidor estará em equilíbrio quando gastar toda a sua renda de forma que a utilidade marginal do último dólar gasto em diferentes produtos seja a mesma para todos. Matematicamente:

UMgx / Px = UMgy / Py = UMgz / Pz = ... = UMgn / Pn

Sob a condição de restrição orçamentária:

(Px * Qx) + (Py * Qy) + ... + (Pn * Qn) = Y (Renda)

Exemplo de aplicação:
Considere a tabela de utilidades marginais para os produtos X e Y:

QUMgxUMgy
11611
21410
3129
4108
587
666
745
824

Dados: Px = $2, Py = $1 e Renda (Y) = $12.

Para maximizar a utilidade, o consumidor analisa o ganho por dólar gasto:

  • 1ª e 2ª Decisões: Gastar $2 em 2 unidades de Y (ganho de 11+10 = 21 utils), superior aos 16 utils de 1 unidade de X.
  • 3ª e 4ª Decisões: Gastar $2 em mais 2 unidades de Y (ganho de 9+8 = 17 utils), superior aos 16 utils de X.
  • 5ª Decisão: Gastar $2 em 1 unidade de X (ganho de 16 utils).
  • 6ª Decisão: Gastar $2 em 1 unidade de X (ganho de 14 utils).
  • 7ª Decisão: Gastar $2 em 2 unidades de Y (ganho de 7+6 = 13 utils).
  • 8ª Decisão: Gastar $2 em 1 unidade de X (ganho de 12 utils).

Ao final, com Qx = 3 e Qy = 6, a renda de $12 é esgotada:

(2 * 3) + (1 * 6) = 12

A condição de equilíbrio é atingida: UMgx/Px (12/2 = 6) = UMgy/Py (6/1 = 6).

3. Troca

Para que ocorra uma troca voluntária entre dois indivíduos (A e B), ambos devem sair ganhando. Se as razões de utilidade marginal (UMgx/UMgy) forem diferentes entre eles, há oportunidade de intercâmbio vantajoso. A troca continua até que os índices se igualem, ponto em que não há mais incentivo para negociar.

4. Derivação da Curva de Demanda Individual

A curva de demanda pode ser derivada observando-se os pontos de equilíbrio do consumidor sob diferentes preços. Se o preço de X cai, o equilíbrio original é rompido (pois a utilidade por dólar gasto em X aumenta), levando o consumidor a comprar mais unidades de X para atingir um novo equilíbrio.

Exemplo 4: Se o preço de X cair de $2 para $1 no exemplo anterior, o consumidor passará a comprar 6 unidades de X para reestabelecer a igualdade das utilidades marginais ponderadas pelo preço, gerando um novo ponto na curva de demanda.

5. Efeitos Cruzados

Quando o preço do bem X cai:

  • Se a demanda por X (Dx) for unitária, a quantidade de Y (Qy) não muda.
  • Se Dx for elástica, Qy diminuirá.
  • Se Dx for inelástica, Qy aumentará.

6. Efeito Substituição e Efeito Renda

A transição entre pontos de equilíbrio envolve dois efeitos:

  • Efeito Substituição: Quando o preço de um produto cai, o consumidor o substitui por outros produtos que ficaram relativamente mais caros, aumentando a quantidade demandada do bem cujo preço baixou.
  • Efeito Renda: A queda no preço de um produto aumenta o poder aquisitivo (renda real). Se o bem for normal, o consumidor comprará mais dele; se for um bem inferior, poderá comprar menos.

Baixar

PDF Word HTML