Tipos de Unidades Didáticas e Elementos da Programação na Educação Infantil

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Tipos de Unidades Didáticas e Elementos Constitutivos ao Programar uma Unidade Didática

3.1 – As Unidades de Programação

A programação é uma sucessão de atividades distribuídas ao longo do curso, em função dos critérios estabelecidos pelo grupo de educadores. Estas atividades podem agrupar-se em blocos de atividades ou unidades de programação referidas a um mesmo tema.

É recomendável que os temas estejam relacionados com a realidade que percebem os pequenos, sejam significativos e tenham sentido para eles.

Cada bloco deve englobar todo um conjunto de atividades distintas (psicomotoras, de memória, linguísticas, contos, dinâmicas de grupo, ...) relacionadas com eles.

A duração e a sequenciação de uma unidade de programação é muito flexível e pode abarcar todo o curso ou uma semana, dependendo da maneira em que se organize e do interesse que despertem nos pequenos. Em ocasiões será o próprio educador o que perceberá, através da sua experiência e observação, que o tema está esgotado e deixou de interessar aos pequenos.

3.2 – Estrutura da Programação em Educação Infantil

Deve constar dos seguintes apartados:

1. Título: é o 1º apartado em que aparecem o curso, a idade do grupo de meninos e o nome do grupo.

2. Objetivos: Os objetivos da programação deverão formular-se a partir dos objetivos de ciclo especificados na proposta pedagógica. Geralmente indicar-se-ão referidos a cada uma das 3 áreas que estabelece o currículo, ainda que também se poderão relacionar todos seguidos.

3. Relação de atividades: pode fazer-se de diferentes formas, porém quanto mais bem estruturada estiver, mais útil e fácil será a sua utilização. Uma boa opção é a seguinte:

  • Relacionam-se os blocos de atividades ou unidades de programação seguindo a ordem em que sejam apresentadas e detalham-se as diferentes atividades.
  • Agrupam-se trimestralmente para facilitar a avaliação.
  • Todas as atividades de um centro apresentarão no mesmo formato ou modelo de ficha de atividade.

4. Avaliação: toda programação deve incorporar um apartado destinado a comprovar se se conseguiram os objetivos previstos. Deverão avaliar-se tanto as atividades individualmente como a programação no seu conjunto.

  • A avaliação das atividades realizar-se-á através de fichas de observação que se elaborarão para cada atividade ou mediante o diário de classe.
  • A avaliação da programação deverá realizar-se ao final do trimestre ou curso escolar. Deve-se valorar: se as atividades planteadas se ajustam aos objetivos, se os meninos fizeram o que se esperava em cada atividade, ...

As Atividades na Programação: O que São e Classificação

São as atuações concretas que planificamos para aplicar na aula.

4.1 – Características das Atividades

  • Devem plantear-se com conteúdos globalizados; não se pode pretender trabalhar somente uma área de desenvolvimento.
  • Devem estar conectadas com o mundo do pequeno.
  • Deverão situar e motivar a exploração infantil do seu entorno social.
  • Deverão permitir que o menino se expresse através da ação, já que, como indica Piaget, a ação sensório-motora é a base geral do pensamento.

Tipologia das Atividades

As atividades podem dividir-se em:

- Atividades cotidianas. São as rotinas, que são:

  • A alimentação: É uma atividade fundamental na vida dos pequenos, é vital para a sobrevivência e forma parte da relação afetiva com as pessoas adultas, convertendo-se num elemento de relação com o entorno. Ao comer não é um jogo, o educador deve estar atento e ser flexível com aqueles casos individuais de rejeição dos alimentos ou da comida em geral, inclusive com o incumprimento de outros hábitos relacionados com esta atividade. O menino manifestará as suas aceitações ou rejeições em relação às pessoas adultas através do seu posicionamento no ato de comer, portanto será muito importante conseguir um bom clima em todo o processo da comida. Além do educador, tem um papel importante o pessoal de cozinha.
  • O descanso e o sono: O sono supõe um espaço de tempo imprescindível para o menino, pois com ele recupera as suas forças e ordena o seu sistema nervoso. Na escola infantil há que programar um horário para a sesta. O educador deve criar um clima para que os meninos cheguem ao sono, favorecendo a sua relaxação, usando a música, jogando com a luz, ...
  • A vestimenta: Os momentos de mudança de roupa são espaços de relação com a pessoa adulta, já que nestes momentos aparece o contato físico. Com os bebés ou lactantes este espaço repete-se sistematicamente com a mudança de fraldas. Há que cuidar o aspeto higiénico, mas também a relação afetiva. Na programação é importante fazer referência à autonomia respeito ao vestido.
  • A higiene: É um elemento constante na escola infantil que há que dedicar-lhe o tempo necessário. Desenvolve-se em muitos momentos: lavar as mãos, lavar os dentes, mudança de fraldas, ... Na programação destas atividades é importante incorporar as sequências corretas e completas dos comportamentos desejados. A partir do ano devem marcar-se ritmos de controlo de esfíncteres.

