Totalitarismo vs. Autoritarismo: Principais Diferenças
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Distinga um regime totalitário de um autoritário. Apesar de diferentes, o regime totalitário e o autoritário têm dois elementos em comum: por um lado, a constante luta para reduzir ou eliminar definitivamente o pluralismo político; por outro, os seus critérios de atribuição e repartição do poder político, que nunca se baseiam em eleições verdadeiramente livres, sendo estas sempre controladas e com recurso à força. Isto acontece porque ambos os regimes são construções que, apesar de poderosas, são frágeis, débeis e instáveis. Os seus líderes, conscientes de que os seus regimes não têm bases sólidas, recorrem à repressão e à opressão.
Os regimes autoritários dependem significativamente da figura do seu fundador e são sistemas de pluralismo político limitado, cuja classe política não presta contas dos seus atos. Caracterizam-se por mentalidades próprias, em que um líder ou um pequeno grupo exerce o poder. O pluralismo político é limitado em vários aspetos:
- Poucas organizações são autorizadas a exercer poder político;
- Têm pouca autonomia, pois são controladas pelo líder, ao qual devem ser leais;
- Nunca entram em concorrência umas com as outras;
- Não se verificam variações na representatividade do poder.
Daí que estes regimes deem uma impressão de imobilismo devido à permanência das mesmas organizações. O pluralismo existente transparece na existência de mais do que uma organização política; contudo, não é um pluralismo competitivo. As instituições militares, a Igreja, a organização burocrática do Estado e as poucas associações de interesses têm também um modo de funcionamento tipicamente autoritário. O poder flui de cima para baixo, contudo, muitas vezes é distribuído de modo puramente burocrático, com base na antiguidade e por cooperação.
Esta espécie de pluralismo político serve para distinguir os regimes autoritários dos totalitários (regimes monistas). Além disso, a existência de pluralismo serve para explicar como os regimes autoritários se conseguem desenvolver e alcançar formas pacíficas de transição para a democracia. Estes regimes são também caracterizados por mentalidades, isto é, conjuntos de crenças menos rígidas e codificadas, com margens de ambiguidade interpretativa. Como estas mentalidades são menos rígidas e muito tradicionais (Deus, Pátria e Família), são mais vulneráveis aos desafios de mudança e de modernidade. Por seu lado, os regimes totalitários ostentam ideologias rígidas.
Com efeito, nos regimes totalitários, o partido único é o instrumento principal para o exercício do poder político. Pode dizer-se que o terror constitui a essência do poder totalitário, sendo necessário um grau de desenvolvimento tecnológico que permita este controlo através de meios agressivos. A ideologia totalitária é sempre utópica e escatológica, ou seja, orientada para a definição e a consecução de fins últimos a realizar fora e para além do que existe.
As características distintivas dos regimes totalitários são:
- Uma polícia secreta desenvolvida;
- O monopólio estatal dos meios de comunicação social (essencial para impedir a difusão de informações da oposição);
- O controlo centralizado de todas as organizações políticas, sociais e culturais;
- A subordinação total das forças armadas ao poder político.
Existem críticos, contudo, que consideram que o conceito de totalitarismo está extinto, visto que este está meramente ligado ao período da Guerra Fria.