Transmutação dos Valores: O Super‑homem e o Niilismo

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O primeiro passo deve ser transmutar todos os valores da nossa cultura tradicional. A nova moralidade é a moralidade dos senhores, em oposição aos fracos e aos escravos. A nova moralidade é uma celebração dos instintos de vida; é uma afirmação do mundo aparente (em oposição ao mundo estático e "estável" da filosofia dogmática). É uma afirmação do egoísmo contra o desprezo de si mesmo.

Super‑homem — Superação do homem

O super‑homem é a superação do homem. O homem é um ser em meio caminho: uma ponte entre o animal e o super‑homem, uma transição da animalidade pura para a super‑humanidade. É necessário recusar os valores do passado e conferir um novo significado à humanidade. O super‑homem incorpora o valor supremo da vida, com sua máxima expressão da vontade de poder e de dominação. É a exaltação dos instintos e a afirmação do ascenso.

Para que o homem se torne super‑homem, deve expulsar Deus interiormente. Esta não é uma deificação do homem, mas a substituição de Deus pelo super‑homem. Ele se tornará um ser de força plena e de domínio sobre si mesmo e sobre os outros. O super‑homem é um ser excelente, livre dos valores passados, agressivo, legislador independente. Ele é sua própria regra, pois está além do bem e do mal. É a vontade de dominar; cria novos valores e representa a meta suprema da humanidade. A vida que conduz a ela será ascendente e afastada do antinatural e do decadente. O super‑homem é o herói da consciência, o herói‑pensador, o filósofo vindouro. É o objetivo último do homem: a partir dele não há mais metas tradicionais, mas a aceitação do puro caos das forças e do "eterno retorno".

Eterno Retorno

A afirmação do eterno retorno é trágica; não orienta a evolução no sentido de uma reconciliação final em que todas as dívidas seriam liquidadas e todas as lágrimas enxugadas. O mundo, como um todo, não está sujeito a avaliação e não precisa ser justificado. O sofrimento é uma realidade no mundo, tão real quanto a alegria, e a fraqueza irredutível pode ser um fator de força.

Revisão da cultura ocidental

Critica-se os valores da cultura ocidental porque ela inventou um mundo do bem (moral), do divino (religião) e do verdadeiro e racional (filosofia e ciência).

Crítica à moralidade tradicional

  1. É contra a natureza, porque suas leis e imperativos são contrários aos instintos vitais.
  2. Seu ideal afasta o homem e faz dele o escravo perfeito.
  3. Ela nega a realidade, a verdade e o valor deste mundo em favor de outro inventado.
  4. Seus valores são imorais e foram impostos por engano, violência e injustiça.
  5. Despreza o "eu" e prega o altruísmo; baseia-se no ressentimento.
  6. Promove a fraqueza humana e rejeita os valores positivos da divindade.

Religião

  1. A religião nasceu do medo humano de assumir o próprio destino.
  2. A religião aliena o homem, promove valores medianos e aniquila as tendências positivas dos espíritos fortes.

Filosofia e Ciência

A metafísica inventa um mundo perfeito, imutável e inteligível por meio de falsidades, atribuindo à verdade uma objetividade antitética. A ciência faz-nos acreditar que podemos conhecer a realidade, introduzindo ordem, regularidade, consistência e leis onde talvez não existam.

A crítica, portanto, dirige-se ao positivismo, ao determinismo científico, ao mecanismo e ao niilismo.

O que deve ser feito?

A cultura ocidental, depois de perder a fé no "mundo real", torna‑se niilista. O niilismo é um processo ambivalente: o seu lado negativo simboliza a decadência e a desintegração dos valores; o lado positivo representa o poder da vontade vital. O niilismo característico é um processo dialético, porque é uma força que vai do negativo ao positivo — negar para dizer, destruir para criar. O momento negativo exige compreensão e crítica; o positivo é o domínio do instinto e a crescente abundância que simbolizam a vida.

Transmutação necessária dos valores

A transmutação necessária dos valores tradicionais exige que o homem se liberte de todos os valores nocionais, devolvendo o direito à vida e à existência. Temos de preparar o mundo para o advento do super‑homem: criar valores e modos de vida que possibilitem o seu surgimento.

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