- Atividades de jogo. O jogo livre será o que contribuirá basicamente à aquisição de todas as suas capacidades, porém à medida que vão crescendo introduzem-se outros tipos de jogo, como:

  • De 6 a 12 meses: estabelece-se a sequência alimentação – descanso – jogo livre. O educador deve apoiar e ajudar o desenvolvimento com a estimulação. Um jogo específico é o dos tesouros.
  • 12 a 18 meses: Os meninos necessitam mais atividade e movimento. Além do jogo livre, introduzem-se outros tipos de jogo, como o jogo heurístico ou de exploração.
  • 18 a 24 meses: vão-se encurtando os espaços de descanso e aparece o jogo simbólico.
  • 24 a 36 meses: ampliam-se os espaços de aprendizagem dirigido através do jogo. Os companheiros começam a ser modelos a imitar, ainda que também podem ser um estorvo, para mais tarde acabarem sendo colaboradores.

- Outras atividades mais específicas: Existem uma grande gama de atividades diversas que, através de uma metodologia de jogo, realizam os educadores na aula, dependendo do entorno cultural e social dos meninos, da experiência pessoal de cada educador e dos recursos do centro, são: atividades de psicomotricidade, de sensorialidade, de linguagem, do entorno natural e do entorno social, e outras que relacionam várias à vez.

Técnicas e Instrumentos de Avaliação na Educação Infantil

2.1 – Selecionar um método de recolha de informação

1 – A observação: Consiste em olhar e escutar, dando conta dos elementos importantes de um suceso ou acontecimento. É um método que chegará a ocupar muito tempo do educador. Permite ao educador obter informação sobre as características cognitivas, afetivas e psicomotoras de um menino. É o método avaliativo por excelência na EI.

2 – A interrogação: Consiste em perguntar. Com meninos pequenos não é útil, mas sim se pode perguntar a outros educadores ou a familiares. É um método indireto de obtenção de informação muito útil para a avaliação da gestão docente do centro.

3 – O teste: Proporciona informação mais exata e objetiva. Podem ser orais ou escritos. Usam-se para avaliar a gestão docente do centro e avaliar alguns aspetos relacionados com o diagnóstico de determinados comportamentos dos meninos.

A) Instrumentos para a observação

  1. Diário: registo sistemático onde cada dia ficam recolhidas as atividades, situações ou anedotas ocorridas. Nele transcrevem-se impressões e valorações da pessoa que registra os dados.
  2. Anecdotário: anota e registra condutas, comportamentos ou acontecimentos que o educador lhe resultam significativos. A descrição destes feitos é o que se chama anedota. Vão-se recolhendo ao longo do tempo e podem referir-se a um aluno em particular ou bem a um grupo. É importante transcrever o feito tal como ocorre, especificando o ambiente e inclusive detalhando exatamente as palavras dos alunos no caso de que se dê uma interação verbal.
  3. Lista de controlo: regista a presença ou ausência de uma conduta ou feito previamente definidos. Trata-se de um listado exaustivo que recolhe todas as condutas que o educador considera relevantes. Não se considera muito preciso, já que não indica nem a frequência nem a evolução no tempo, nem o grau de intensidade em que se manifesta a conduta.
  4. Escalas de estimação: valoram a qualidade e/ou frequência de uma conduta através de uma graduação, normalmente de entre 3 a 5 valores, que exige um juízo por parte do observador. Podem ser:
    • Gráficas: define-se uma conduta, suceso ou atitude e ao longo de uma linha situam-se os distintos valores a registar.
    • Numéricas: dá à conduta um valor numérico progressivo.
    • Descritivas: podem chegar a ter uma breve valoração ou recolher a aparição de uma conduta e atitude ou comportamento que mostra a pessoa observada.
  5. Escalas de ordenação: servem para ordenar ou agrupar às pessoas em função do grau em que possuam uma característica. É muito útil para analisar a totalidade do grupo e avaliar em que lugar se colocam os indivíduos.

B) Instrumentos para a interrogação

  1. O questionário: consiste numa lista de perguntas anotadas para serem contestadas por outra pessoa para obter informação sobre opiniões ou sobre as ações numa situação concreta. São instrumentos essenciais da gestão docente. As perguntas podem ser abertas ou fechadas. Existem questionários chamados inventários onde se podem avaliar hábitos, atitudes, opiniões e comportamentos de um grupo de educadores.
  2. A entrevista: Um instrumento indireto para obter informação transcendente dos meninos é a entrevista com os pais, que nos permite obter informação sobre condutas que nunca obteríamos mediante a observação direta. É importante realizar um plano de entrevista que deve conter (importante):
    • O dia, a hora e quem são as pessoas entrevistadas.
    • O propósito da entrevista.
    • Um guião da entrevista, fundamental para a planificação; algumas partes importantes são: a estrutura familiar, o comportamento do menino na vida familiar, se é a 1ª escolarização, ...
    • Rapport: é o processo de relação e acompanhamento que se estabelece no início com as pessoas entrevistadas. Algumas recomendações são: não começar em plano interrogatório, comentar alguma anedota, ver se a pessoa está na defensiva, ...
    • Condução da entrevista: a pessoa que entrevista deverá ser a que conduza em função dos interesses da informação que queira alcançar.
    • Finalização da entrevista: não há que prolongar a entrevista mais do necessário.
    • Importante tomar notas.

