Trauma Torácico: Diagnóstico e Tratamento de Emergência

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Pneumotórax Hipertensivo

Causa desvio do mediastino, podendo provocar colapso circulatório por compressão de grandes vasos e câmaras cardíacas. Ocasiona um choque obstrutivo que, se não tratado, pode levar à morte.

Diagnóstico

  • Dispneia
  • Taquipneia
  • Diminuição do murmúrio vesicular (MV)
  • Hipertimpanismo à percussão

Diagnóstico Diferencial

Tamponamento cardíaco e choque hipovolêmico.

Tratamento

Consiste na descompressão torácica imediata com punção no 2º espaço intercostal (EIC), na linha hemiclavicular. A agulha é inserida a 90 graus, notando-se uma rápida saída de ar sob pressão. Posteriormente, realiza-se a drenagem pleural em selo d'água.

Pneumotórax Aberto

Caracteriza-se pela perda de parte da parede torácica, permitindo uma ampla comunicação do espaço pleural com o meio externo. Provoca insuficiência respiratória devido à entrada de ar para a caixa torácica durante a inspiração.

Diagnóstico

A inspeção evidencia uma perda significativa de tecidos da parede torácica, com um diâmetro da lesão maior que 2/3 do diâmetro da traqueia.

Tratamento

Realiza-se um curativo de três pontas, que funciona como uma válvula unidirecional. Posteriormente, procede-se ao debridamento cirúrgico e à reconstrução da parede torácica.

Hemotórax Maciço

Define-se pela presença de um dos seguintes critérios:

  • Débito inicial superior a 1.500 ml de sangue na drenagem torácica.
  • Perda de 1/3 da volemia do paciente.
  • Sangramento contínuo superior a 200 ml/h por 2 a 4 horas.

Tratamento

Controle do sangramento (frequentemente cirúrgico) e reposição volêmica agressiva.

Tórax Instável

Causado pela fratura de múltiplas costelas em dois ou mais pontos, criando um segmento instável na parede torácica.

Diagnóstico

  • Dispneia
  • Movimento paradoxal do tórax (o segmento fraturado se move para dentro na inspiração e para fora na expiração)
  • Crepitação e dor à palpação

Raio-X: Evidencia múltiplas fraturas de arcos costais.

Tratamento

O tratamento foca em analgesia adequada, tratamento de complicações (como contusão pulmonar) e, se necessário, assistência ventilatória para manter a PO2 > 60 mmHg e a PCO2 < 48 mmHg.

Obstrução das Vias Aéreas

Pode ser causada por corpos estranhos, sangue, edema ou queda da base da língua.

Diagnóstico

  • Taquipneia
  • Estridor
  • Dispneia e uso de musculatura acessória

Exames Complementares

  • Raio-X: Pode mostrar objetos que alteram a coluna de ar da traqueia.
  • Broncoscopia: Diagnóstica e terapêutica.

Tratamento

O objetivo é garantir uma via aérea pérvia. As opções incluem:

  1. Oxigenoterapia e ventilação mecânica.
  2. Intubação orotraqueal para garantir a via aérea.
  3. Na impossibilidade de intubação, realiza-se uma via aérea cirúrgica: cricotireoidostomia (de emergência) ou traqueostomia (eletiva).

Tamponamento Cardíaco

Ocorre quando o acúmulo de líquido (geralmente sangue) no saco pericárdico, uma estrutura fibrosa e inelástica, restringe o enchimento cardíaco. A remoção de pequenas quantidades, como 20 ml, pode ocasionar uma melhora hemodinâmica significativa.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado na Tríade de Beck:

  • Hipotensão arterial
  • Estase jugular (distensão das veias do pescoço)
  • Abafamento das bulhas cardíacas

Outro sinal clássico é o Sinal de Kussmaul (aumento da pressão venosa durante a inspiração).

Tratamento

A reposição volêmica para tratar o choque é mandatória enquanto se prepara o tratamento definitivo. A evacuação do sangue deve ser feita por pericardiocentese (punção pericárdica) ou, idealmente, por drenagem pericárdica cirúrgica (janela pericárdica).

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