Turismo em Portugal: Sistemas, Tendências e Estratégia 2027

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Sistema Turístico

Os sistemas turísticos podem ser abertos ou fechados. Os sistemas fechados não revelam nenhuma ação do exterior; todos os elementos estão ligados e funcionam por um único objetivo, não sendo influenciados por condições externas. Este modelo não funciona nem desenvolve todas as condições para o seu objetivo final. O sistema de inter-relações do turismo, ou sistema turístico, está associado a vários contextos e pontos de vista:

  • Económico: Apresenta o efeito multiplicador (desenvolvimento sustentável da economia nacional), englobando tudo o que está à volta do turismo e que pode ser duplicado ou triplicado, como os locais de alojamento e alimentação.
  • Social: Considera o impacto na população local.
  • Ambiental: Foca na poluição e condições atmosféricas.
  • Político: Define as regras de funcionamento, nomeadamente a importância da paz.
  • Institucional ou Jurídico: Onde se insere, por exemplo, a lei do PENT (Plano Estratégico Nacional do Turismo).
  • Cultural: Questiona a falta de flexibilidade, como museus que fecham ao domingo.
  • Sanitário: Refere-se às condições básicas de um destino turístico.
  • Científico/Educativo: O desenvolvimento depende da educação e dos conhecimentos transmitidos.
  • Tecnológico: Tornou-se impensável para o desenvolvimento do setor e afeta também os meios de transporte.

Associado a este sistema, existem as Smart Cities (cidades inteligentes), que gerem os destinos a partir de sistemas que monitorizam a afluência de turistas num determinado ponto e os direcionam para outros locais da cidade. Podemos, então, afirmar que o turismo é um sistema aberto. Análise: zona emissora (procura, instituições) → subsistema → zona recetora (transportes, alojamento, populações locais).

Vulnerabilidades no Desenvolvimento do Turismo Português

As vulnerabilidades que sempre estiveram presentes no desenvolvimento do turismo português incluem a concentração das origens, a concentração territorial, a concentração em atrativos e motivações, a dependência de mercados externos e a sazonalidade (que corresponde à estagnação ao analisar o ciclo de vida de um destino).

Para contrariar esta situação, criou-se o plano nacional de turismo de 86/89, que atua em diversas frentes:

  • Ordenamento turístico: Explora outros destinos e reorganiza a oferta.
  • Termalismo (Saúde e Bem-estar): Promove a desconcentração territorial, aproveitando a natureza termal de Portugal.
  • Animação: Combate a sazonalidade criando atrações que captem o interesse do turista no inverno, aumentando a estada e a procura.
  • Estrutura administrativa: A desconcentração de objetivos deu lugar a uma entidade única: o Turismo de Portugal.
  • Formação profissional: Reforça a qualificação e o capital humano.
  • Investimento: O Estado investe na promoção da atividade para renovar a oferta, evitando produtos fixos e padronizados.
  • Promoção: Altera o modelo de distribuição, utilizando a internet como ferramenta principal.

Ciclo de Vida do Destino Turístico

Um destino turístico envolve quatro atores principais: investidores, população/trabalhadores, fornecedores e visitantes. Todos são responsáveis por tornar o destino ideal para investir, morar, trabalhar e visitar.

Segundo o modelo de Butler, o ciclo de vida de um destino possui seis fases:

  1. Descobrimento: O destino recebe poucos turistas, os preços são baixos e há pouca concorrência. Pode ser planeado ou espontâneo.
  2. Lançamento: O número de turistas cresce e torna-se regular. Há envolvimento da comunidade e criação de alojamentos.
  3. Desenvolvimento: O mercado torna-se estruturado. O número de turistas iguala ou supera a população local. Surgem investidores externos e internacionais.
  4. Consolidação: O turismo é a principal atividade económica. A concorrência é alta. Podem surgir conflitos com a população local devido a restrições no quotidiano.
  5. Maturidade: A marca pode passar de moda e os lucros decrescem. A capacidade de carga é atingida, surgindo problemas ambientais e socioeconómicos.
  6. Declínio ou Relançamento: No declínio, a infraestrutura degrada-se e os investidores saem. No relançamento, é necessária uma mudança total, com novas atrações ou exploração de áreas naturais virgens.

Entidades Regionais de Turismo (ERT)

As ERT são responsáveis pelo desenvolvimento regional, alinhadas com as diretrizes nacionais:

  • Turismo do Porto e Norte de Portugal (Viana do Castelo)
  • Turismo do Centro de Portugal (Aveiro)
  • Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa
  • Turismo do Alentejo e do Ribatejo (Beja)
  • Região de Turismo do Algarve (Faro)
  • Secretarias Regionais dos Açores e Madeira

Millennials e o Turismo

Os Millennials gastam uma parte considerável do seu orçamento em viagens, procurando destinos pouco habituais e de aventura (trekking, barcos a vela, ilhas distantes). Valorizam a sustentabilidade, experiências gastronómicas e voluntariado. Esta geração é fortemente influenciada pelas redes sociais, especialmente o Instagram (60%), blogs e fóruns. Valorizam a autenticidade acima do capital social, mas têm aversão ao risco, preferindo fontes de confiança e demonstrando preocupação com a segurança e o medo de viajar sozinhos.

Smart Cities e Destinos Inteligentes

As Smart Cities utilizam intensivamente as TIC para resolver problemas urbanos (alterações climáticas, desigualdades). Assentam em seis pilares: economia, mobilidade, ambiente, pessoas, modo de vida e governança inteligente. Os Destinos Turísticos Inteligentes focam na interação com o visitante através da governança, tecnologia e desenvolvimento sustentável (ex: apps para gerir fluxos em museus).

Estratégia do Turismo 2027

Afirma o turismo como um hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental, posicionando Portugal como um dos destinos mais competitivos do mundo. A meta é que mais de 90% das empresas adotem medidas de eficiência energética e gestão ambiental.

Os 10 Desafios Estratégicos:

  1. Pessoas (emprego e qualificação)
  2. Coesão (mitigar assimetrias)
  3. Crescer em valor
  4. Sazonalidade
  5. Acessibilidade
  6. Procura (conhecer mercados)
  7. Inovação
  8. Sustentabilidade
  9. Simplificação legislativa
  10. Investimento

Eixos de Atuação:

  • Valorizar o Território: Património histórico, orla costeira, áreas protegidas e regeneração urbana.
  • Impulsionar a Economia: Capitalizar empresas, reduzir burocracia e estimular a economia circular.
  • Potenciar o Conhecimento: Formação profissional, I&D e capacitação de gestores.
  • Gerar Conetividade: Reforçar rotas aéreas, mobilidade rodoferroviária e afirmar Portugal como smart destination.
  • Projetar Portugal: Internacionalização, turismo interno e captação de grandes eventos.

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