C) Instrumentos para testar

Os testes, índices ou escalas são instrumentos que servem para medir e valorar a normalidade de certos comportamentos dos pequenos ou a idoneidade dos serviços, os documentos ou as instalações do centro.

  • Testes ou escalas para valorar condutas ou comportamentos. Utilizam-se para diagnosticar a presença de alguns problemas como o autismo ou o défice de atenção. Devem ser aplicados por especialistas.
  • Testes ou escalas para medir a idoneidade dos serviços, os documentos ou as instalações do centro.

Decisões que se Devem Tomar Respeito à Avaliação

Como deve ser a avaliação?

  • Sistemática: aplicar sempre o mesmo método nos momentos que se hajam prefixado.
  • Objetiva: evitar a influência das ideias preconcebidas ou dos interesses da pessoa que avalia.
  • Integral: contemplando todos os elementos que se contemplam na intervenção.
  • Contínua: em todas as fases do processo educativo.
  • Proporcionar retroalimentação: deve permitir variar ou mudar aquelas coisas que se detectem como melhoráveis, inalcançáveis ou erróneas.

Como levá-la a cabo?

  1. Definição do objeto de avaliação.
  2. Recolha da informação necessária.
  3. Realização da avaliação.

Propostas Didáticas de Programação para a Educação Infantil

A normativa atual está fundamentada nas teorias construtivistas que provêm do âmbito da psicologia. Para poder aplicar estas teorias à prática educativa há que ter em conta os diferentes períodos de idade e as suas características próprias.

2.1 – Propostas para a educação infantil

Podem realizar-se diferentes propostas didáticas:

  • Programação em áreas de experiência: está elaborada no âmbito estatal e recolhida na maioria dos currículos da educação infantil desplegada pelas diferentes administrações. As áreas são:
    • Área de conhecimento de si mesmo e autonomia pessoal.
    • Área de conhecimento do entorno.
    • Área de linguagens: comunicação e representação.
    Esta proposta supõe uma programação guiada por um desenho curricular bastante concreto, na qual para conseguir os objetivos o educador deve organizar as atividades relacionando os conteúdos que se vão trabalhar em função das áreas de desenvolvimento. É um planteamento bastante pautado, mas provoca uma fragmentação das atividades em 3 áreas no momento de explicitá-las e, portanto, faz difícil a sua compreensão.
  • Programação em agrupação de atividades globalizadas: nesta proposta os educadores devem globalizar todas as características do desenvolvimento evolutivo infantil e apresentar uns planos de trabalho muito flexíveis e com um importante caráter experimental. Estes planos estruturam-se em 2 grandes tipos de atividades:
    • Atividades da vida cotidiana ou rotinas.
    • Atividades de aprendizagem, realizadas através do jogo.
    As ações da vida cotidiana ou rotinas têm a mesma importância que as aprendizagens que se levam a cabo sempre através do jogo. Com esta opção podem produzir-se situações de perda dos objetivos planteados. Este planteamento não entra em contradição com a programação por áreas; simplesmente, no momento de planificar, esforça-se por ser aberta e flexível, tendo em conta as evoluções individuais dos pequenos.
  • Programação em agrupação de atividades definidas por áreas de desenvolvimento: segundo esta proposta de programação, as atividades agrupar-se-iam nos seguintes blocos:
    • Atividades que fomentem o desenvolvimento sensório-motor.
    • Atividades que fomentem o desenvolvimento afetivo e social.
    • Atividades que fomentem o desenvolvimento da linguagem.
    O educador deverá preocupar-se por buscar atividades que desenvolvam os distintos âmbitos evolutivos. Esta proposta pode provocar o objetivo de exigir e, portanto, de marcar atividades para conseguir objetivos de logros, apresentar aos meninos propostas um pouco mais à frente do seu nível evolutivo para que avancem nele. Isto tem o perigo de pretender que os pequenos aprendam, não de forma significativa senão mecânica e por imitação.

Esta opção obriga a estruturar as atividades segundo a escala evolutiva infantil, muito pautadas e com um sistema exaustivo de recolha de dados individuais, para poder seguir programando.

Em definitiva, consistem num planteamento didático um tanto rígido que obriga o educador a ter um conhecimento profundo da evolução infantil, mas tem como contrapartida a vantagem da observação sistemática, que é uma grande ajuda para programar em função das possibilidades individuais.

Elementos que Intervêm no Desenho das Atividades na Programação

  1. Título da atividade.
  2. Objetivos didáticos.
  3. Relação com as áreas do desenho curricular e os conteúdos:
    • Área I: conhecimento pessoal de si mesmo e autonomia pessoal.
    • Área II: conhecimento do entorno.
    • Área III: comunicação e representação.
  4. Relação das atividades.
  5. Desenvolvimento da atividade.
  6. Organização do tempo e do espaço.
  7. Materiais.
  8. Adaptações.
  9. Valoração.

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