Teorias da Psicanálise: Ego, Klein-Bion e Relações de Objeto

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Psicologia do Ego

  • Zona livre de conflito: Sem domínio das influências conflituais, pulsionais e inconscientes.
  • A influência do meio tem função adaptativa do ego.
  • Funções com independência funcional dos processos inconscientes: memória, linguagem, aprendizagem e raciocínio.
  • Representação do self (Kohut).
  • Sede do prazer (Hartmann).
  • Prazer com origem interna e nas experiências externas.
  • Aprofunda e diversifica os mecanismos de defesa.
  • Anna Freud: Os mecanismos de defesa do ego servem para a proteção contra as pulsões e as ameaças do exterior.

Modelo Klein-Bion

  • Teoria das relações objetais: Ego e objeto primitivos nos recém-nascidos; face à fantasia e angústia de aniquilamento (associada à pulsão precoce de morte), recorre a defesas arcaicas.
  • Distinto da teoria de Klein e da concepção de um mundo interno de objetos internos e fantasias inconscientes num universo relacional fantasioso (realidade psíquica).
  • Fantasia inconsciente: Ligação indissociável entre instinto/pulsão/desejo e objeto; o conteúdo estrutural da vida mental não são as pulsões em si.

Teoria das Relações de Objeto

  • Criança predisposta à procura do objeto e não apenas de prazer.
  • Mundo representacional: Representações contidas no mundo interno onde são armazenados os aspectos internos (objetos, self e a relação entre ambos).
  • Os modos relacionais e de procura do objeto mudam ao longo do desenvolvimento: as necessidades de alimentação passam a ser de interação e de partilha de atividades.

Desenvolvimento e Posições no Modelo Klein-Bion

  • Constelações de fantasias, ansiedades, angústias e defesas como fases evolutivas do desenvolvimento.
  • Posição esquizoparanoide: Defesa e sobrevivência do self face ao aniquilamento e desintegração. Utiliza defesas arcaicas como clivagem, projeção e idealização.
  • Posição depressiva: Defesa e sobrevivência do objeto. O objeto que frustra e pode aniquilar começa a ser percebido como aquele que satisfaz e cuida, sendo, por isso, amado. Surgem sentimentos ambivalentes e culpabilidade.
  • Posição limítrofe: Ambivalência entre o funcionamento esquizoparanoide e o depressivo.
  • A posição depressiva é mais madura, benigna e adaptativa, permitindo maior maturidade da personalidade, diferenciação entre o self e o objeto, e defesas mais maduras.
  • Objetos internos passam de parciais a totais; ocorre a integração da "mãe boa" e da "mãe má". A ambivalência é assumida e tolerada.

Perspectivas Comparadas

  • Melanie Klein:
    • Fantasias como estrutura.
    • Objeto primário: representações da mãe.
    • Fantasia e destrutividade como inatas.
  • Sigmund Freud:
    • Pulsões como estrutura.
    • Aparelho psíquico como "tábua rasa": o objeto como exterior que provém satisfação e gratificação.
    • Fantasia e destrutividade surgem pós-frustração; não existem a priori.
  • Wilfred Bion (discípulo de Klein): Foca nas dimensões interativas. A mãe atua como "continente" dos conteúdos emocionais intoleráveis e tóxicos (dor, raiva, ódio, angústia, medo) projetados pela criança e desintoxicados pela mãe.

Fundamentos da Teoria das Relações de Objeto

  • Estas internalizações configuram as relações futuras, nas quais se projetam, repetem e atualizam.
  • Entre o mundo interno e o externo, o self e o objeto, existe um espaço transacional que se configura em função dos dois agentes.
  • Ao longo do desenvolvimento, a criança distingue self de objetos e realidade de ilusões, tornando-se capaz de conhecer e enfrentar a dor e a perda (conceito de mãe suficientemente boa).
  • Permite uma relação mais recíproca entre o self e os outros.

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