Transformações Culturais e Sociais na Idade Média e Moderna
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1. A Arte Gótica
A arte gótica surge num contexto em que as cidades se desenvolvem devido à afirmação da burguesia, que contribui com muito capital para grandes construções, como palácios e igrejas. A dimensão das torres servia para demonstrar a importância das cidades. A catedral, um dos monumentos mais importantes deste estilo, caracteriza-se pela verticalidade, elevação, exterior imponente e decorado, e um interior amplo e luminoso, graças aos numerosos vitrais. Os principais elementos construtivos são:
- Arco quebrado: substitui o arco de volta perfeita;
- Abóbadas de cruzamento de ogivas;
- Arcobotantes: compostos por contrafortes (estribos) e arcos.
2. As Ordens Mendicantes e Confrarias
As ordens mendicantes surgem como um movimento de contestação ao luxo do clero, defendendo o regresso à fraternidade e pureza originais. Tinham como objetivo renunciar aos bens terrenos, ajudar o próximo e pregar a palavra de Deus. As ordens (Franciscanos e Dominicanos) focaram-se na caridade para com os pobres das cidades. Paralelamente, as confrarias, associações de entreajuda religiosa, organizavam-se sob a proteção de um santo e, no caso das ligadas a profissões, em corporações que estabeleciam regras de ofício e assistência social.
3. O Ensino Universitário
Até ao século XI, a leitura e a escrita eram privilégios de monges e clérigos. No século XI, surgiram as primeiras escolas urbanas (escolas-catedrais), que passaram a admitir leigos. No século XII, devido à fama dos seus mestres, estas escolas atraíram estudantes estrangeiros, dando origem ao termo universidades no século XIII, com especializações notáveis como a Teologia em Paris e o Direito em Bolonha.
4. Mudança de Atitude Social da Nobreza
A nobreza, anteriormente associada a modos rudes e violentos, adotou o ideal do perfeito cavaleiro. Este código valorizava o bom nascimento, o culto à memória dos antepassados (através dos livros de linhagem) e o amor cortês, onde o heroísmo do cavaleiro era a condição para obter o amor da dama.
5. Viagens na Idade Média
Nos séculos XIII e XIV, os europeus adquiriram uma nova visão do mundo. Viajantes como Marco Polo chegaram à China, enquanto peregrinos, missionários e diplomatas percorriam rotas para destinos como Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela.
6. O Renascimento
O Renascimento, renovação cultural baseada na Antiguidade Clássica, teve origem na Itália (Florença, Roma e Veneza) sob o mecenato de famílias como os Médicis e os Papas. O movimento expandiu-se pela Europa, influenciando os Países Baixos (pintura a óleo), a França (Colégio de França) e a Península Ibérica (Colégio das Artes em Coimbra).
7. Lisboa e Sevilha no Século XVI
Lisboa e Sevilha foram centros vitais do comércio moderno. Lisboa destacou-se pelo fluxo de produtos coloniais (ouro, especiarias, sedas). Sevilha, após a descoberta da América, tornou-se um polo de riqueza e contrastes sociais, atraindo firmas comerciais internacionais, mas enfrentando problemas como a pobreza e a delinquência.
8. O Contributo Português
Nos séculos XV e XVI, Portugal liderou a inovação náutica. Através da adaptação de conhecimentos árabes e judeus, os portugueses desenvolveram o leme, a bússola, o astrolábio e o quadrante. A necessidade de navegar em alto mar (volta pelo largo) e contra ventos contrários impulsionou a construção naval (caravelas, naus) e a revolução da navegação astronómica, documentada em Guias Náuticos e Roteiros.
9. Geocentrismo e Heliocentrismo
A transição científica começou com a contestação da teoria geocêntrica de Ptolomeu (Terra imóvel no centro do universo). Copérnico propôs o Heliocentrismo, onde o Sol ocupa o centro e os planetas, incluindo a Terra, giram em torno dele através de movimentos de rotação e translação.