Tipos de Memória Humana e Processos de Aprendizagem

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O processo de memória humana é considerado o motor central da aprendizagem. Sem ele, não poderíamos realizar novas aprendizagens nem ter acesso ao que já foi aprendido, como o que acontece nos casos de amnésia. Atualmente, conhecem-se vários tipos de memória, muito distintos no processamento, função e área do cérebro associada. Existem vários processos de memória fundamentais ao funcionamento do humano normal e, sem eles, não conseguiríamos realizar nossa vida cotidiana. A memória influencia inúmeros processos mentais complexos, como a linguagem, a escrita, a inteligência, a criatividade, entre outros.

Memória de Trabalho e de Curto Prazo

A memória de trabalho ou memória de curto prazo é entendida como um componente cognitivo ligado à memória que permite o armazenamento temporário de informação com capacidade limitada. Há um grande número de teorias tanto para a estrutura teórica da memória de trabalho (isto é, o "mapa organizacional" que ela segue) quanto para as partes específicas do cérebro responsáveis por ela. No entanto, a visão aceita é a de que o córtex frontal, o córtex parietal, o córtex cingular anterior e partes do gânglio basal são cruciais para seu funcionamento. Muito da compreensão da memória de trabalho vem de experimentos de lesões em animais e de técnicas de imageamento (como a ressonância magnética) em humanos. Atualmente, há centenas de laboratórios de pesquisa ao redor do mundo estudando os vários aspectos do assunto. Há numerosas aplicações práticas, desde uma melhor compreensão do autismo e TDAH até melhorias nos métodos de ensino para criar inteligência artificial baseada no cérebro humano.

Memória prospectiva (MP): A MP é definida como a capacidade de recordar uma ação que se pretende realizar no futuro (intenção), num determinado momento ou local específico, sem nenhuma instrução permanente que nos recorde a realização da ação.

A memória de curta duração (ou memória de trabalho e de curto prazo): Tem acesso rápido e limitado; nesta área, a informação não dura mais que segundos. Nesta memória, temos a memória operacional, que servirá para organizar a realidade percebida pelo cérebro. Através dela, armazenamos informações essenciais para a resolução de problemas, para uso do raciocínio rápido ou elaboração de comportamentos (que podem ser esquecidos a seguir). Exemplo: o lugar onde estacionamos o carro.

Memória de Longa Duração e Episódica

A memória de longa duração (ou permanente): É responsável por armazenar todo o conhecimento de uma pessoa. O tempo de acesso para recuperação de informações, em comparação aos outros tipos de memória, é muito maior, podendo durar dias, semanas ou até mesmo anos. A consolidação é o processo de armazenar novas informações nessa memória.

Memória episódica: É a memória individual que uma pessoa tem de um determinado evento; por isso, difere da lembrança da mesma experiência por outra pessoa.

Memória Declarativa e Não-Declarativa

Memória declarativa (ou explícita): É a memória para fatos e eventos, por exemplo, lembrança de datas, fatos históricos, números de telefone, etc. Reúne tudo o que podemos evocar por meio de palavras (daí o termo declarativa). É subcaracterizada em:

  • Episódica: Quando envolve eventos datados, isto é, relacionados ao tempo. Usamos a memória episódica, por exemplo, quando lembramos do ataque terrorista em 11 de setembro.
  • Semântica: Abrange a memória do significado das palavras (do latim "significado"). É a coparticipação partilhada do significado de uma palavra que possibilita às pessoas manterem conversas com significado. A memória semântica ocorre quando envolve conceitos atemporais. Usamos este tipo de memória ao aprender que Einstein criou a teoria da relatividade ou que a capital da Itália é Roma.

Memória não-declarativa (ou implícita): Difere da explícita (declarativa) porque não precisa ser verbalizada (declarada). É a memória para procedimentos e habilidades, por exemplo, a habilidade para dirigir, jogar bola, dar um nó no cordão do sapato e da gravata, etc. Pode ser de quatro subtipos:

  • Memória de representação perceptual (Priming): Corresponde à imagem de um evento, preliminar à compreensão do que ele significa. Um objeto, por exemplo, pode ser retido nesse tipo de memória implícita antes que saibamos o que é ou para que serve. Considera-se que a memória pode ser evocada por meio de "dicas" (fragmentos de uma imagem, a primeira palavra de uma poesia, certos gestos, odores ou sons).
  • Memória de procedimentos: Refere-se às habilidades e hábitos. Conhecemos os movimentos necessários para dar um nó em uma gravata, nadar ou dirigir um carro, sem que seja preciso descrevê-los verbalmente.
  • Memória associativa e não-associativa: Estas duas últimas estão estreitamente relacionadas a algum tipo de resposta ou comportamento. Empregamos a memória associativa, por exemplo, quando começamos a salivar pelo simples fato de olhar para um alimento apetitoso, por termos associado seu aspecto ou cheiro à alimentação. Por outro lado, usamos a memória não-associativa quando, sem nos darmos conta, aprendemos que um estímulo repetitivo, como o latido de um cão, não traz riscos, o que nos faz relaxar e ignorá-lo.

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