Toyotismo e Produção Enxuta: Impactos no Trabalho e Crises
Por que a produção enxuta ajuda?
1) Por que a produção enxuta ajuda, parcialmente, o enfrentamento das crises capitalistas?
O toyotismo pode enfrentar melhor as crises e a saturação do mercado porque a ideia principal é produzir somente o necessário, reduzindo os estoques (flexibilização da produção), produzindo em pequenos lotes, com a máxima qualidade, trocando a padronização pela diversificação e pela produtividade. Neste sistema produzem-se muitos modelos de carros, cada um em pequena quantidade, e é a demanda que fixa o número de veículos de cada modelo; ou seja, existe um estoque mínimo disponibilizado aos clientes; estes escolhem seus carros. A proposta é que o próprio consumidor escolha seu produto. O estabelecimento ou a fábrica deixa de "empurrar" a mercadoria para o cliente, para que este a "puxe" de acordo com as suas próprias necessidades. A Toyota, então, reconstitui o estoque em função do que foi vendido. Assim, a empresa só produz o que é vendido e o consumo condiciona toda a organização da produção. Dessa forma evita-se o desperdício de produzir em massa, como acontecia no Fordismo.
Características do toyotismo e impactos
2) Quais as características do toyotismo e seus impactos sobre o trabalho e a produtividade?
- O toyotismo é uma resposta à crise do Fordismo. No lugar do trabalho desqualificado, o operário é levado à polivalência. Em vez de uma linha individualizada, ele integra uma equipe. O toyotismo elimina o trabalho repetitivo e desmotivante. A intenção é satisfazer a equipe que vem depois de sua cadeia;
Características:
- 01 - Just-in-time (tempo certo): tem como objetivo produzir o necessário, na quantidade necessária e no momento necessário. Sem espaço para armazenar matéria-prima e mesmo a produção, criou-se um sistema para detectar a demanda e produzir os bens, que só são produzidos após a venda. Isso foi vital numa fase de crise econômica, em que a disputa pelo mercado exigiu uma produção ágil e diversificada. E o sistema SMED. Se a Toyota pode produzir diariamente 30 mil veículos do tipo A, 20 mil do B e 10 mil do C, caso haja uma mudança no dia 20, basta equilibrar a produção: 20 mil do B, 40 mil do C até o fim do mês, e não haverá estoque.
- 02 - Flexibilização da organização do trabalho: As operações essenciais do operário passam a ser, por um lado, deixar as máquinas funcionarem e, por outro, preparar os elementos para esse funcionamento de maneira a reduzir ao máximo o tempo de não-produção. Assim rompe-se a relação um homem/uma máquina. Um trabalhador opera, em média, cinco máquinas. O trabalho não é mais individualizado; é um trabalho de equipe. A relação homem/máquina torna-se a de uma equipe de operários frente a um sistema automatizado. Em segundo lugar, o trabalhador torna-se polivalente para operar várias máquinas diferentes em seu trabalho, e também para poder ajudar o colega quando necessário.
- 03 - Kanban: Para organizar concretamente a produção instala-se o kanban. Coloca-se um kanban em peças ou partes específicas de uma linha de produção para indicar a entrega de uma determinada quantidade. Quando se esgotam todas as peças, o mesmo aviso é levado ao seu ponto de partida, onde se converte em um novo pedido para mais peças. Quando o cartão é recebido ou quando não há nenhuma peça na caixa ou no local definido, então deve-se movimentar, produzir ou solicitar a produção da peça. O kanban permite agilizar a entrega e a produção de peças.
- 04 - Produção de múltiplos modelos na mesma linha: Uma mesma linha de montagem deve produzir veículos diferentes. Cada vez que surge um modelo diferente, é preciso mudar as máquinas, adaptá-las. Fabricar vários modelos diferenciados e não um só modelo é uma vantagem. Porém, se são necessárias quatro horas para adaptar os instrumentos e passar ao modelo seguinte, isso