Teorias da Arte: Essencialismo e Não Essencialismo

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Experiência Estética e Definições de Arte

A experiência estética é um estado afetivo de prazer desinteressado provocado pela contemplação ou criação de uma obra de arte. Envolve um juízo e uma dimensão intelectual.

Teorias Essencialistas vs. Não Essencialistas: As essencialistas defendem que a arte partilha de propriedades essenciais comuns (imitação, expressão ou forma). As não essencialistas definem-na pelo contexto ou pela história.

As Teorias Essencialistas

Teoria da Imitação (Arte como Mimesis)

A arte é a reprodução ou cópia fiel da realidade sugerida.

Críticas:
  • É redutora e limita a complexidade criativa.
  • Há obras abstratas que não imitam nada e continuam a ser arte.
  • Se o único critério fosse a perfeição da cópia, o valor estético seria medido apenas pela dificuldade em imitar.

Teoria Expressivista (Tolstói, Collingwood)

A obra de arte visa expressar as emoções e sentimentos do artista no momento da criação, devendo contagiar e fazer o espectador reviver essas mesmas vivências.

Críticas:
  • Existem obras de arte que não exprimem qualquer emoção concreta e continuam a ser arte.
  • Certas artes (como o teatro ou cinema) pressupõem expressar as emoções da personagem e não do artista.
  • Nem sempre é possível conhecer as intenções reais do criador.

Teoria Formalista (Clive Bell)

A arte é a capacidade de provocar emoções estéticas nos espectadores através dos seus atributos estruturais (a forma significante), independentemente do conteúdo.

Críticas:
  • Desemboca num certo elitismo (só alguns espectadores conseguem perceber a forma significante).
  • É muitas vezes impossível apreciar a forma pura sem fruir o conteúdo representado.
  • Incorre em circularidade: define forma significante como o que desperta emoção estética, e emoção estética como o que decorre da forma significante.

As Teorias Não Essencialistas

Teoria Institucional (George Dickie)

Arte é qualquer artefacto que beneficie do estatuto de candidato à apreciação por parte de pessoas que agem em nome do "mundo da arte" (artistas, críticos, galeristas, público). A arte é um conceito meramente classificativo.

Críticas:
  • Incapacidade de distinguir a boa da má arte (limita-se a classificar e não avalia).
  • Não reconhece como arte as obras criadas inteiramente fora dos circuitos institucionais (ex: arte primitiva ou de rua isolada).

Teoria Histórica (Jerrold Levinson)

A arte é necessariamente retrospetiva. Um objeto é uma obra de arte se houver a intenção manifesta e não passageira de o relacionar com o passado, ou seja, de o ver ou tratar como as obras de arte anteriores já foram legitimamente tratadas. O criador tem de ter propriedade apropriada sobre a obra.

Críticas:
  • Levinson não clarifica o que muda num objeto no momento exato em que ele se transforma em obra de arte.
  • Não explica de que modo se terão afirmado as primeiras obras de arte da história (as obras primordiais), uma vez que não tinham passado com que se relacionar.
  • Há obras que se tornaram públicas sem que tenha havido uma intenção clara do autor.

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