Uso de Medicamentos na Gravidez e Lactação: Guia Prático
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Uso de Medicamentos na Gravidez e Lactação
A maioria das malformações congénitas ocorre em 2-4% de todos os nascimentos; contudo, de todas as gestações diagnosticadas, cerca de 15% resultam em perda fetal. A razão destas consequências adversas para a gravidez só é conhecida para uma minoria de incidentes.
Poucos fármacos mostraram ser teratogénicos de forma conclusiva no Homem, mas, sem qualquer dúvida, nenhum fármaco é seguro no início da gravidez. Durante o primeiro trimestre, os fármacos podem produzir malformações congénitas (teratogénese), situando-se o risco maior entre a 3ª e a 11ª semana de gravidez (fase de organogénese), devendo, sempre que possível, ser evitados.
Se forem necessários, deve-se:
- Preferir os fármacos já largamente utilizados, em vez dos novos e menos conhecidos;
- Utilizar a menor dose eficaz;
- Optar por formulações com um só fármaco, em vez de outras com dois ou mais componentes.
Durante o segundo e terceiro trimestres, os fármacos podem afetar o crescimento e o desenvolvimento funcional ou ter efeitos tóxicos sobre os tecidos fetais. Se administrados à mãe muito próximo do fim da gravidez, ou durante o parto, podem ter efeitos adversos não só na evolução do trabalho de parto, como no recém-nascido.
Medicamentos usados na lactação
O efeito de um medicamento tomado pela mãe durante a lactação pode ocorrer na criança sempre que um fármaco ou um seu metabolito ativo seja eliminado pelo leite em quantidades significativas para produzir uma ação visível no lactente.
A prescrição de fármacos à mãe durante este período deve ser feita com ponderação, tendo presente que:
- Alguns medicamentos (ex: amiodarona) são prejudiciais para o lactente;
- Outros podem inibir a lactação (ex: estrogénios);
- A maioria (ex: cefalosporinas), presentes no leite em concentrações reduzidas, não será responsável por qualquer efeito.
A concentração no leite pode, por vezes, exceder a que se encontra no plasma materno, significando que doses terapêuticas na mãe podem causar toxicidade na criança (ex: iodetos). Alguns, como o fenobarbital, inibem o reflexo de sucção; outros podem, pelo menos teoricamente, causar hipersensibilidade. A prematuridade ou a presença de icterícia representam um ligeiro aumento de toxicidade.
É recomendável que a mãe tome apenas os fármacos absolutamente necessários durante a lactação e que, a tomá-los, o faça imediatamente depois de amamentar, 3-4 horas antes da próxima mamada.
Guia de fármacos específicos:
- Ácido acetilsalicílico: Evitar; risco possível de síndrome de Reye; o uso regular de doses altas pode impedir a função plaquetária e produzir hipoprotrombinemia no lactente, se as reservas de vitamina K (fitomenadiona) neonatais estiverem baixas; possível acidose metabólica.
- Ácido clavulânico: Presente no leite em quantidades muito pequenas para ser perigoso; possível diarreia.
- Amiodarona: Evitar, por presença no leite em quantidades significativas; possível hipotiroidismo.
- Amitriptilina: Ver Antidepressores (tricíclicos e afins); continuar o aleitamento; vigiar o lactente pela possível sonolência.
- Ansiolíticos: Administrados à mãe por períodos longos são causa de preocupação porque aparecem no leite e podem ter repercussões sobre as funções do SNC.