Teorias do Urbanismo: Le Corbusier e a Cidade Radiosa

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1. Quem foi Le Corbusier?

2. Crítica à cidade contemporânea

  • A grande cidade é um caos, uma catástrofe ameaçadora, lugar de desordem, insegurança e falta de humanidade. Um câncer que "passa bem";
  • Nas ruas estreitas acumulam-se imóveis, cheiro de gasolina, barulho e poeira. A rua-corredor é abafada por casas e prédios de 6 a 7 pisos;
  • As cidades são maciços quadrangulares cortados por estreitas valas formadas pelas ruas. Os cruzamentos excessivos são inimigos da circulação. As ruas, cortando-se a cada 20 ou 50 metros, produzem engarrafamentos;
  • O custo alto do aluguel dos cubículos face à baixa densidade do terreno;
  • Em viagem aos EUA, também criticou a suburbanização norte-americana: "Que dispersão, por quê? Que frenesi projeta milhões de seres tão longe uns dos outros? É porque estes homens perseguem um sonho quimérico: o da liberdade individual."

3. A apologia da máquina

  • Acreditava que o homem é idêntico em todas as culturas e latitudes: o homem-tipo;
  • Obsessão pela busca da escala humana, das funções humanas e das necessidades humanas básicas;
  • A máquina é um acontecimento tão capital dentro da história humana que nos é permitido destinar-lhe um papel de condicionamento da mente;
  • A máquina humana é feita de carcaça, sistema nervoso e circulatório;
  • A casa é a máquina de morar.

4. O Modulor

5. A moradia standard

  • Concepção que preconiza a eficácia, a higiene, a cultura do corpo e do espírito, e a helioterapia;
  • Estabelecer um standard significa esgotar todas as possibilidades práticas e razoáveis, deduzir um tipo que se reconhece conforme às funções e que fornece um rendimento máximo, com o emprego mínimo de meios, de mão-de-obra e de material, de palavras, de formas, de cores e sons;
  • Banhos, sol, água quente, água fria, temperatura à vontade, conservação de alimentos, higiene e beleza na justa proporção. É preciso estudar a célula perfeitamente humana, a que responde a circunstâncias fisiológicas e sentimentais;
  • O habitat é privilegiadamente em imóvel coletivo, gigante, que retoma a concepção do falanstério, construída para abrigar 1500 a 2000 pessoas, e dotada de serviços e os mesmos órgãos - a rua-galeria, como as que projetou em Marseille (1947) e Berlin (1958).

Unité d'habitation de Marseille

Unité d'habitation de Berlin

6. A geometria como base

Unité d'habitation de Briey | Unité d'habitation de Firminy

  • A geometria que ordena o espaço progressista é muito elementar. Consiste essencialmente na disposição de elementos cúbicos e paralelepípedos. O ortogonismo é a regra de ouro que determina as relações dos edifícios entre si e com as vias de circulação.

7. O urbanismo racionalista

  • Modelo de cidade em espaço planetário;
  • Negação de determinações topográficas;
  • O plano é a liberdade da razão, colocada a serviço da eficácia e da estética;
  • Obsessão por higiene e saúde, traduzida na preocupação permanente com o sol e o verde;
  • Explodir o velho espaço fechado para desdensificá-lo;
  • Isolar no sol e no verde edifícios que deixam de ser ligados uns aos outros para tornarem-se unidades autônomas;
  • Abolição da rua, estigmatizada como um vestígio da barbárie, um anacronismo revoltante;
  • Construções elevadas, porém, em número reduzido.

8. A Cidade Radiosa

  • Cidade utópica para 3 milhões de habitantes, concebida por Le Corbusier em 1922;
  • Zonas especializadas segundo critérios de funcionalidade e eficiência: centro cívico, zonas comerciais, residenciais, industriais, lazer e áreas verdes;
  • Verticalização e amplas áreas separando os edifícios uns dos outros;
  • Sistema viário em três níveis: a) subsolo para transporte de carga e descarga; b) ruas de penetração nas quadras; c) autoestradas em níveis elevados nos eixos norte-sul e leste-oeste;
  • Estação multimodal subterrânea no centro: aeroporto para táxi aéreo, trem, metrô e ligação com autoestradas;
  • No centro cívico e direcional concentram-se os edifícios administrativos, as torres de escritórios, os hotéis, museus e o comércio;
  • Na zona residencial situam-se os urbanos - a burguesia e os altos funcionários das grandes corporações, os white collars - em grandes edifícios multifamiliares;
  • Na cidade-jardim (cinturão) residem os mistos - assalariados do setor de serviços e a pequena burguesia - que trabalham no centro;
  • Os suburbanos - operários - trabalham na periferia (zona industrial) e moram na cidade-jardim;
  • Zona vassala, de transição e proteção, onde se localizam o aeroporto, bosques e prados.

9. O Plano Voisin

  • Le Corbusier elaborou diversos planos para cidades existentes - Paris, Argel, Barcelona, Buenos Aires, Rio, São Paulo, Montevidéu, etc. -, jamais executados;
  • O Plano Voisin de Paris (1925) notabilizou-se por aplicar integralmente os princípios da Cidade Radiosa.

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